
John Flanagan

Rangers, Ordem dos arqueiros 04

Folha de carvalho



Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Flanagan, John
Rangers -- Ordem dos Arqueiros: T/John Flanagan;
[verso brasileira: Editora Fundamento] -- So Paulo, SP:
Editora Fundamento Educacional, 2009.
Ttulo original: Ranger's apprentice: The Icebound Land

1. Literatura infanto-juvenil I. Ttulo.
07-7502                                     CDD-028.5

ndices para catlogo sistemtico:

1. Literatura infanto-juvenil 028.5 2. Literatura juvenil
028.5
ARALUEN E SEUS VIZINHOS
  ANO DE 643 DA ERA CRIST
    Foram batidas leves e constantes que despertaram
Will do sono profundo e tranquilo.
     Ele no tinha uma idia clara de quando comeou a
ouvi-las. O rudo parecia ter deslizado discretamente em
sua mente adormecida, ampliou-se e aumentou em seu
subconsciente at chegar ao mundo consciente e faz-lo
perceber que estava acordado e se perguntando o que
poderia ser.
     Tap-tap-tap-tap...
     O barulho continuava, mas no to alto, agora que
estava acordado e ciente dos outros sons na pequena
cabana.
     Do canto, atrs de uma pequena cortina de estopa
que lhe dava uma leve privacidade, ele podia ouvir a
respirao regular de Evanlyn. Estava claro que as batidas
no a tinham acordado. Escutou uns estalidos abafados
vindos da pilha de carvo na lareira no fim do aposento e,
quando ele ficou totalmente acordado, escutou quando os
pedaos se assentaram com um leve farfalhar.
      Tap-tap-tap...
      O barulho parecia vir de perto dele. Will se
espreguiou, bocejou e se sentou na cama rstica que tinha
feito com madeira e lona. Balanou a cabea para afastar o
resto de sono e, por um momento, o som quase
desapareceu. Ento recomeou, e Will percebeu que vinha
do lado de fora da janela. Os painis de tecido
impermevel eram transparentes e deixavam que a luz
cinzenta de antes do amanhecer entrasse, mas ele no viu
nada alm de nvoa. Ele se ajoelhou na cama e abriu a
moldura, levantando-a e esticando a cabea pela abertura
para observar a pequena varanda da cabana.
      Uma rajada de ar frio entrou no quarto e ele ouviu
Evanlyn se mexer enquanto o vento percorria o aposento,
fazendo com que a cortina de estopa balanasse para
dentro e as brasas da lareira brilhassem com mais
intensidade at que uma pequena lngua de fogo amarela
saltasse delas.
      Em algum lugar entre as rvores, um pssaro
cumprimentava a primeira luz do dia, e as batidas foram
abafadas mais uma vez.
      Ento ele descobriu. Era gua que pingava da ponta
de um longo pingente de gelo pendurado no telhado da
varanda e caa num balde virado que ficara ali no cho.
      Tap-tap-tap... tap-tap-tap.
      Will franziu a testa. Ele sabia que tinha uma coisa
importante nesse acontecimento, mas sua mente, ainda
confusa pelo sono, no conseguiu entender bem o que era.
Ele se levantou, espreguiando-se e tremendo levemente
ao deixar o ltimo calor da coberta, e se dirigiu para a
porta.
     Esperando no acordar Evanlyn, levantou o trinco e
abriu a porta devagar, segurando-a de modo que as
dobradias de couro no deixassem a parte inferior raspar
no cho da cabana.
     Will fechou a porta atrs dele e andou nas tbuas
speras da varanda, sentindo o frio gelado nos ps
descalos. Foi at onde a gua pingava sem parar sobre o
balde e notou que outros pingentes pendurados no
telhado tambm pingavam. Ele nunca tinha visto nada
parecido e teve certeza de que aquilo no acontecia
normalmente.
     Olhou para as rvores por onde passavam os
primeiros raios de sol.
     Houve um baque surdo na floresta quando um
monte de neve finalmente escorregou dos galhos de um
pinheiro, onde tinha ficado durante meses, e caiu
formando um monte no cho.
     E foi nesse momento que ele se deu conta da
importncia das interminveis batidas que o tinham
acordado.
       Atrs dele, ouviu a porta ranger. Ele se virou e viu
 Evanlyn, com os cabelos muito emaranhados, enrolada
 no cobertor para se proteger do frio.
       -- O que foi? -- ela perguntou. -- Aconteceu
alguma coisa?
     Ele hesitou um segundo, olhando para a poa que
crescia ao lado do balde.
       -- O gelo est derretendo -- ele disse finalmente.




      Depois de um magro caf da manh, eles se sentaram
ao sol que se estendia na varanda. Nenhum dos dois
queria discutir a importncia da descoberta de Will,
embora tivessem encontrado mais sinais do degelo.
      Pequenas manchas de grama seca encharcada
apareciam na cobertura de neve na terra em volta da
cabana, e o som da neve molhada escorregando das
rvores para cair no cho estava se tornando cada vez mais
comum.
       claro que a neve ainda estava espessa no cho e nas
rvores, mas os sinais indicavam que o degelo tinha
comeado e que iria continuar incessantemente.
       -- Acho que temos que pensar em continuar
viagem -- Will disse finalmente, externando o
pensamento que tinha estado na mente de ambos.
       -- Voc ainda no est forte o suficiente --
Evanlyn retrucou. Mal se tinham passado trs semanas
desde o dia em que ele se livrou dos efeitos
entorpecedores provocados pela erva do calor, na qual se
viciara quando escravo do ptio na Residncia de Ragnak.
Antes de conseguirem fugir, Will tinha enfraquecido por
causa de comida e roupas inadequadas e um regime de
trabalho fisicamente punitivo. Desde ento, a alimentao
insuficiente serviu apenas para conservar a vida, mas no
para restaurar suas foras ou sua resistncia. Eles tinham
vivido do fub e da farinha encontrados na cabana, de um
pequeno estoque de legumes e da carne fibrosa de
qualquer animal que Evanlyn e ele tinham conseguido
caar.
      Havia pouca caa no inverno e os animais que
tinham apanhado tambm no estavam em boas
condies alm de no serem muito nutritivos.
      -- Eu dou um jeito -- Will disse simplesmente e
ergueu os ombros. -- Vou ter que dar.
      E esse era o principal problema. Os dois sabiam que,
assim que a neve nos altos desfiladeiros tivesse derretido,
os caadores voltariam a visitar as montanhas onde
estavam. Evanlyn j tinha visto um deles: o misterioso
cavaleiro no dia em que Will tinha recuperado a
conscincia. Felizmente, desde aquele dia, no viram mais
sinal dele. Mas tinha sido um aviso. Outros viriam e, antes
que aparecessem, Will e Evanlyn tinham que estar bem
longe, descendo as passagens do outro lado da montanha
para atravessar a fronteira para a Teutnia.
      Evanlyn balanou a cabea com ar de dvida. Por um
momento no disse nada, mas logo se deu conta de que
Will tinha razo. Assim que o degelo tivesse realmente
comeado, eles teriam que partir, estando ele forte o
bastante para viajar ou no.
      -- Mesmo assim -- ela disse devagar -- ainda temos
algumas semanas. O degelo apenas comeou e talvez ainda
venha outra frente fria. Quem sabe?
      " possvel", ela pensou, "Talvez no seja provvel, mas
pelo menos  possvel." Will concordou com um gesto.
      -- Isso sempre pode acontecer -- ele afirmou.
      O silncio caiu sobre eles como uma cortina de
fumaa. De repente, Evanlyn se levantou, tirando a poeira
da roupa.
      -- Vou dar uma olhada nas armadilhas -- avisou e,
quando Will comeou a se levantar para acompanh-la, ela
o impediu.
      -- Fique aqui -- ela pediu com delicadeza. -- De
agora em diante, voc vai ter que conservar o mximo de
fora possvel.
      Will hesitou, mas acabou concordando, pois
reconheceu que ela tinha razo.
      Evanlyn apanhou o saco de aniagem que usavam para
carregar a caa e o jogou sobre o ombro. Ento, com um
pequeno sorriso, afastou-se no meio das rvores.
      Sentindo-se intil e desanimado, Will comeou a
reunir os pratos de madeira que usavam nas refeies. "S
sirvo para lavar a loua", ele pensou tristemente.
      As armadilhas vinham sendo colocadas cada vez mais
longe da cabana nas ltimas trs semanas. Depois que
pequenos animais, coelhos, esquilos e uma ou outra lebre
da neve tinham cado nas armadilhas que Will tinha
construdo, os outros animais naquela rea ficaram mais
cuidadosos. Como resultado, eles eram obrigados a
montar as armadilhas em novos locais, de tempos em
tempos -- cada qual um pouco mais longe da cabana que
no dia anterior.
      Evanlyn calculou que tinha que andar cerca de
quarenta minutos na trilha estreita que subia a colina antes
de chegar  primeira armadilha.  claro que, se pudesse
caminhar em linha reta, o trajeto seria muito mais curto.
Mas a trilha era sinuosa e dava voltas ao redor das rvores,
mais do que dobrando a distncia que tinha que percorrer.
      Agora que tinha conscincia do fato, os sinais do
degelo estavam em toda a sua volta. A neve no rangia
secamente quando andava. Ela estava mais pesada, mida,
e seus ps afundavam dentro dela. O couro de suas botas
j estava encharcado do contato com a neve que derretia.
Da ltima vez em que passara por esse caminho, a neve
simplesmente tinha coberto as botas com um p fino e
seco.
      Ela tambm comeou a notar uma atividade maior
entre a vida selvagem da regio. Pssaros esvoaavam
entre as rvores em nmero maior do que antes, e ela
assustou um coelho na trilha, fazendo com que corresse
de volta  proteo de uma amoreira coberta de neve.
      "Pelo menos, essa atividade extra pode aumentar as chances de
encontrar alguma caa que valha a pena nas armadilhas", ela
pensou.
      Ela viu o sinal discreto que Will tinha feito na casca
de um pinheiro e saiu da trilha para encontrar o lugar onde
eles tinham armado a primeira armadilha. Ela se lembrou
do alvio que sentiu quando ele se recuperou do vcio da
erva do calor. Suas habilidades de sobrevivncia eram
insignificantes e Will tinha oferecido seu bem-vindo
conhecimento para criar e colocar armadilhas e
complementar a alimentao dos dois. Aquilo fazia parte
do treinamento que Halt tinha lhe dado.
       Evanlyn se lembrava de como os olhos dele tinham
 ficado midos por alguns momentos e a voz embargada,
 quando ele mencionou o nome do velho arqueiro. E, no
 pela primeira vez, os dois jovens se sentiram muito, muito
 longe de casa.
       Ao passar com dificuldade pelos arbustos cobertos
 de neve e ficar cada vez mais ensopada, ela sentiu uma
 onda de prazer. A primeira armadilha tinha pegado um
 pequeno pssaro. Eles j tinham caado alguns e ela sabia
 que a carne era excelente. Do tamanho de uma galinha
 pequena, ele tinha colocado o pescoo descuidadamente
 no aro de metal da armadilha e ficou preso. Evanlyn
 sorriu tristemente quando pensou que antes teria
 protestado por causa da morte cruel do pssaro. Agora,
 tudo o que sentia era uma sensao de satisfao ao se dar
 conta de que teriam uma boa refeio naquele dia.
       " surpreendente como uma barriga vazia pode mudar a
 opinio da gente", ela pensou, enquanto retirava o aro do
 pescoo do pssaro e enfiava a pequena carcaa na sacola.
Ela recolocou a armadilha e espalhou alguns gros de
milho no cho ao redor dela. Ento se levantou,
franzindo a testa aborrecida, ao perceber que a neve
derretida tinha deixado duas manchas molhadas nos
joelhos.
     Evanlyn sentiu, mais do que ouviu, um movimento
nas rvores atrs dela e se preparou para correr.
     Antes que pudesse se mexer, sentiu algo agarr-la
com fora pelo pescoo e, ao soltar um grito abafado de
medo, uma mo calada numa luva de pele com um
cheiro terrvel de fumaa, suor e sujeira lhe tapou a boca e
o nariz, impedindo-a de gritar.
Os dois cavaleiros saram do meio das rvores para uma
campina aberta.
     Ali, nos ps dos morros da Teutnia, a primavera que
se aproximava estava mais visvel do que nas altas
montanhas que se elevavam  frente deles. A grama da
campina j estava ficando verde e havia pontos isolados de
neve em lugares normalmente cobertos de sombra na
maior parte do dia.
     Um espectador casual talvez se interessasse em
observar os cavalos que seguiam os dois homens
montados. De longe, os homens at poderiam ser
confundidos com comerciantes que esperavam a primeira
oportunidade de atravessar as passagens da montanha para
a Escandinvia e, assim, se beneficiar dos preos altos que
as primeiras mercadorias da estao teriam.
     Mas uma inspeo mais atenta teria mostrado que
aqueles homens no eram comerciantes. Eram guerreiros
armados.
      O menor dos dois, um homem barbado vestido com
uma estranha capa verde e cinza que parecia mudar e
ondular enquanto andava, levava um arco longo
pendurado nos ombros e uma aljava com flechas no alto
da sela.
      Seu companheiro era um homem maior e mais
jovem. Ele usava uma simples capa marrom, mas o claro
sol da primavera fazia a armadura de malha de ferro
brilhar no pescoo e nos braos, e a bainha de uma longa
espada aparecia debaixo da capa. Completando o quadro,
tinha o escudo redondo pendurado nas costas e que exibia
a efgie de uma folha de carvalho um tanto tosca.
      Cavalos combinavam to mal quanto os homens. O
jovem montava um baio alto: de pernas compridas, ancas
e quartos fortes, o exemplo de um verdadeiro cavalo de
batalha. Um segundo cavalo de raa, negro, trotava atrs
dele preso a uma corda. A montaria do companheiro era
consideravelmente menor, um cavalo desgrenhado de
peito largo que mais parecia um pnei. Mas ele era robusto
e parecia resistente. Outro cavalo, parecido com o
primeiro, trotava atrs deles levemente carregado com o
mnimo necessrio para acampar e viajar. Ele seguia os
outros obediente e de boa vontade.
      Horace inclinou a cabea para olhar a montanha mais
alta que se elevava acima deles. Ele semicerrou os olhos
por causa do brilho da neve que ainda formava uma
camada grossa na metade superior da montanha e agora
refletia a luz do sol.
      -- Voc est dizendo que ns vamos passar por cima
disso? -- ele perguntou.
      Halt olhou para ele de lado, com um leve sorriso nos
lbios. Horace, porm, ocupado em analisar as formaes
montanhosas macias  sua frente, nada percebeu.
      -- Passar por cima, no. Ns vamos atravessar.
      -- L tem um tnel ou alguma coisa parecida? --
 Horace indagou franzindo a testa.
      --      Uma passagem -- Halt informou. -- Um
desfiladeiro estreito e sinuoso que contorna as montanhas
e nos leva at a Escandinvia.
      Horace pensou um pouco na informao. E logo
Halt viu os ombros dele se levantarem, quando encheu os
pulmes de ar, e previu que o movimento indicava mais
uma pergunta. Ele fechou os olhos, lembrando-se de um
tempo que parecia estar a anos de distncia, quando estava
sozinho e a vida no era uma srie interminvel de
perguntas.
      Ento admitiu para si mesmo que, estranhamente,
preferia as coisas como eram agora. Entretanto, ele
certamente fez algum barulho involuntrio enquanto
esperava a pergunta, pois percebeu que Horace tinha
fechado os lbios com firmeza e determinao. Estava
claro que o rapaz tinha sentido a reao e resolveu no
aborrecer Halt com outra pergunta. Pelo menos, no
naquele momento.
     O que deixou Halt num dilema estranho, porque,
agora que a pergunta no tinha sido feita, no conseguiu
evitar imaginar o que poderia ser. De repente, foi
dominado pela sensao incmoda de que alguma coisa
estava incompleta naquela manh. Ele tentou ignor-la,
mas foi impossvel. E Horace parecia mesmo ter
dominado o desejo quase irresistvel de fazer a pergunta
que tinha lhe ocorrido.
      Halt esperou um ou dois minutos, mas no ouviu
nenhum som alm do tilintar dos arreios e o ranger do
couro das selas. Finalmente, o ex-arqueiro no aguentou
mais.
       -- O qu?
      A pergunta pareceu explodir de dentro dele com mais
violncia do que tinha pretendido. Tomado de surpresa, o
baio de Horace estremeceu assustado e deu vrios passos
para o lado, como se estivesse danando.
      Horace deu um olhar magoado para seu mentor
enquanto acalmava o cavalo e o controlava.
      -- O qu? -- ele repetiu para Halt e o homem menor
fez um gesto desesperado.
      --  isso o que eu quero saber -- respondeu
irritado. -- O qu?
      Horace espiou para ele. O olhar era, evidentemente,
do tipo que se d a algum que parecia ter perdido a razo
e no ajudou muito a melhorar o humor, cada vez pior, de
Halt.
      -- O qu? -- Horace repetiu agora totalmente
      confuso.
       -- Pare de me imitar como um papagaio -- Halt
protestou. -- Pare de repetir o que eu falo! Eu perguntei
"o qu", portanto no me responda com outro "o qu",
entendeu?
      Horace pensou na pergunta por uns dois segundos e
ento, do seu jeito calculado, respondeu: "No."
      Halt respirou fundo. Sua testa estava profundamente
franzida e, debaixo das sobrancelhas, seus olhos brilhavam
de raiva. Mas, antes que pudesse falar, Horace se adiantou
a ele.
       -- Que "o qu" voc est me perguntando? --
indagou, enquanto pensava em como deixar a pergunta
mais clara. -- Ou, melhor, por que est me perguntando
"o qu"?
      Sem esconder que estava se controlando com muito
esforo, Halt resolveu continuar.
       -- Voc ia me fazer uma pergunta -- ele disse.
       -- Eu ia? -- Horace retrucou franzindo a testa.
       -- Sim, ia. Eu vi quando respirou fundo para falar -
Halt concordou.
       -- Entendo -- Horace falou. -- E sobre o que era
a pergunta?
     Por um breve momento, Halt ficou sem saber o que
dizer. Ele abriu a boca, fechou-a outra vez e ento,
finalmente, encontrou foras para falar.
       -- Era isso o que eu estava perguntando para
voc -- ele explicou. -- Quando eu disse "o qu", estava
falando sobre o que voc ia me perguntar.
        -- Eu no ia lhe perguntar "o qu" - Horace
respondeu, e Halt olhou para ele desconfiado.
      Ocorreu a ele que Horace talvez estivesse querendo
lhe pregar uma tremenda pea, que estivesse rindo dele
internamente. Halt poderia lhe dizer que essa atitude no
seria muito boa para sua carreira. Arqueiros no eram
pessoas que gostavam de ser motivo de risos. Ele analisou
o rosto franco do garoto e os olhos azuis inocentes e
chegou  concluso que sua desconfiana no tinha razo
de ser.
        -- Ento o qu, se  que posso usar essa palavra
mais uma vez, voc queria me perguntar?
       -- Eu esqueci -- Horace falou depois de respirar
fundo e hesitar. -- Do que a gente estava falando?
      -- Esquea -- Halt murmurou e cutucou Abelaid,
fazendo-o andar mais depressa por alguns metros para
ficar  frente do companheiro.
      Zangado, continuou a resmungar em voz baixa, e
Horace conseguiu ouvir algumas frases, incluindo
"aprendizes tolos que no conseguem lembrar o que estavam dizendo
de uma hora para outra". Depois disso, concluiu que Halt
no estava nada satisfeito com a conversa confusa que
tinham acabado de ter. Ele franziu a testa novamente,
tentando se lembrar do momento em que tinha estado
prestes a fazer a pergunta. Sentiu que, de certa forma, Halt
merecia saber do que se tratava; o que  estranho, j que o
arqueiro sempre suspirava e revirava os olhos quando
ouvia uma pergunta.
      "s vezes, o arqueiro  um companheiro confuso", Horace
pensou. E, como acontecia tantas vezes, no momento em
que parou de tentar lembrar o fato que tinha suscitado a
pergunta, ela voltou  sua mente.
     Desta vez, antes que se esquecesse dela ou se
distrasse, ele a deixou escapar.
        -- Existem muitas passagens? -- perguntou a
Halt. O arqueiro se virou na sela e olhou para trs.
        -- O qu? -- ele perguntou.
     Sabiamente, Horace resolveu ignorar o fato de que
estavam se dirigindo para um territrio perigoso com essa
palavra. Ele fez um gesto na direo das montanhas,
franzindo a testa ao olhar para elas.
      --        Pelas montanhas. Existem muitas passagens
para a Escandinvia pelas montanhas?
     Halt verificou o passo de Abelard por um instante,
deixando que o baio os alcanasse, e ento retomou seu
ritmo.
       -- Trs ou quatro -- ele informou.
       -- Mas ento os escandinavos no as vigiam? --
Horace quis saber. Parecia lgico que eles o fizessem.
       -- Claro que sim -- Halt respondeu. -- As
montanhas formam a principal linha de defesa deles.
       -- Ento como voc planeja passar por elas?
     O arqueiro hesitou. Aquela era uma pergunta que
estava perturbando seus pensamentos desde que tinham
tomado a estrada que saa do Chateau Montsombre. Se
estivesse sozinho, no teria dificuldades em passar por elas
sem ser visto. Com Horace em sua companhia montado
num cavalo de batalha grande e irrequieto, a tarefa poderia
ser mais difcil. Ele tinha algumas idias, mas ainda no
havia se decidido por nenhuma delas.
        -- Vou pensar em alguma coisa -- ele afirmou
para ganhar tempo. Com sensatez e certo de que Halt iria
mesmo encontrar uma soluo, Horace concordou. No
mundo dele, era isso o que os arqueiros faziam melhor, e a
melhor coisa que um aprendiz de guerreiro podia fazer era
deixar que o arqueiro continuasse a pensar, enquanto ele
cuidava de derrotar qualquer um que precisasse ser
vencido ao longo do caminho. Satisfeito com o que a vida
tinha lhe reservado, ele se ajeitou na sela.
     Halt tambm se sentiu livre da dvida incmoda.
Agora sabia qual era a pergunta que tinha desaparecido
dos lbios de Horace sem ser feita.
     Mas ento a dvida voltou, duas vezes mais forte.
Talvez essa tivesse sido outra pergunta, e a original ainda
no tinha sido feita. Ele no aguentava no saber.
        -- Era isso o que voc ia perguntar?
      Um pouco surpreso Horace olhou para ele.
       -- O q...? - ele comeou e ento substituiu a frase
por um comentrio mais adequado. -- Quer dizer, o que
voc disse?
       -- A pergunta sobre as passagens -- Halt ergueu
os ombros constrangido. -- Era isso o que ia me
perguntar antes? - ele perguntou no tom de quem sabia a
resposta, mas apenas queria ter certeza.
      -- Acho que sim -- Horace respondeu em dvida.
-- No tenho mais certeza... Voc me deixou um pouco
confuso -- ele concluiu sem convico.
     E, desta vez, quando Halt continuou a cavalgar,
Horace teve a certeza de ouvir muitas palavras que
simplesmente no valiam a pena repetir.
       Erak Starfollower, capito de navio e um dos principais
jarls de guerra dos escandinavos, atravessou a residncia de teto
baixo e paredes revestidas de madeira at a Grande Manso. A
expresso em seu rosto era sombria. Ele tinha muito a fazer,
agora que a temporada de pirataria da primavera estava se
aproximando. Seu navio precisava de reparos e novos
equipamentos. Acima de tudo, precisava dos pequenos ajustes
que somente alguns dias no mar poderiam proporcionar.
        Contudo, a convocao de Ragnak atrapalhou seus
planos. Principalmente porque a convocao tinha vindo por
meio de Borsa, o hilfmann, ou administrador do oberjarl. Se
Borsa estava envolvido, certamente Ragnak tinha alguma
pequena tarefa para Erak realizar. "Ou talvez no to pequena
assim", o capito pensou aborrecido.
        O caf da manh j tinha terminado fazia muito tempo,
de modo que havia apenas uns poucos criados limpando a
manso quando ele chegou. No fundo do aposento, numa mesa
rstica de pinho ao lado da grande cadeira de Ragnak -- uma
cadeira imensa de pinho que servia de trono para o governante
escandinavo --, este e Borsa estavam sentados com as cabeas
inclinadas sobre uma pilha de rolos de pergaminho, Erak
reconheceu os rolos. Eram as declaraes de impostos das
diversas cidades e condados em toda a Escandinvia. Ragnak
estava obcecado por elas. Na opinio de Borsa, a vida dele era
totalmente dominada por elas. Ele respirava, dormia e sonhava
com as declaraes de impostos, e infeliz o jarl de uma cidade
que tentasse engan-lo ou reivindicar qualquer deduo que no
passasse pelo exame minucioso de Borsa.
     Erak somou dois mais dois e suspirou baixinho. A
concluso mais provvel a que a convocao e a pilha de
impostos o fizeram chegar era que ele estava para ser
mandado para outra misso de cobrana.
     Cobrar impostos no era algo de que Erak gostasse.
Ele era um saqueador e um lobo do mar, um pirata e um
lutador. Como tal, estava mais inclinado a ficar do lado
dos sonegadores de impostos do que do oberjarl e seu
hilfmann avarento. Infelizmente, nas ocasies em que
Erak tinha sido enviado para cobrar impostos atrasados ou
no pagos, ele tinha obtido xito demais para seu prprio
bem. Agora, sempre que havia a menor dvida sobre a
quantia de impostos devida por uma vila ou condado,
Borsa automaticamente pensava nele como a soluo para
o problema.
     Para piorar as coisas, a atitude e a abordagem de
Erak em relao ao servio s o tornavam mais desejvel
aos olhos de Borsa e Ragnak. Entediado com o trabalho e
considerando-o constrangedor e humilhante, ele procurava
realiz-lo o mais rpido possvel. No eram para ele as
tortuosas discusses e clculos sobre quantias devidas
depois de todas as dedues terem sido aprovadas e
acordadas. Erak optava por um caminho mais direto que
consistia em pegar a pessoa investigada, apertar a acha
debaixo de seu queixo e ameaar machuc-la se todos os
impostos, cada um deles, no fossem pagos
imediatamente.
      A reputao de Erak como lutador era bem
conhecida em toda a Escandinvia. Infelizmente, nunca
lhe pediram para cumprir as ameaas. Os teimosos que
visitava invariavelmente entregavam sem discutir ou
hesitar o valor devido e, muitas vezes, uma quantia extra
que nunca tinha sido cobrada.
      Os dois homens sentados  mesa olharam para ele
quando andou entre os bancos at o fim do aposento. A
Grande Manso servia para mais de um objetivo. Era ali
que Ragnak e seus seguidores mais prximos faziam as
refeies. Era tambm o local de todos os banquetes e
reunies oficiais do simples calendrio social da
Escandinvia. E o pequeno anexo aberto onde Ragnak e
Borsa analisavam as declaraes de impostos naquele
momento tambm era o escritrio do oberjarl.
      No era exatamente reservado, visto que qualquer
membro do conselho interior ou exterior de jarls tinha
acesso  manso a qualquer hora do dia. Por outro lado,
Ragnak no era do tipo que precisava de privacidade. Ele
governava abertamente e fazia todas as suas declaraes
polticas para o mundo todo.
       -- Ah, Erak, voc est aqui -- Borsa comentou e
Erak pensou, no pela primeira vez, que o hilfmann
tinha o hbito de fazer afirmaes absolutamente bvias.
       -- Quem  desta vez? -- ele perguntou num tom
resignado.
       Ele sabia que no havia sentido em tentar
encontrar um meio de fugir  misso, portanto decidiu
ficar calado e fazer o que era preciso. Com sorte, seria
uma das pequenas cidades da costa e ele tambm teria a
oportunidade de fazer a tripulao trabalhar no barco ao
mesmo tempo.
       -- Ostkrag -- o oberjarl contou, e as esperanas
de Erak de salvar algo de til desse trabalho caram por
terra.
       Ostkrag ficava bem no interior, a leste. Era um
povoado pequeno no lado oposto de uma cadeia de
montanhas que formava o terreno irregular da
Escandinvia e ao qual se podia chegar apenas
atravessando as montanhas ou uma das vrias passagens
tortuosas que abriam caminho entre elas.
       Na melhor das hipteses, isso representava uma
jornada desconfortvel de ida e volta num pnei, um
meio de transporte que Erak detestava. Ao pensar na
cadeia de montanhas que ficava atrs de Hallasholm,
lembrou brevemente dos dois escravos araluenses que
tinha ajudado a fugir alguns meses antes. Ele se
perguntou o que teria acontecido com eles, se tinham
chegado  pequena cabana de caa no alto das
montanhas e se tinham sobrevivido aos ltimos meses
de inverno. De repente, percebeu que Borsa e Ragnak
estavam esperando sua reao.
       -- Ostkrag? -- ele repetiu.
Ragnak assentiu com impacincia.
       -- Eles esto devendo o pagamento trimestral.
Quero que voc v e d um jeito neles -- o oberjarl
disse.
     Erak notou que Ragnak mal conseguia ocultar a
expresso avarenta que tomava conta de seus olhos
sempre que falava sobre impostos e pagamentos. Erak no
conseguiu evitar soltar um suspiro exasperado.
     -- Eles no podem estar atrasados mais que uma
semana -- ele contemporizou, mas Ragnak no era do
tipo que se convencia e balanou a cabea com violncia.
     -- Dez dias! -- ele disparou. -- E no  a primeira
vez! Eu j avisei eles antes, no  verdade, Borsa? -- ele
perguntou virando-se para o hilfmann, que concordou.
     -- O jarl de Ostkrag  Sten Hammerhand -- Borsa
contou, como se essa explicao fosse suficiente.
      Erak olhou de modo inexpressivo para ele.
     -- Ele  um homem difcil -- ele continuou com
sarcasmo. -- Os pagamentos j ficaram colados em seus
dedos antes e, mesmo quando paga tudo, ele sempre nos
faz esperar muito tempo alm do prazo. Chegou a hora de
ensinarmos uma lio a ele.
      Erak sorriu com alguma ironia para o pequeno e
franzino hilfmann. "Borsa pode ser uma figura muito
ameaadora", ele pensou, "quando tem outra pessoa disponvel
para cumprir suas ameaas."
      -- Voc quer dizer que chegou  hora de eu lhe
ensinar uma lio, certo? -- ele sugeriu, mas Borsa no
percebeu o sarcasmo em sua voz.
      -- Exatamente! -- ele replicou com alguma
satisfao. Ragnak, contudo, foi um pouco mais
incisivo.
      -- Afinal,  meu dinheiro, Erak -- ele afirmou de
um jeito quase petulante.
      Erak encarou-o com firmeza. Pela primeira vez,
percebeu que Ragnak estava ficando velho. Os cabelos,
antes de um ruivo vivo, estavam sem brilho e grisalhos.
Aquilo foi uma surpresa para Erak. Ele certamente no
sentia que estava envelhecendo, embora Ragnak no fosse
muito mais velho do que ele e, agora que tinha tomado
conscincia do fato, percebeu outras mudanas no
oberjarl. Os cabelos estavam embranquecendo, a papada
estava maior e a cintura mais grossa. Ele se perguntou se
tambm estava mudando, mas afastou o pensamento. No
tinha notado mudanas drsticas no prprio rosto e ele o
examinava todas as manhs em seu espelho polido de
metal. Concluiu que deviam ser as presses de ser o
oberjarl.
       -- Foi um inverno muito rigoroso -- Erak
comeou. -- Talvez as passagens ainda estejam
bloqueadas. Houve muita neve no final da estao.
     Ele foi at o grande mapa da Escandinvia
pendurado na parede atrs da mesa de Ragnak, encontrou
Ostkrag e, com o dedo indicador, mostrou o caminho at
a passagem mais prxima.
       -- A passagem da Serpente -- ele disse quase para
si mesmo. --  possvel que toda essa neve tardia e o
degelo repentino tenham provocado deslizamentos ali. --
Erak se virou para Ragnak e Borsa, indicando a posio
no mapa para eles. -- Talvez os mensageiros ainda no
tenham conseguido passar -- ele sugeriu.
     Ragnak negou com um gesto de cabea e Erak, de
novo, sentiu a irritao, o aborrecimento irracional que
parecia tomar conta dele sempre que sua vontade era
contrariada ou seu julgamento questionado.
       --  culpa de Sten, tenho certeza -- ele disse
teimoso. -- Se fosse outra pessoa, eu poderia concordar
com voc, Erak.
     Erak concordou, apesar de saber muito bem que
aquilo era mentira. Ragnak raramente concordava com
algum quando se tratava de mudar de opinio.
       -- V at l e pegue o dinheiro. Se ele discutir,
prenda ele e traga de volta. Ou melhor, prenda, mesmo se
ele no discutir. Leve 20 homens com voc. Quero que
ele veja uma verdadeira demonstrao de fora. Estou
cansado de ser tratado como um tolo por esses jarls sem
importncia.
     Erak olhou para cima surpreso. Prender um jarl em
seu territrio no era algo sem importncia, especialmente
por uma ofensa to insignificante como o atraso do
pagamento de impostos. Entre os escandinavos, a
sonegao de impostos era considerada quase obrigatria.
Era um tipo de esporte. Se voc fosse pego, pagava e o
assunto terminava a. Erak no se lembrava de ningum
ser submetido  vergonha de ser preso por causa disso. Os
escandinavos eram um povo de esprito livre,
independente e tinham orgulho disso. E os seguidores de
um jarl consideravam a lealdade ao superior imediato mais
importante do que a fidelidade  Residncia Central, que
Ragnak dominava.
        -- Isso pode no ser muito sensato -- ele disse
calmamente, Ragnak o encarou e procurou o olhar do
capito por cima dos papis espalhados na mesa  sua
frente.
        -- Eu decido o que  sensato -- ele disparou. --
Eu sou o oberjarl, no voc.
      As palavras foram ofensivas. Erak era um jarl de
posio elevada e, segundo um velho costume h muito
estabelecido, ele tinha o direito de apresentar sua opinio,
mesmo que fosse contrria  do lder. Ele reprimiu a
resposta zangada que lhe saltou aos lbios. No havia
motivo para provocar Ragnak, ainda mais quando estava
de mau humor.
        -- Sei que voc  o oberjarl, Ragnak -- ele
respondeu com calma. -- Mas Sten  jarl por
merecimento e pode ter uma razo perfeitamente vlida
para ter atrasado o pagamento. Prender ele nessas
circunstncias seria uma provocao desnecessria.
        -- Estou lhe dizendo que ele no vai ter o que voc
chama de "razo vlida", droga! -- os olhos de Ragnak se
estreitaram e seu rosto ficou tomado pela raiva. -- Ele 
um ladro com quem no se pode contar e deve ser usado
como exemplo para os outros!
        -- Ragnak... -- Erak comeou tentando ponderar
mais uma vez. Desta vez, foi Borsa quem interrompeu.
        -- Jarl Erak, voc recebeu as instrues! Agora
cumpra as suas ordens! -- ele gritou, e Erak se virou
zangado e o fitou.
        -- Sigo as ordens do oberjarl, hilfmann. No as
suas.
      Borsa percebeu seu erro. Ele recuou alguns passos,
certificando-se que a mesa enorme estivesse entre os dois.
Ele desviou o olhar e um silncio pesado se instalou entre
eles. Finalmente, Ragnak pareceu se dar conta de que era
preciso recuar, mas apenas um pouco.
        -- Olhe Erak, apenas v e consiga aqueles
impostos de Sten -- ele disse num tom irritado. -- E, se
ele estiver retendo o dinheiro de propsito, traga ele para
c para ser julgado. Certo?
        -- E se ele tiver um motivo vlido? -- Erak
insistiu.
       -- Se ele tiver um motivo vlido, o deixe em paz --
o oberjarl concordou cedendo. -- Assim est bom para
voc?
       --Nessas condies, est tudo bem -- ele
concordou.
       -- Ah,  mesmo? -- Ragnak, que nunca sabia
quando abandonar um assunto retrucou com ironia. --
Bem, isso  bom para voc, jarl Erak. Agora, que tal ir
andando antes que chegue o vero?
      Erak assentiu rgido e se virou. Ele encontrara a sada
que tinha procurado. Em sua opinio, o fato de Ragnak
ser uma pessoa insuportvel era motivo mais do que
vlido para no pagar os impostos no prazo. E, pensando
bem, ele talvez tivesse que encontrar outra forma de dizer
isso quando voltasse sem ter prendido Sten.
     Will   acordou com um sobressalto. Ele estava
sentado ao sol na beira da varanda e percebeu que tinha
cochilado. Desanimado, pensou em quanto tempo ele
passava dormindo naqueles dias. Evanlyn disse que era de
se esperar, pois ele estava recuperando as foras. Ele
imaginou que ela tinha razo.
     Tambm era preciso levar em considerao que no
havia muita coisa para fazer na cabana onde eles passavam
o tempo desde que tinham fugido da fortaleza
escandinava. Ele tirou a mesa e lavou a loua do caf da
manh, fez as camas e arrumou as poucas peas de
mobilirio na cabana. Isso no levou mais que meia hora,
ento ele escovou o pnei na cobertura atrs da pequena
cabana at o plo brilhar. O animal olhou para ele e depois
para si mesmo com uma leve surpresa. Ele deve ter
pensado que nunca algum tinha passado tanto tempo
cuidando de sua aparncia no passado.
     Depois disso, Will vagueou sem rumo em volta da
cabana e da pequena clareira, inspecionando os pontos em
que a grama marrom e mida estava comeando a
aparecer pela cobertura de neve. Ele pensou em armar
mais algumas armadilhas, mas descartou a idia. Sentindo-
se entediado e intil, sentou-se na varanda para esperar a
volta de Evanlyn. Em algum momento, ele deve ter
cochilado afetado pelo calor do sol.
      O calor j tinha desaparecido h muito. O sol tinha
atravessado toda a clareira e agora os pinheiros lanavam
longas sombras sobre a cabana. Will imaginou que devia
ser o meio da tarde.
      Uma ruga de preocupao apareceu em sua testa.
Evanlyn tinha sado bem antes do meio-dia para verificar
as armadilhas. Mesmo considerando que tinham instalado
a linha de armadilhas ainda mais longe da cabana, ela tinha
tido tempo de chegar at l, verificar tudo e voltar. Ela
devia estar fora h pelo menos trs horas -- talvez mais.
      A menos que ela j tivesse voltado e, ao v-lo dormir,
tivesse decidido no acord-lo. Ele se levantou, fazendo as
juntas rgidas protestarem, e procurou dentro da cabana.
No havia sinal de sua volta. A sacola de caa e o grosso
casaco de l no estavam l. Will franziu ainda mais a testa
e comeou a andar na pequena clareira, perguntando-se o
que deveria fazer. Ele desejou saber h quanto tempo
exatamente ela tinha sado e, em silncio, censurou-se por
ter adormecido. Sentiu uma vaga inquietao na boca do
estmago ao se perguntar o que poderia ter acontecido
com a companheira. Ele reviu as possibilidades.
      Ela poderia ter se perdido e est andando entre os
grossos pinheiros cobertos de neve, tentando encontrar o
caminho de volta para a cabana. Era possvel, mas
improvvel. Ele tinha deixado marcas discretas nas trilhas
que levavam s armadilhas, e Evanlyn sabia onde procur-
las.
      Talvez ela estivesse ferida. Ela podia ter cado ou
torcido o tornozelo. Os caminhos eram acidentados e
ngremes em alguns lugares e essa era uma possibilidade
verdadeira. Ela podia estar deitada naquele momento,
ferida e incapaz de andar, estendida na neve, vendo a tarde
se transformar em noite.
      A terceira possibilidade era que ela tinha encontrado
algum. E era provvel que a pessoa com que tivesse se
deparado naquela montanha fosse um inimigo. Talvez ela
tivesse sido recapturada pelos escandinavos. O corao
dele acelerou por um momento quando pensou nessa
possibilidade. Ele sabia que eles mostrariam pouca
compaixo por uma escrava fugitiva. E, embora Erak
tivesse ajudado os dois antes, no era provvel que o
fizesse de novo. Mesmo que tivesse oportunidade.
Enquanto pensava nessas possibilidades, ele tinha
comeado a se movimentar em volta da cabana, reunindo
suas coisas e se preparando para procurar  amiga. Ele
tinha enchido um dos cantis no balde com gua do riacho
que levava todos os dias para a cabana e enfiou alguns
pedaos de carne fria numa sacola. Amarrou as grossas
botas para caminhar, envolvendo as pernas com os
cordes rapidamente at quase o joelho, e tirou o colete
de pele de carneiro do gancho atrs da porta.
      Considerando todas as possibilidades, a segunda era a
mais provvel. As chances eram de que Evanlyn estivesse
ferida em algum lugar sem poder andar. A possibilidade de
ela ter sido recapturada pelos escandinavos era muito
pequena. Ainda era muito cedo para que as pessoas
andassem pelas montanhas. A nica razo para isso seria a
caa. E, mesmo assim, ainda havia poucos animais para
que valesse a pena atravessar a neve pesada que bloqueava
o caminho em muitas partes da montanha. No,
considerando tudo, era mais provvel que Evanlyn
estivesse a salvo, mas incapacitada.
      Isso significava que seria lgico pr a sela e os arreios
no pnei e lev-lo enquanto procurava pistas da amiga,
para que ela pudesse voltar para a cabana montada quando
a encontrasse. Will no tinha dvida que iria encontr-la.
Ele j era timo em seguir pistas, embora ainda estivesse
longe de Halt ou Gilan, e seguir uma garota num territrio
coberto de neve seria uma tarefa relativamente simples.
      Mas, mesmo assim... Relutou em levar o pnei com
ele. O pequeno cavalo faria barulhos desnecessrios e uma
dvida incmoda disse a Will que deveria ser cuidadoso.
Era improvvel que Evanlyn tivesse encontrado estranhos,
mas no impossvel.
      Talvez fosse mais sensato viajar sozinho at
descobrir o que realmente estava acontecendo. Quanto
tomou essa deciso, tirou as cobertas das camas e com elas
formou uma trouxa que pendurou no ombro. Talvez fosse
preciso passar a noite ao ar livre e seria melhor estar
preparado. Ele apanhou uma pedra de fogo de junto do
fogareiro e a deixou cair num dos bolsos.
      Finalmente, estava pronto para sair. Parou na porta e
deu uma ltima olhada para ver se havia mais alguma
coisa de que pudesse precisar. O pequeno arco e a aljava
com flechas estavam recostados no batente da porta.
Seguindo um impulso, pegou os objetos e pendurou a
aljava no ombro junto com a trouxa de cobertores. Ento
ele teve outra ideia e foi at a lareira, onde apanhou uma
vareta meio queimada do meio das cinzas.
      Do lado de fora da porta, ele escreveu com letras
malfeitas: "Procurando voc. Espere aqui."
      Afinal de contas, era possvel que Evanlyn aparecesse
depois que ele sasse, e Will queria ter certeza de que ela
no iria sair s cegas para procur-lo enquanto ele estivesse
tentando ach-la tambm. Se ela voltasse, suas pegadas
acabariam trazendo-o de volta  cabana.
      Ele levou alguns segundos para colocar a corda no
arco. A voz de Halt ecoou em seus ouvidos: "Um arco
sem corda  s um peso extra para carregar. Um arco com
corda  uma arma. Will observou o objeto com desdm.
Aquilo no se parecia com uma arma, mas ele e a pequena
faca na cintura eram tudo o que tinha. Will foi at a beira
da clareira e procurou as pegadas de Evanlyn na neve. Elas
estavam pouco ntidas depois de uma manh de sol de
primavera, mas ainda eram visveis. Com passadas firmes,
saiu para a floresta.
      Will seguiu facilmente a trilha que subia tortuosa
para o alto da montanha. No demorou muito para que
seu ritmo passasse de uma corrida regular para uma
caminhada mais lenta. Ele respirava com dificuldade e
percebeu que estava em pssima forma fsica. Houve um
tempo em que podia correr durante horas. Agora, depois
de quase vinte minutos, estava ofegante e exausto. Will
balanou a cabea desanimado e continuou a seguir as
pegadas.
      Naturalmente, seguir a pista ficava mais fcil porque
ele j sabia a direo que Evanlyn tinha tomado. Ele a
tinha ajudado a recolocar as armadilhas alguns dias antes.
Will se lembrou de que naquele dia tinham andado mais
devagar, parando com frequncia para ele no se
cansar demais. Evanlyn tinha relutado em deixar que ele
fosse to longe, mas tinha cedido diante do inevitvel. Ela
no sabia bem como montar as armadilhas onde eles
teriam a melhor chance de pegar pequenos animais. Essa
era uma rea em que Will tinha experincia. Ele sabia
como procurar e reconhecer os pequenos sinais que
mostravam onde coelhos e pssaros se movimentavam,
onde era mais provvel que apontassem as cabeas
confiantes para fora e as colocassem nos laos.
     Evanlyn tinha levado quarenta minutos para chegar
ao local naquela manh. Will cobriu a distncia em uma
hora e quinze minutos, parando mais frequentemente para
descansar e recuperar o flego. Ele sentia parar tanto, pois
sabia que perdia a luz do dia. Mas no havia alternativa.
De nada adiantaria se esforar at ficar extremamente
exausto. Ele tinha que ficar em condies de dar a
Evanlyn qualquer ajuda de que ela precisasse quando a
encontrasse.
     O sol tinha se posto atrs do pico da montanha
quando chegou  rvore queimada que marcava o incio da
linha das armadilhas. Ele tocou o tronco com uma das
mos e se virou para seguir a trilha entre as rvores
quando viu algo com o canto do olho. Algo que fez seu
corao parar de bater por um segundo.
     Havia marcas ntidas de cascos de cavalo na neve. E
elas cobriam as pegadas de Evanlyn. Algum a tinha
seguido.
      Esquecendo o cansao, Will correu meio agachado
entre os grossos pinheiros at o ponto em que a primeira
armadilha tinha sido colocada. A neve ali estava remexida
e escavada. Ele ficou de joelhos, tentando interpretar a
histria que estava escrita ali.
     Em primeiro lugar, a armadilha: ele viu onde Evanlyn
tinha tornado a armar o lao, alisando a neve em volta e
espalhando algumas sementes. Isso significava que havia
um animal na armadilha quando ela tinha chegado.
     Depois, uma olhada mais ampla o deixou ver outras
pegadas se movendo por trs dela enquanto estava
ajoelhada, concentrada na tarefa de armar o lao e
provavelmente feliz pelo fato de ter pego alguma coisa.
Will percebeu que as pegadas do cavalo tinham parado a
uns 20 metros de distncia. Obviamente, o cavalo tinha
sido treinado para se mover em silncio: do mesmo jeito
que os cavalos dos arqueiros. Will foi dominado por uma
sensao inquietante de receio. Ele no gostou da idia de
um inimigo que tinha esse tipo de habilidade, agora j
sabia que estava lidando com algum tipo de inimigo. Os
sinais de luta entre Evanlyn e quem quer que fosse
estavam muito claros para seus olhos treinados. Ele quase
podia ver o homem, pois imaginava ser um homem,
movendo-se em silncio atrs dela, agarrando-a e
arrastando-a pela neve.
      O cho remexido com violncia mostrava que
Evanlyn tinha chutado e lutado. Ento, de repente, a luta
tinha parado e dois pequenos sulcos na neve o levaram at
onde o cavalo tinha esperado. Ele percebeu que eram as
marcas dos calcanhares quando o corpo imvel foi
arrastado.
      Inconsciente? Ou morta? E uma sensao de frio
tocou seu corao ao pensar nisso. Mas ele afastou o
pensamento com determinao.
      -- No teria sentido levar ela embora se estivesse morta
-- ele disse para si mesmo.

    E ele quase acreditou nisso. Mas uma incerteza
incmoda ainda lhe apertava a boca do estmago quando
seguiu as pegadas do cavalo at a trilha principal e depois
na direo oposta da que levava de volta  cabana.
      Ficou satisfeito por ter trazido os cobertores. Ia ser
uma noite fria. Will tambm ficou contente por ter se
lembrado de trazer o arco, embora desejasse estar com o
poderoso arco recurvo que tinha perdido na ponte em
Cltica. Era uma arma muito superior ao fraco arco de
caa escandinavo. E ele teve a desagradvel certeza de que
iria precisar de uma arma muito em breve.
     O      mundo estava de cabea para baixo e
balanando. Gradualmente,  medida que os olhos de
Evanlyn entravam em foco, ela percebia que estava
pendurada de cabea para baixo, e seu rosto a centmetros
do ombro esquerdo de um cavalo. A posio invertida fez
o sangue martelar dolorosamente em sua cabea, um
martelamento que era acentuado pelo trote firme e
vigoroso que o cavalo mantinha. Ele era castanho, ela
notou, e seu plo era longo e desgrenhado. A pequena
rea que ela podia ver era emaranhada com suor e lama
seca. Alguma coisa dura batia na carne macia de sua
barriga a cada passo balanante que o cavalo dava. Tentou
se contorcer para aliviar a presso e seus esforos foram
recompensados com um forte golpe na parte detrs de sua
cabea. Ela pegou o aviso e parou de se contorcer.
Virando sua cabea para trs, ela podia ver a perna
esquerda do seu seqestrador. Abaixo dela a neve
remexida da trilha passava rapidamente. Ela percebeu que
seu corpo inconsciente tinha sido jogado sem a menor
cerimnia na frente de uma sela.
      Lembrou-se agora: o ligeiro rudo atrs dela, o
borro de movimento quando ela comeou a girar. Uma
mo, cheirando a suor, fumo e plos, tapando sua boca
para impedi-la de gritar. No que houvesse qualquer pessoa ao
alcance de sua voz para poder ouvir, ela pensou com pesar.
      A luta tinha sido breve, com o seu agressor
arrastando-a para trs para tirar-lhe o equilbrio. Ela
tentou se livrar chutando e mordendo. Mas a luva grossa
do homem fez suas tentativas de morder intil, e seus
chutes foram ineficazes j que ela foi arrastada para trs.
Finalmente, houve um instante de uma dor cegante atrs
de sua orelha esquerda, e depois a escurido.
      Enquanto ela pensava no golpe, tornou-se ciente de
que a rea atrs de sua orelha esquerda era outra fonte de
dor. O desconforto de ser carregada sem fazer nada j era
ruim o suficiente. Mas a incapacidade de ver qualquer
coisa, para ver o homem que a fez prisioneira era pior. Na
posio de bruos em que estava no se podia ver todas as
caractersticas da terra em que estavam de passando.
Ento, se ela fugisse, no teria a menor de idia de
qualquer ponto de referncia que pudesse ajud-la a
refazer seus passos.
      Discretamente, ela tentou torcer a cabea para o
lado, para obter um olhar do cavaleiro montado atrs dela.
Mas ele obviamente sentiu o movimento e ela sentiu um
golpe na parte de trs da cabea. Apenas o que ela
precisava, pensou tristemente. Percebendo que no havia
futuro em contrariar seu captor, Evanlyn caiu para baixo,
tentando relaxar os msculos e montar o mais
confortavelmente       possvel.   Era    uma     tentativa
razoavelmente ruim. Mas pelo menos quando ela deixou
cair  cabea para baixo, o pescoo e msculos do ombro
sentiram algum alvio.
      O solo passou por baixo dela: a neve remexida pela
frente cascos do cavalo, mostrando a grama encharcada
marrom que estava por baixo. Eles estavam fazendo o seu
caminho em declive, ela percebeu como o cavaleiro
conseguiu controlar o cavalo para transformar a parte
mais ngreme do que o normal da trilha em um passeio.
Ela sentiu o cavaleiro se inclinar para trs longe dela,
como ela deslizou para frente, viu seus ps avanando
contra os estribos e como ele se inclinou para trs para
compensar e ajudar no equilbrio do cavalo.
      Apenas  frente deles, visvel de sua posio de
bruos, tinha uma mancha de neve que havia derretido e
novamente congelado. Era liso e gelado e os cascos do
cavalo foram at l antes que ela pudesse emitir qualquer
som de aviso. O cavalo escorregou para baixo, no foi
possvel verificar o seu progresso. Ela ouviu um grunhido
assustado do cavaleiro e ele se inclinou mais para trs,
mantendo as rdeas tensas ainda para pnico do cavalo.
Eles deslizaram. Em seguida, continuaram andando pela
mancha de gelo e o cavaleiro fez com que o cavalo
voltasse ao trote firme, mais uma vez.
      Evanlyn registrou o momento. Se isso acontecesse
novamente, poderia dar a ela uma chance de escapar.
      Afinal, ela no estava amarrada no cavalo, percebeu.
Ela estava apenas pendurada como uma trouxa de roupas
velhas. Se o cavalo casse, ela poderia estar fora e longe
antes que o cavaleiro se recuperasse. Ou assim pensava
ela.
      Talvez felizmente para ela, pois no podia ver o arco
pendurado nas costas do piloto, nem a aljava cheia de
flechas que pendia do seu lado direito, o cavalo no caiu.
Houve mais algumas sees ngremes, e um par de outras
ocasies quando escorregou. Mas em nenhuma dessas
ocasies, fez o cavaleiro perder o controle ou o cavalo
fazer mais do que relincho de alarme e de concentrao.
      Finalmente, eles chegaram ao seu destino. Ela sabia
que tinham chegado quando o cavalo escorregou at parar
e ela sentiu uma mo em seu colarinho, levantando-a
acima e mais, para mand-la direto na neve mida que
cobria o cho. Ela caiu desajeitadamente, enrolando-se no
processo, e aconteceu durante vrios segundos antes que
ela pudesse recuperar a sua presena de esprito e ter
tempo para olhar ao seu redor.
      Eles estavam em uma clareira onde um pequeno
acampamento tinha sido criado. Agora ela podia ver seu
seqestrador quando ele desmontou da sela. Ele era um
homem baixo e corpulento, vestido de peles, um casaco
de peles, na cabea um estranho chapu cnico de peles.
      Debaixo do casaco usava calas disformes feita de
um tipo fino de feltro, com botas macias at o joelho.
      Ele caminhou em direo a ela agora. Suas feies
eram afiadas olhos amendoados que demonstrava que
tinha anos de procura por longas distncias na direo do
vento e o brilho de uma terra dura. Sua pele era escura,
quase marrom por causa da exposio ao sol, e as mas
do rosto eram altas. O nariz era curto e largo, e os lbios
eram finos. Sua primeira impresso foi que era um cara
cruel. Ento, ela alterou o pensamento. Foi simplesmente
um cara insensvel. Os olhos no mostravam nenhum
sinal de compaixo ou mesmo interesse por ela, o
cavaleiro estendeu a mo e agarrou a coleira, obrigando-a
a ficar de p.
      -- Levanta -- ele disse.
      A voz era grossa e gutural de sotaque, mas ela
reconheceu a nica palavra na lngua Skandian. Foi
basicamente semelhante  linguagem Araluen e ela passou
meses com o Skandians em qualquer caso. Ela permitiu-se
ser levantada. Ela era quase to alta quanto o homem,
notou, com uma ligeira sensao de surpresa. Mas, como
ele era pequeno, a fora no brao que a arrastou de p era
demasiado bvia.
      Agora, ela notou o arco a aljava, e foi instintivamente
que no tinha surgido nenhuma chance para que ela
tentasse fugir. Ela no tinha dvida de que o homem era
perito em arco e flecha. Havia algo totalmente capaz sobre
ele, ela percebeu. Ele parecia to confiante, to no
controle. O arco pode simplesmente ter marcado ele
como um caador. A espada longa e curvada montada em
seu quadril esquerdo, disse que ele era um guerreiro.
      Seu estudo sobre o homem foi interrompido por um
coro de vozes do campo. Agora que ela teve tempo para
olhar, viu outros cinco guerreiros, similarmente vestidos e
armados.
      Seus cavalos, pequenos e peludos, foram amarrados
a uma corda pendurada entre duas rvores, e havia trs
pequenas tendas colocadas ao redor da clareira, feito de
um material que parecia ser feltro. Um fogo crepitava em
um pequeno crculo de pedras fixado no centro da clareira
e os outros homens foram agrupando em torno dela.
      Eles se levantaram em surpresa quando ela foi
empurrada na direo a eles.
      Um deles adiantou-se, um pouco  parte das outras
pessoas. Esse fato, e o tom de comando na sua voz,
marcaram-no como o lder do pequeno grupo. Ele falou
rapidamente com o homem que tinha capturado ela. Ela
no conseguia entender as palavras, mas o tom era
inconfundvel. Ele estava irritado.
      Enquanto ele era, obviamente, o lder do partido
pequeno, era igualmente bvio que o homem que a trouxe
aqui era tambm relativamente alto. Ele se recusou a ser
intimidados por palavras com raiva do outro homem,
respondendo em tom igualmente estridente e gesticulando
em direo a ela. Os dois em p, nariz com nariz,
tornando-se cada vez mais alto na sua discordncia.
      Ela roubou um rpido olhar sobre os outros quatro
homens. Eles haviam retomado os seus lugares ao redor
do fogo agora, seu interesse inicial no cativeiro terem
abrandado.
      Eles assistiram a discusso com interesse, mas sem
nenhuma preocupao aparente. Um deles voltou a virar
alguns galhos verdes com carne fresca. A gordura e os
sucos caiam da carne em direo as brasas, enviando
assim uma nuvem de fumaa perfumada.
      O estmago de Evanlyn roncou baixinho. Ela no
tinha comido nada desde o caf da manh magro que
tinha compartilhado com Will. A partir da posio do sol,
 tarde deve ter atrasado at agora. Ela calculou que
tinham viajado cerca de trs horas pelo menos.
      Finalmente, a discusso parecia estar resolvida e em
favor de seu captor. O lder jogou suas mos no ar
zangado e se virou, caminhando de volta ao seu lugar pelo
fogo e caindo numa posio de pernas cruzadas. Ele
olhou para ela, em seguida, acenou com desdm para o
outro homem. Seu destino, ao que parece, estava em suas
mos.
      O cavaleiro retirou uma corda de couro cru de seu
arco de sela e rapidamente correu duas voltas no pescoo.
Ento, ele arrastou-a para um grande pinheiro na borda da
clareira e colocou a corda nele. Ela tinha espao para se
movimentar, mas no muito longe em qualquer direo.
Ele virou-se para ela, empurrando-a, e agarrou suas mos,
forando-os atrs das costas e cruzando os pulsos uns
sobre os outros. Ela resistiu. Mas o resultado foi outro
duro golpe em sua cabea. Depois disso, ela permitiu-lhe
que lhe amarrasse as mos com um curto pedao de couro
cru. Ela estremeceu e murmurou um protesto como os
ns foram dolorosamente apertado. Foi um erro. Outro
golpe em sua cabea ensinou-a a permanecer em silncio.
      Ela ficou indecisa, mos amarrada e presa por seu
pescoo numa rvore. Ela estava estudando a melhor
maneira de se sentar quando o problema foi resolvido por
ele. O cavaleiro chutou seus ps para fora e jogou-lhe na
neve. Isso, pelo menos, trouxe um par de risadas baixa
dos homens ao redor do fogo.
      Para as prximas horas ela sentou sem jeito, com as
mos dormentes. Os seis homens, agora, pareciam lhe
ignorar. Comeram e beberam. Quanto mais eles bebiam,
mais violento se tornavam. No entanto, ela notou que,
mesmo parecendo estar bbado, sua vigilncia no
relaxava por um segundo. Um deles estava sempre em
guarda, do lado de fora o brilho do fogo pequeno e que se
deslocava constantemente para acompanhar o vento do
campo de todas as direes. Os guardas revezavam a
intervalos regulares, ela notou, sem qualquer dissidncia
ou necessidade de persuaso. Todos eles pareciam tomar
um rumo muito igual.
      Conforme cresce a noite, os homens comearam a
retirar-se para as tendas pequenas de feltro. Eles estavam
em forma de cpula e quase na cintura, assim seus
ocupantes tiveram que rastejar para eles atravs de uma
entrada baixa. Mas, ela pensou com inveja, eles estariam
provavelmente muito mais quentes do que ela estaria,
sentada aqui fora.
     O fogo morreu e um dos homens, no aquele que
havia capturado-lhe, andou em direo a Evanlyn e jogou
um pesado cobertor em cima dela. Era spero e carregava
o cheiro de seus cavalos, mas era grata pelo calor. Mesmo
assim, no era suficiente para o conforto. Ela encolhida
contra a rvore, o cobertor sobre seus ombros, e
preparada para uma noite extremamente desconfortvel.
     Halt recostou-se e examinaram sua obra com um
suspiro satisfeito.
      -- No -- ele disse. -- Isso deve funcionar.
      Horace olhou para ele com dvidas, seus olhos se
deslocaram da expresso satisfeita de Halt  aparncia do
documento oficial que ele havia acabado de forjar.
      -- De quem  esse selo? -- Perguntou ele
finalmente, indicando a impresso de um touro
desenfreado que foi definido em um grande monte de
cera no canto inferior direito do pergaminho. Halt tocou
delicadamente a cera para verificar se tinha endurecido
completamente.
      -- Bom. Acho que se  de algum,  meu -- admitiu
-- Mas eu estou esperando que os nossos amigos
Skandian pensem que pertence ao rei Henri de Gallica.
      --  nisso que o selo real se parece? -- Horace
perguntou, e Halt estudou o smbolo imprimido na cera
com um olhar um pouco mais crtico.
      -- Quase -- respondeu ele -- Eu acho que o real
pode ser um pouco mais magro no corpo, mas o
falsificado, eu comprei por ter uma impresso muito
indistinta para trabalhar.
       -- Mas... -- Horace comeou infelizmente, depois
parou.
       Halt olhou para ele, uma sobrancelha levantada
rapidamente -- Mas? -- Repetiu, tornando a palavra em
uma pergunta.
       Horace apenas balanou a cabea. Ele sabia que Halt
provavelmente iria rir da sua objeo se ele expressasse
isso. -- Oh, esquea -- disse por fim. Em seguida,
percebendo que o ex-arqueiro ainda estava esperando por
ele para falar, ele mudou de assunto.
       -- Eu pensei que voc disse que no h deciso
judicial na Gallica -- disse ele. Halt balanou a cabea.
       -- No h nenhuma deciso judicial efetiva -- disse
o jovem. -- Rei Henri  o rei hereditrio da Gallicans,
mas ele no tem poder real. Ele defende uma corte na
parte sul do pas e permite que os senhores da guerra
locais faam o que quiserem.
       -- Sim, notei -- disse Horace significativamente,
pensando sobre o encontro com Deparnieux que tinha
atrasado o seu progresso atravs da Gallica.
       -- Ento, o velho rei Henri  algo de um tigre de
papel -- Halt continuou. -- Mas ele  conhecido por
enviar emissrios para outros pases ao longo do tempo.
Assim, o presente. -- Ele apontou para a folha de
pergaminho que estava agitando suavemente no ar para
que a tinta pudesse secar e o selo de cera pudesse
endurecer. A viso do selo trouxe de volta todos os
receios de Horace.
      -- Ele s no parece certo! -- Ele deixou escapar,
antes que ele pudesse parar. Halt sorriu pacientemente
para ele, soprando suavemente em algumas manchas de
umidade da tinta.
      --  to certo quanto eu possa obt-lo -- disse ele
suavemente. -- E eu duvido que o guarda de fronteira
mdia na Skandia vai ver a diferena, especialmente se
voc estiver vestido com a armadura Gallican que voc
tomou de Deparnieux.
      Mas Horace balanou a cabea obstinadamente.
Agora que sua preocupao era a cu aberto, ele estava
determinado.
      -- Isso no  o que eu quis dizer -- disse ele, em
seguida, acrescentou -- e voc sabe disso.
      Halt sorriu com a expresso preocupada do jovem.
-- s vezes seu senso de moralidade me espanta -- disse
ele gentilmente. -- Voc no entende que temos que
passar por guardas de fronteira se quisermos ter alguma
chance de achar Will e a princesa?
      -- Evanlyn -- Horace corrigiu-o automaticamente.
Halt acenou o comentrio de lado.
      -- Tanto faz -- Ele sabia que Horace tendia a
referir-se a princesa Cassandra, a filha do rei Araluen, pelo
nome que tinha assumido quando Will e Horace a viram
pela primeira vez. Ele continuou -- Voc percebe, no ?
      Horace soltou um suspiro profundo. -- Sim, eu
suponho que sim,  s que parece... Desonesto, de alguma
forma.
      As sobrancelhas de Halt subiram em um arco
perfeito. -- Desonesto?
      Horace prosseguiu, sem jeito. -- Bem, eu sempre fui
ensinado que os selos das pessoas e crenas eram uma
espcie de... eu no sei, sacrossanto. Quero dizer... -- Ele
apontou para a figura do touro impressa em cera
vermelha. -- Isso  a assinatura de um rei.
      Halt mordeu os lbios, pensativo. -- Ele no 
muito de um rei -- respondeu ele.
      -- Esse no  o ponto.  um princpio, no pode
ver?  como... -- Fez uma pausa, tentando pensar em um
argumento razovel e, finalmente, veio com --  como
interferir com o correio.
      Em Araluen, o correio era um servio controlado
pela coroa e no havia sanes proibidas para quem
tentasse interferir com ele. No que tais sanes nunca
tenham parado Halt no passado, quando ele precisava
fazer um pouco de manipulao nesse sentido.
      Ele decidiu que no seria prudente mencionar a
Horace agora. Obviamente, o cdigo moral ensinada na
Escola de Guerra Redmont  um negcio mais rgido do
que o comportamento adotado pelo Corpo de Arqueiros.
Naturalmente, os cavaleiros do reino foram encarregadas
da proteo dos feudos, por isso era lgico que eles
devem ter uma atitude to entranha na primeira parte de
seu treinamento.
      -- Ento, como voc sugeriria que lidamos com o
problema? -- Perguntou ele no passado.
      -- Como voc nos levaria alm da fronteira?
      Horace preferido solues simples. -- Ns
poderamos lutar em nosso caminho -- sugeriu com um
encolher de ombros. Halt ergueu os olhos para o cu com
o pensamento.
      -- Ento,  imoral passar com um documento oficial
-- ele comeou.
      -- Um documento falso -- Horace corrigiu. --
Com um selo falsificado no fundo.
      Halt admitiu o ponto.
      -- Tudo bem ento, um documento falsificado, se
quiser. Isso  condenvel. Mas seria perfeitamente bem
para ns ir at o posto fronteirio e derrube todos  vista?
 essa a maneira como voc v isso?
      Agora que Halt colocava dessa maneira, Horace
tinha de admitir que havia uma anomalia em seu
pensamento. -- Eu no disse que devemos matar todos
na vista -- ele se ops. -- Ns poderamos apenas lutar
no caminho,  tudo.  mais honesto e eu pensei que  o
que os cavaleiros deviam ser.
      -- Cavaleiros podem ser, mas os Arqueiros no so
-- Halt murmurou. Mas ele disse abaixo de sua respirao
de forma que Horace no pde ouvi-lo. Ele lembrou-se
de que Horace era muito jovem e idealista. Cavaleiros
vivem por um rigoroso cdigo de honra e tica e os
fatores foram enfatizados nos primeiros anos de
treinamento de um cavaleiro aprendiz. Apenas mais tarde
na vida que eles aprenderam a temperar seus ideais com
um pouco de oportunismo.
      -- Olha -- disse ele, num tom conciliador. -- Pense
nisso desta forma: se ns simplesmente intercalamos um
meio de se dirigir para Hallasholm, os guardas da fronteira
iriam enviar um aviso depois de ns. O elemento surpresa
seria totalmente perdido e ns poderamos encontrar-nos
em grandes apuros. Se nos decidirmos a nossa forma de
luta, a nica maneira de fazer isso  deixando ningum
vivo para espalhar a palavra. Entendeu? -- Horace
assentiu com a cabea, infelizmente. Ele podia ver a lgica
no que Halt estava dizendo. O arqueiro continuou com a
linha de raciocnio. -- Dessa forma, ningum se machuca.
Voc se coloca como um emissrio do tribunal Gallican,
em uma expedio do rei Henri. Voc veste armadura
negra de Deparnieux obviamente no estilo de Gallican e
voc mantenha seu nariz furado no ar e deixa a palavra
para mim, seu servo. Esse  o tipo de comportamento que
se esperaria de um importante nobre Gallican. No h
nenhuma razo para qualquer palavra ser enviada
informando a Ragnak que dois forasteiros tenham
atravessado a fronteira, afinal, estamos supostamente indo
v-lo de qualquer maneira.
      -- E pra que serve essa expedio? -- Horace
perguntou. Halt no poderia resistir a um sorriso. --
Desculpe, mas isso  confidencial. Voc no espera que eu
v violar o segredo do sistema de correio, no ? --
Horace deu-lhe um olhar dolorido e ele cedeu. -- Tudo
bem.  uma questo de negcio simples, na verdade. Rei
Henrique est em negociao para a locao de trs navios
da Skandians, isso  tudo.
      Horace olhou surpreso. -- Isso no  um pouco
incomum? -- Ele perguntou, e pr fim sacudiu a cabea.
      -- Nem um pouco. Skandians so mercenrios. Eles
esto sempre se movendo para um lado ou outro.
Estamos apenas fingindo que Henri pretende subcontratar
alguns navios e tripulaes para uma expedio contra a
invaso Arridi.
      -- O Arridi? -- Horace, franziu com incerteza. Halt
balanou a cabea em desespero. -- Voc sabe, talvez
fosse mais til se Rodney passasse menos tempo
ensinando as pessoas a tica e um pouco mais de tempo a
geografia. O Arridi so os povos do deserto ao sul. -- Ele
parou e viu que esta informao no fez nenhuma
impresso sobre o jovem. Horace continuou a olhar para
ele com uma expresso vazia. -- Do outro lado do mar
Constant? -- Acrescentou ele, e agora Horace mostrou
sinais de reconhecimento.
      -- Ah, eles -- disse ele com desdm. -- Sim, eles --
respondeu Halt, imitando o tom. -- Mas eu no espero
que voc pense muito sobre eles. H milhes s deles.
       -- Mas eles nunca nos incomodam, pois no? --
Disse Horace confortavelmente. Halt deu uma risada
curta.
       -- No to longe -- ele concordou. --  s rezar
no decidirem.
       Horace podia sentir que Halt estava  beira de
entregar uma palestra sobre a estratgia internacional e
diplomacia.
       Esse tipo de coisa geralmente di o lado esquerdo da
cabea de Horace aps os primeiros minutos, quando ele
tentou manter o contato com quem foi alinhado com
quem e quem estava conspirando contra seus vizinhos e o
que eles esperavam ganhar com isso. Ele preferiu o tipo
de palestra de Sir Rodney: certo, errado, preto, branco,
fora espadas, cortar e bater. A melhor maneira de fazer
isso, ele tinha aprendido com a experincia passada, foi a
de concordar com ele.
       -- Bem, eu suponho que voc est certo sobre a
falsificao -- admitiu. -- Afinal de contas,  apenas o
selo de Gallican que estamos forjando, no ? No 
como se voc estivesse forjando um documento do rei
Duncan. Mesmo que voc no iria to longe, voc faria?
       -- Claro que no -- Halt respondeu suavemente.
Ele comeou a arrumar suas canetas e tinta e as
ferramentas de falsificador. Ele estava feliz que ele tinha
posto as mos sobre o selo falsificado Gallican em sua
embalagem to facilmente. -- Agora, eu sugiro que voc
v vestir a armadura Gallican para os guardas de fronteira
Skandian.
      Horace bufou indignado e se afastou. Mas outro
pensamento ocorreu a Halt, algo que estava em sua mente
h algum tempo.
      -- Horace... -- ele comeou, e Horace voltou. A
voz do Arqueiro perdeu o seu tom e ele sentiu que Halt
estava prestes a dizer algo importante.
      -- Sim, Halt?
      -- Quando encontramos Will, no conte a ele sobre
o desprazer... Entre mim e o Rei, tudo bem?
      Meses atrs, o rei tinha negado a permisso para Halt
deixar Araluen em busca de Will, ento Halt concebeu um
plano desesperado. Ele tinha insultado publicamente o Rei
e, como resultado, foi banido por um perodo de um ano.
O subterfgio de Halt causou uma grande angstia mental
no ms passado. Como uma pessoa banida, ele era
automaticamente expulso do Corpo de Arqueiros. A
perda de sua folha de carvalho prata foi, possivelmente, o
pior castigo de todos, ainda que ele suportasse
voluntariamente para procurar seu aprendiz.
      -- Tudo o que voc diz, Halt -- Horace concordou.
Mas Halt parecia pensar que, desta vez, a explicao era
necessria.
      --  justo que eu preferiria encontrar a minha
prpria maneira de dizer a ele e na hora certa. Tudo bem?
      Horace encolheu os ombros. -- Tudo o que voc
diz -- ele repetiu. -- Agora vamos falar com estes
Skandians.
      Mas no havia nada a se falar. Os dois cavaleiros,
seguidos por sua pequena seqncia de cavalos, montaram
atravs da passagem que em ziguezague entre as altas
montanhas at o posto de fronteira ficou finalmente 
vista. Halt dever ser saudado da paliada de madeira da
torre em qualquer momento, como os guardas exigiriam
que desmontasse e fossem a p. Isso teria sido o
procedimento normal. Mas no havia nenhum sinal de
vida no pequeno posto avanado fortificado  medida que
se aproximava.
      -- Porta aberta -- Halt murmurou enquanto se
aproximava e que pde dar mais detalhe.
      -- Quantos homens guardam geralmente um lugar
como este? -- Horace perguntou.
      O arqueiro encolheu os ombros. -- Meia dzia.
Uma dzia talvez.
      -- No h nada que parea ser qualquer um deles
por a -- observou Horace, e Halt olhou para os lados.
      -- Eu tinha percebido essa parte -- respondeu ele,
em seguida, acrescentou -- O que  isso?
      Havia um vulto aparente agora nas sombras apenas
dentro da porta aberta. Agindo sobre o mesmo instinto,
ambos incitaram seus cavalos num galope e fechou a
distncia entre eles e o forte. Halt j tinha certeza de que
forma era.
      Era um Skandian morto, deitado em uma poa de
sangue que havia embebido na neve.
      Dentro havia outros dez, todos eles morreram da
mesma maneira, com mltiplas feridas em seus troncos e
membros.       Os      dois     viajantes   cuidadosamente
desmontaram e se moveram entre os corpos, a estudar a
cena horrvel.
      -- Quem poderia ter feito isso? -- Disse Horace
com uma voz horrorizada. -- Eles foram esfaqueados
repetidas vezes.
      -- No foram esfaqueados -- Halt disse. -- Estes
so feridas flechas. E, em seguida, os assassinos
recolheram suas flechas dos corpos. Exceto por um
presente. -- Ele segurou uma flecha quebrada que
permaneceu escondida debaixo de um dos corpos. O
Skandian provavelmente tinha quebrado na tentativa de
remov-lo da ferida. A outra metade ainda estava
enterrada profundamente em sua coxa. Halt estudou o
estilo da flecha e a identificao, marcas pintadas no final
da flecha.
      Arqueiros normalmente identificam seus prprios
eixos de tal forma.
      -- Pode dizer que fez isso? -- Horace pediu.
Silncio, olhou para cima e para ver o seu olhar. Horace
viu uma expresso de profunda preocupao nos olhos do
arqueiro.
      Esse fato sozinho, mais do que a carnificina ao redor
deles, enviou uma onda de mal-estar por meio dele. Ele
sabia que era algo ruim para preocupar Halt.
      -- Eu acho que sim -- disse o arqueiro. -- E eu no
gosto. Parece que o Temujai esto em movimento de
novo.
     As    estradas vo para leste. Como o cavaleiro
desconhecido havia conseguido descer a montanha, j
que ele seguiu o estreito, trilhas tortuosas atravs da
espessura de pinho. Mas sempre, sempre que havia uma
bifurcao na trilha, o cavaleiro escolheu o que acabaria
por lev-lo para o leste, mais uma vez.
      Esgotado antes da primeira hora, tropeando na
neve ao longo do tempo e, em ocasies numerosas demais
para contar, caindo se contorcendo de dor, gemendo.
Seria to fcil, pensou ele, apenas para ficar aqui. Para
deixar as dores nos msculos pararem lentamente, para
deixar o bater da pulsao nas tmporas acalmar e s...
Resto.
      Mas cada vez que a tentao chegava, ele pensava em
Evanlyn: como tinha o arrastado para a montanha. Como
ela o ajudou a escapar do estaleiro onde os escravos
aguardavam a sua eventual morte. Como ela cuidou dele e
curou-se da dependncia da erva do calor. E como ele
pensava nela e o que ela tinha feito por ele, de alguma
forma, ele encontrou um minsculo, reservatrio oculto
da fora e efeito. E de alguma forma ele se arrastou at os
ps de novo em busca das trilhas na neve.
      Foi arrastando um p aps o outro, seus olhos
baixos para as faixas. Ele viu nada mais, nada percebeu.
Apenas as impresses das patas na neve.
      O sol cair por trs da montanha e o frio instantneo
que acompanhou ate o seu desaparecimento atravs de
sua roupa, mido com o suor de seus esforos. Ele
pensou que tinha sorte dele ter pensado em trazer os
cobertores com ele. Quando ele finalmente parou durante
a noite, a roupa mida iria se tornar uma armadilha de
morte em potencial. Sem o calor e a secura dos cobertores
para casulo, ele poderia congelar at a morte em suas
roupas midas.
      As sombras se aprofundaram e ele sabia que o
anoitecer no estava longe. Ainda assim, ele continuou,
enquanto ele poderia distinguir as pegadas arranhadas na
trilha. Ele estava exausto demais para observar as
variaes nas faixas de profundidade escavadas pelo
cavalo bloqueado at as patas dianteiras quando tinha
deslizado at as sees mais ngremes do caminho. Essas
reas foram apenas notveis a ele pelo fato de que ele caiu
mais freqentemente. Ele no podia ler nenhuma das
sutilezas e mensagens secretas que tinha sido treinado
para ver. Foi o suficiente para que houvesse uma trilha
clara a seguir.
      Era tudo o que ele era capaz.
      Foi muito tempo depois escuro e ele estava
comeando a perder de vista as faixas agora.
      Mas ele continuou, enquanto no houve nenhum
desvio possvel, sem bifurcao da trilha onde ele pode ter
que escolher uma direo em detrimento de outro.
Quando ele chegou a um lugar onde devesse escolher, ele
disse a si mesmo, ele iria parar e acampar durante a noite.
Ele se enrolaria nos cobertores. Talvez ele possa at
mesmo fazer uma pequena fogueira, onde ele poderia
secar suas roupas. Uma fogueira traria calor. E conforto.
      E fumaa.
      Fumaa? Ele podia sentir o cheiro, mesmo que ele
no tenha feito uma fogueira. Fumaa, o cheiro de vida na
Skandia, a fragrncia perfumada da queima do pinho que
escorria da madeira e estalava nas chamas. Ele parou,
balanando em seus ps. Ele tinha o pensamento de fogo
e, instantaneamente, ele podia sentir o cheiro de fumaa.
Sua mente cansada tentou correlacionar os dois fatos,
ento percebi que no havia nenhuma correlao, apenas
coincidncia. Ele podia sentir o cheiro de fumaa, porque,
em algum lugar prximo  mo, houve uma fogueira.
      Ele tentou pensar. Uma fogueira significava um
acampamento. E isso quase certamente significa que ele
tinha achado Evanlyn e quem a tinha raptado. Eles
estavam em algum lugar por perto, parou durante a noite.
Agora tudo o que tinha a fazer era encontr-los e...
      "E o qu?", Ele perguntou a si mesmo na voz
engrossada pela fadiga. Ele tomou um longo gole de gua
do cantil que ele tinha pendurado no cinto. Por hora
agora, todo o seu ser estava focado na tarefa de recuperar
o atraso com o cavaleiro invisvel. Agora que quase tinha
conseguido isso, percebeu que no tinha nenhum plano,
como o que fazer em seguida. Uma coisa era certa: ele no
seria capaz de resgatar Evanlyn pela fora bruta.
Balanando com a fadiga, quase inconsciente, ele mal
tinha foras para desafiar um pardal.
      "O que Halt faria?", Ele perguntou. Esse se tornou o
seu mantra nos ltimos meses, quando ele encontrava-se
incerto sobre um curso de ao. Ele iria tentar imaginar o
seu antigo mentor ao lado dele, olhando-o intrigado,
levando-o a resolver o problema na mo por ele mesmo.
Para pensar sobre isso, ento, tomar medidas.
      Pesquise primeiro, Halt gostava de dizer. Em
seguida, agir. Will assentiu.
      "Pesquise", ele repetiu grossa. "Ento, agir".
      Ele deu a si mesmo um descanso de alguns minutos,
agachou-se encostado no bole spero de um pinheiro,
ento ele ficou ereto mais uma vez, seus msculos
gemendo com rigidez. Ele continuou na pista, se
deslocando agora com cuidado redobrado.
      O cheiro da fumaa ficou mais forte. Agora era
misturado com outra coisa e ele reconheceu o cheiro de
carne assada. Poucos minutos depois, movendo-se com
cuidado, ele poderia discernir um brilho alaranjado 
frente. A fogueira refletida da brancura da neve ao seu
redor, saltando e aumentando na intensidade. Ele
percebeu que estava ainda um pouco  frente e continuou
ao longo da trilha. Quando julgou que estava dentro de
cinqenta metros da fonte da luz, ele mudou-se
silenciosamente para fora das rvores, a luta contra seu
caminho atravs da neve espessa que chegou  altura do
joelho ou superior.
      As rvores comearam a desbastar, revelando uma
pequena clareira e do acampamento montado ao redor do
fogo. Ele deitou e avanou, permanecendo escondido nas
sombras profundas sob os pinheiros. Ele podia ver agora
tendas em forma de cpula, trs delas, dispostas em
semicrculo ao redor do fogo. Ele no via nenhum sinal de
movimento. O cheiro de carne assada ainda pairava no ar.
Ele comeou a avanar mais, quando um movimento por
trs das barracas o deteve.
      Ele congelou, absolutamente imvel, um homem se
adiantou na orla da lareira. Corpulento, vestido de peles,
seu rosto estava escondido na sombra do chapu de peles
que ele usava. Mas ele estava armado. Will podia ver a
espada curvada pendurados na cintura e a lana esguia que
ele mantinha na mo direita, sua bunda plantada na neve.
      Will olhou com mais detalhe. Cavalos, seis deles,
presos entre as rvores para um lado. Ele supe que isso
significava seis homens. Ele franziu a testa, imaginando
como ele poderia levar Evanlyn para longe dali, ento
percebeu que, at agora, ele no a tinha visto. Ele lanou
seu olhar em volta do campo, pensando se talvez ela
estava dentro de uma das barracas. Ento ele viu.
      Escondidos debaixo de uma rvore, um cobertor
puxado at os ombros. Seus olhos doam e esfregou as
costas da mo entre elas, ento apertou a ponte do nariz
com dois dedos, tentando forar os olhos para ficar
focado. Foi uma batalha perdida. Ele estava exausto.
      Ele comeou a contorcer-se de volta  floresta, 
procura de um lugar onde ele poderia se esconder e
descansar. Eles no estavam indo em qualquer lugar esta
noite, ele percebeu, e precisava descansar e recuperar sua
fora antes que ele pudesse realizar qualquer coisa.
Cansado como estava, ele no poderia mesmo comear a
formular um plano coerente.
      Ele iria descansar, encontrar um local longe o
suficiente para dar-lhe a dissimulao, mas no to longe
que no iria ouvir o acampamento mexendo na parte da
manh.
      Pesaroso, percebeu que seus planos antes de uma
fogueira j foram frustrados. Ainda assim, ele tinha os
cobertores, que era alguma coisa.
      Ele encontrou um buraco sob os ramos de um
enorme pinheiro. Ele esperava que os cavaleiros no
patrulhassem em torno de seu acampamento pela manh e
encontrassem suas pistas, ento entendeu que no havia
nada que pudesse fazer para impedi-lo. Desatou o
enrolado cobertor.
      Algum tempo depois da meia-noite, Evanlyn
acordou, gemendo em agonia. Os laos apertados
restringiram o fluxo de sangue e os msculos do ombro
estavam doendo. A sentinela, irritado com o barulho,
afrouxou os laos por alguns minutos, em seguida, coloco
as mos na frente dela para ter a tenso fora dos msculos
do ombro. Era uma pequena melhora e ela conseguiu
dormir irregularmente, at o som das vozes acord-la.
      Evanlyn tinha percebido o antagonismo entre os
dois guerreiros na noite anterior. Mas na parte da manh,
ele atingiu um ponto crtico.
      O pequeno grupo foi um dos muitos que haviam
cruzado a fronteira com a Skandia. Algumas semanas
antes, Evanlyn tinha realmente visto um membro de um
partido mais cedo, perto da cabana onde ela e Will
passaram o inverno.
      O homem que tinha capturado ela, Ch'ren, era filho
de uma famlia Temujai do alto escalo. Era costume
Temujai ter os seus nobres jovens servirem como soldado
comum um ano, antes de serem promovidos para a classe
policial. At'lan, o comandante do grupo de escotismo, era
um soldado de longo prazo, um sargento com anos de
experincia. Mas, como um plebeu, ele sabia que nunca
iria superar sua posio atual.  certeza que o arrogante,
teimoso Ch'ren logo superar ele, assim como  certeza
Ch'ren receber ordens de um homem que ele considera
ser a sua inferioridade social. Um dia antes, ele tinha
montado para fora das montanhas por conta prpria,
apesar de o sargento ser contra.
      Ele tinha feito Evanlyn de prisioneira por capricho,
sem qualquer pensamento real das conseqncias. Teria
sido melhor se ele tivesse permanecido invisvel e
permitisse a ela para seguir seu caminho. O grupo estava
sob ordens estritas para evitar a descoberta e eles no
tinham ordens para levar os presos. Tampouco houve
qualquer possibilidade de explorao ou de guard-los.
      A soluo mais simples, At'lan tinha decidido, foi
que a menina deve ser morta.
      Enquanto ela estava viva, havia a chance de que ela
iria escapar e espalhar a palavra de sua presena. Se isso
acontecesse, At'lan sabia que ele iria pagar com a prpria
vida. Ele no sentiu nenhuma simpatia pela menina. Ele
tambm no sentiu qualquer antagonismo.
      Seus sentimentos sobre ela eram neutros. Ela no era
do povo e to pouco qualificada como um ser humano.
      Agora, ele ordenou Ch'ren mat-la. Ch'ren recusou,
no fora de qualquer considerao para Evanlyn, mas
simplesmente para enfurecer o sargento.
      Evanlyn assistiu ansiosamente como eles alegaram.
Como na noite anterior, era bvio para ela que ela era a
razo da sua discordncia. Foi igualmente bvio, como
seu argumento tornou-se cada vez mais aquecida, que sua
posio foi se tornando cada vez mais precria. Por
ltimo, o mais velho dos dois retirou a mo e golpeou o
homem mais jovem em todo o rosto, mandando-o a
poucos passos. Ento ele se virou e caminhou em direo
Evanlyn, puxando o sabre curvo.
     Ela olhou para a espada na mo para a expresso em
seu rosto. No houve nenhuma raiva, nenhuma expresso
de dio l. Apenas o olhar determinado de quem, sem o
menor remorso ou hesitao, estava prestes a terminar a
sua vida.
     Evanlyn abriu a boca para gritar. Mas o horror do
momento congelou o som em sua garganta e ela agachada,
de boca aberta, como a morte se aproximava dela. Era
estranho, pensou ela, que arrastara at ali, deixou-a
durante a noite e ento decidiu mat-la.
     Parecia uma forma intil para morrer.
     Halt examinou a confuso de trilhas na neve macia,
franzindo para si mesmo enquanto tentava fazer as pistas
fazerem sentido. Horace esperava, cheio de curiosidade.
       Finalmente, Halt se levantou de onde ele tinha
abaixado, examinando particularmente um pedao de
terra.
       -- Trinta deles, pelo menos -- ele murmurou. --
Talvez mais.
       -- Halt? -- Horace perguntou experimentalmente.
Ele no sabia se havia mais informaes que Halt estava
prestes a revelar, mas no podia esperar mais. O arqueiro
foi se afastando da paliada, no entanto, foi para outro
conjunto de trilhas que levavam para as montanhas para
alm da passagem.
       -- Uma pequena parte, talvez cinco ou seis, passou
para Skandia. O restante deles voltaram de onde vieram.
       Ele acompanhou as direes com a ponta de seu
arco. Ele estava falando mais para si do que para Horace,
que confirma em sua prpria mente o que os sinais no
cho lhe dissera.
      -- Quem so eles, Halt? -- Horace perguntou
rapidamente, na esperana de quebrar a concentrao do
arqueiro. Halt moveu alguns passos adicionais na direo
tomada pelo grupo menor.
      -- Temujai -- disse ele brevemente, sobre o ombro.
      Horace revirou os olhos exasperado. -- Voc j
disse isso -- ressaltou. -- Mas quem so exatamente os
Temujai?
      Halt parou e se virou para olhar para ele. Por um
momento, Horace tinha certeza de que ele estava prestes a
ouvir outro comentrio sobre o triste estado da sua
educao. Ento um olhar pensativo atravessou o rosto
do arqueiro e ele disse, em um tom mais suave que o
habitual -- Sim, eu suponho que no h nenhuma razo
porque voc deve ter ouvido falar deles, no ?
      Horace, relutante em interromper, apenas balanou a
cabea.
      -- Eles so os cavaleiros das estepes do Leste -- o
arqueiro disse. Horace franziu a testa, sem entender.
      -- Estepes? -- Repetiu, e Halt permitiu um ligeiro
sorriso.
      -- No etapas que voc anda para cima e para baixo
-- disse ele. -- Estepes, plancies e pradarias, a leste.
Ningum sabe exatamente onde o Temujai originou. Em
um momento, eram simplesmente um monte de tribos
desorganizadas at Tem'gal junta-los em uma s tribo e se
tornar o primeiro Sha'shan.
      -- Sha'shan? -- Horace interrompeu hesitante,
totalmente inconsciente do que a palavra pode significar.
      -- O lder de cada grupo era conhecido como o
Shan. Quando Tem'gal se tornou o senhor, ele criou o
ttulo Sha'shan-o de Shan Shans, ou o lder dos lderes.
      Horace assentiu lentamente. -- Mas quem foi
Tem'gal -- questionou, acrescentando s pressas -- quero
dizer, da onde ele era?"
      Desta vez Halt encolheu os ombros. -- Ningum
realmente sabe. Diz a lenda que ele era um menino
simples. Mas de alguma forma ele se tornou lder de uma
tribo, em seguida, uniu-os com o outro, e outro. O
resultado foi que ele virou o Temujai em uma nao de
guerreiros de cavalaria, provavelmente o melhor a luz do
mundo. Eles so destemidos, altamente organizados e
absolutamente implacveis quando se trata de batalha.
Eles nunca foram derrotados, a meu conhecimento.
      -- Ento o que esto fazendo aqui? -- Horace
perguntou, e Halt considerado-o gravemente, mordendo o
lbio inferior como ele considerava uma possvel resposta.
      -- Essa  a pergunta, no ? -- Perguntou ele. --
Talvez ns devssemos seguir esse pequeno grupo e ver o
que podemos descobrir. Pelo menos enquanto est indo
na direo que queremos ir.
      E atirando o arco por cima do ombro esquerdo, ele
caminhou at onde estava Abelardo pacientemente, rdea
solta arrastando no cho. Horace apressou-se depois dele,
balanando-se montado no cavalo de batalha preto que
estava cavalgando para impressionar os guardas da
fronteira. Tudo de uma vez, a elegncia que ele vestiu a
desempenhar o papel de um passador Gallican parecia um
pouco incongruente. Ele cutucou o cavalo com o
calcanhar e seguiu Halt.
      Os outros dois cavalos seguiram, o cavalo de batalha
e Puxo trotou calmamente ao lado sem qualquer
necessidade de direo.

     Halt inclinou-se na sela, estudando o terreno.
     -- Olha quem est de volta -- disse ele, indicando
uma trilha na neve. Horace cutucou o cavalo mais perto e
olhou para o cho. Para ele, no havia nada evidente, que
no seja uma confuso de pegadas, perder rapidamente a
definio na neve, mida e macia.
      -- O que  isso? -- Perguntou ele finalmente.
     Halt respondeu sem levantar os olhos da trilha. -- O
nico cavaleiro que saiu por conta prpria.
     Alguns caminho de volta, a trilha tinha se dividido,
um cavaleiro deixar o grupo e ir mais profundo em
Skandia, enquanto o grupo principal tinha circulado para
o norte, mantendo a mesma distncia da fronteira. Agora,
aparentemente, nico cavaleiro que tinha voltado ao
grupo.
     -- Bem, isso torna mais fcil. Agora no precisa se
preocupar com a sua vinda atrs de ns enquanto estamos
atrs dos outros -- disse Halt. Ele avanou com
Abelardo, depois parou, os olhos em fenda de
concentrao.
     -- Isso  estranho -- disse ele, e deslizou para baixo
da sela e ficou com neve at os joelhos. Ele estudou o
cho de perto, ento olhou para trs no sentido de que um
nico cavaleiro que aderiu ao grupo. Ele resmungou,
depois endireitou-se, espanando neve molhada dos
joelhos.
     -- O que  isso? -- Horace perguntou. Halt
amarrou sua cara em uma careta. Ele no estava
totalmente certo do que ele estava vendo, e isso o
incomodava. Ele no gostava de incertezas em situaes
como esta.
     -- O cavaleiro s no se reuniu com o grupo aqui.
Eles foram, pelo menos, um dia antes dele -- ele
finalmente disse. Horace encolheu os ombros. Houve
uma razo lgica para isso, ele pensou.
     -- Ento, ele estava se dirigindo de encontro para
eles -- sugeriu. Halt acordo com a cabea.
     -- Mais do que provvel. Eles so, obviamente, um
grupo de reconhecimento e ele pode ter ido por si
mesmo. A questo  quem o seguiam quando ele voltou?
     Isso levantou as sobrancelhas de Horace. -- Algum
seguiu? -- Perguntou ele. Halt soltou uma inspirao
profunda de frustrao.
     -- No  possvel ter certeza -- disse ele
brevemente. -- Mas parece que da maneira que a neve
derreteu rapidamente e as faixas no so totalmente claras.
 bastante fcil de ler as trilhas do cavalo, mas este novo
jogador est de p... Se ele realmente existe --
acrescentou incerto.
      -- Ento... -- Horace comeou. -- O que devemos
fazer?
      Halt chegou a uma deciso. -- Ns vamos segui-los
-- disse ele, subindo mais uma vez.
      -- Eu no vou dormir confortavelmente at eu
descobrir o que est acontecendo aqui. Eu no gosto de
enigmas.
      O enigma aprofundou uma hora mais tarde, quando
Puxo, que discretamente seguia atrs dos dois cavaleiros,
de repente, jogou a cabea para trs e soltou um relincho
alto. Foi to inesperado que tanto Halt e Horace giraram
em suas selas e olharam para o cavalo em espanto. Puxo
relinchou outra vez, um tom longo, levantando-se que
tinha uma nota de ansiedade nele. O cavalo de batalha de
Horace relinchou em alarme tambm. Horace foi capaz de
dominar uma resposta incipiente desde o preto que ele
estava andando, enquanto Abelardo, naturalmente,
permaneceu imvel.
      Irado, Halt fez o sinal da mo do arqueiro de
silncio. Os outros aos poucos se acalmaram.
      Mas Puxo continuou a estar na trilha, preparado
pernas afastadas, cabea erguida e narinas enquanto ele
respirava o ar gelado em torno deles. Seu corpo tremia.
Ele estava  beira de dar vazo a um daqueles gritos
angustiados e s a disciplina e treinamento de todos os
soberbos cavalos de arqueiros estava a impedir de faz-lo.
      -- Que diabo... -- Halt comeou, ento, deslizou
para baixo da sela, mudou-se calmamente de volta para o
cavalo angustiado, batendo no pescoo de Puxo
delicadamente.
      -- Calma menino -- murmurou ele. --Qual  o
problema com voc, ento?
      A voz calma e suave das mos pareceu acalmar o
cavalo pequeno. Ele colocou a cabea para baixo e
esfregou a testa contra o peito de Halt. O arqueiro
acariciou suavemente as orelhas do cavalo pequeno, ainda
falando com ele em um sussurro suave.
      -- A est voc... Se voc s poderia falar, n? Sabe
de uma coisa.  algo sentido, no  mesmo?
      Horace observou curiosamente como o tremor
gradualmente foi diminuindo. Mas ele notou as orelhas
do cavalo ainda estavam em alerta. Ele poderia ter sido
acalmado, mas ele no estava  vontade.
      -- Eu nunca vi um cavalo de arqueiro se comportar
assim antes -- disse ele baixinho, e pr fim olhou para
cima, com os olhos perturbados.
      -- Nem eu -- admitiu. -- Isso  o que tem me
preocupado.
      Horace estudou Puxo cuidadosamente. -- Ele
parece ter se acalmado um pouco agora -- ele arriscou e
Halt colocou a mo em todo o flanco do cavalo.
     -- Ele ainda est tenso como uma corda, mas acho
que podemos continuar. H apenas uma hora ou mais at
escurecer e eu quero ver onde nossos amigos esto
acampados durante a noite.
     No       abrigo do pinheiro, envolto no calor
inadequado dos dois cobertores, Will passou uma noite
vacilante, cochilar por curtos perodos, em seguida, ser
acordado pelo frio e seus pensamentos.
      Na sua mente tinha um sentimento de inadequao
total. Diante da necessidade de resgatar Evanlyn de seus
captores, ele no tinha absolutamente nenhuma idia de
como ele poderia realizar essa tarefa. Eram seis homens,
bem armados.
      Ele era um garoto, armado apenas com um arco de
caa pequena e uma adaga curta.
      Suas flechas eram boas apenas para um jogo com
pequenos pontos feitos pelo endurecimento final da
madeira no fogo e, em seguida, afiando-los. Eles no eram
nada como a flecha afiada que carregava na sua aljava de
arqueiro como um aprendiz. "O arqueiro usa a vida de duas
dezenas de homens em seu cinto",  o velho ditado de Araluen.
      Ele submeteu seu crebro uma e outra vez durante
os longos perodos de insnia.
      Pensou-se amargamente de que ele era suposto ter
uma reputao como um pensador e um planejador. Ele
sentia que estava deixando Evanlyn para baixo com a sua
incapacidade para chegar a uma idia. E deixar as outras
pessoas tambm. Em sua mente, meio dormindo e
cochilando, ele viu o rosto barbudo de Halt, sorrindo para
ele e pedindo-lhe para vir acima com uma planta. Em
seguida, o sorriso desvanece-se, em primeiro lugar a um
olhar de raiva, ento, finalmente, de decepo. Ele pensou
em Horace, seu companheiro na jornada atravs da
Cltica e da ponte de Morgarath. O aprendiz de guerreiro
fortemente armado tinha sido sempre o contedo para
que Will pensasse para os dois. Will suspirou infelizmente
como ele pensava como equivocada sua confiana tinha
tornado. Talvez fosse um efeito da erva do calor a que
tinha sido viciado. Talvez a droga apodrece o crebro do
usurio, tornando-o incapaz de ter pensamento original.
      Uma e outra vez por aquela noite infeliz, perguntou-
se: "O que Halt faria?" Mas a pergunta, to til no passado
para dar uma resposta aos seus problemas, foi ineficaz.
Ele no ouviu nenhuma voz respondendo profundamente
dentro de seu subconsciente, trazendo-lhe conselhos e
conselhos.
      A verdade , evidentemente, que, dada a situao e
as circunstncias, no havia nenhuma ao prtica que
poderia tomar. Praticamente desarmado, em menor
nmero, em terreno desconhecido e, infelizmente, fora de
forma, tudo que ele poderia fazer seria manter
acampamento observando os estranhos e esperar alguma
mudana nas circunstncias, algumas eventualidades que
possam fornecer-lhe uma oportunidade de chegar e levar
Evanlyn para longe para as rvores.
      Finalmente abandonou a tentativa de descanso,
rastejou debaixo do pinheiro e reuniu os seus parcos
equipamentos. A posio das estrelas no cu lhe disse que
era um pouco mais de uma hora antes que ele pudesse
esperar para ver a primeira luz do amanhecer de filtragem
atravs da copa das rvores.
      "Pelo menos essa  uma habilidade que eu lembrava", disse
ele miseravelmente, falando em voz alta, como se tornou
costume durante a noite.
      Ele hesitou, ento chegou a uma deciso e afastou-se
por entre as rvores em direo ao acampamento. Havia
sempre uma chance de que algo pode ter mudado. A
sentinela pode ter dormido ou ido para a floresta para
investigar um barulho suspeito, deixando o caminho livre
para resgatar Evanlyn.
      No era provvel, mas que era possvel. E se essa
oportunidade surgisse, era essencial que estivesse presente
para tirar proveito dela. Pelo menos era um plano de ao
definido para ele seguir, ento ele mudou-se o mais
silenciosamente possvel, mantendo uma das mantas
envolto em torno de seus ombros como um manto.
      Demorou dez minutos para encontrar o caminho de
volta para o acampamento pequeno.
      Quando o fez, suas esperanas foram frustradas.
Havia ainda um sentinela e patrulhamento, como
observado, o relgio tinha mudado, com um novo
homem assumiu o cargo, bem acordado e descansado.
Andou em torno do permetro do acampamento em uma
patrulha regular, chegando a vinte metros do local onde o
menino agachou-se escondido atrs de uma rvore. No
havia nenhum sinal de negligncia ou desateno. O
homem manteve seu ponto de viso em movimento,
buscando continuamente a floresta para qualquer sinal de
movimento incomum.
      Will olhou com inveja para o arco recurvo
pendurada, flechas enfiadas, sobre o ombro direito do
homem. Era muito parecido com o que Halt tinha dado
quando ele tinha tomado o seu primeiro estgio com o
sombrio arqueiro. Vagamente, lembrou Halt tinha dito
algo sobre os guerreiros das estepes do Leste sabiam fazer
essa curva no arco. Ele queria saber agora se esses
homens eram alguns desses guerreiros.
      O arco da sentinela era uma arma real, ele pensou, ao
contrrio do brinquedo que ele carregava. Agora, se ele
tivesse um arco, como o da sentinela, e algumas das
flechas que apareciam de sua aljava cheia de penas, ele
poderia ser capaz de realizar algo. Por um tempo, ele
jogou com a idia de superar a sentinela e tomar o seu
arco, mas ele foi forado a rejeitar a idia.
      No havia maneira de ele chegar ao alcance do
homem sem ser visto ou ouvido. E, mesmo se ele pudesse
conseguir isso, havia pouca chance de ele ser capaz de
derrotar um guerreiro armado. A pequena adaga que
carregava contra o saber do homem seria um suicdio. Ele
poderia ter uma chance de jogar a faca, naturalmente, mas
era uma arma mal equilibrada e mal adaptada para jogar,
sem peso suficiente no cabo para conduzir o repouso da
lmina para o destino.
      E assim ele encolhido na neve na base da rvore,
assistindo e esperando por uma oportunidade que nunca
veio. Ele podia ver a forma amassado de Evanlyn para um
lado do campo. A rvore foi amarrada e era cercado por
um espao claro. No havia nenhuma maneira que ele
poderia se aproximar dela sem o sentinela v-lo. Tudo
parecia perdido.
      Ele deve ter cochilado embalado pelo frio e pela
noite agitada que havia passado, pois ele foi despertado
pelo som de vozes.
      Foi apenas aps o amanhecer, e a luz da manh
atingindo indiretamente pelas brechas das rvores,
lanando sombras longas em toda a clareira. Dois
guerreiros estavam de p, um pouco  parte das outras
pessoas, discutindo. As palavras eram indecifrveis para
Will, mas o tema do seu debate era bvio, com um deles
mantido apontando para Evanlyn, ainda amarrada 
rvore, encolhida no cobertor que tinha sido dado, e agora
bem acordada e atenta.
      Como a discusso evoluiu, os homens se tornaram
cada vez mais irritado, sua voz mais alta. Finalmente, o
homem mais velho bateu o outro homem, mandando-o
para longe. Ele acenou com a cabea uma vez, como se
estivesse satisfeito, ento se virou para Evanlyn, largando
a mo ao punho da espada.
      Por um momento, Will permaneceu congelado. A
maneira do guerreiro foi to casual como ele tirou a
espada e se aproximou da menina que parecia impossvel
acreditar que ele queria fazer qualquer mal a ela. Houve
uma insensibilidade sobre todo o cenrio que parecia
desmentir qualquer inteno hostil. No entanto, foi a
mesma insensibilidade e descontrao que criou um
crescente sentimento de horror em Will. O homem
levantou a espada acima da menina. Evanlyn de boca
aberta, mas nenhum som saia e Will percebeu que mat-la
no significava nada, absolutamente nada, para o
guerreiro.
      Agindo sob sua prpria vontade, as mos de Will
tinham pegado uma flecha assim que a mo do guerreiro
caiu no punho da espada. A lmina curva subiu e Evanlyn
agachada na neve, uma mo levantada em uma tentativa
intil de afastar a lmina. Will saiu de trs da rvore,
trazendo o arco para si e com sua mente pensou
rapidamente na situao.
      Sua flecha no mataria. Era pouco mais de uma vara
pontiaguda, mesmo que esse ponto tinha sido endurecido
em um fogo. As chances eram de que, se ele visasse no
corpo do guerreiro, as peles grossas e jaqueta de couro
que ele usava iria parar a flecha antes que ela chegasse 
pele. Havia apenas um ponto vulnervel onde o homem
estava desprotegido e que foi, coincidentemente, que deu
a Will a melhor possibilidade de interromper o curso da
espada. O pulso do homem foi exposto assim que o brao
subiu a carne nua mostrando no final da manga de pele
grossa. Tudo isto foi registrado no tempo que levou para
trazer o arco para perto do seu rosto. Seu objetivo passou
sem problemas no pulso do homem, a ponta da flecha,
subindo ligeiramente para permitir a queda. Ele checou a
respirao automaticamente, em seguida, liberada.
      O arco deu um leve solavanco e a flecha pulou para
fora, enterrando na carne macia do pulso do guerreiro.
      Ouviu o grito sufocado de dor enquanto suas mos
se moviam rapidamente para pegar outra flecha e mand-
la aps a primeira. A espada caiu da mo do homem,
silenciosamente na neve espessa e fazendo com que
Evanlyn recuasse para no perder o brao. A segunda
flecha bateu contra luva grossa do homem
inofensivamente, ele agarrou seu pulso direito, o sangue
escorrendo sobre sua mo.
      Chocado e pego de surpresa, o homem olhou se
instintivamente na direo de onde a flecha havia chegado
e agora, vendo o movimento de Will quando disparou
pela segunda vez, pde distinguir a pequena figura atravs
da clareira. Com um rosnar de raiva, ele lanou seu pulso
ferido e agarrou um punhal longo de sua cintura com a
mo esquerda. Por um momento, se esqueceu de Evanlyn
e apontou na direo de Will para seus homens, gritando
para que eles o seguissem, em seguida, comeou a correr
em direo ao seu agressor.
      A terceira flecha retardou o homem baixo, uma vez
que piscou passando pelo seu rosto, causando-lhe um
desvio para lateral para evit-lo. Mas ento ele estava
vindo de novo e dois de seus homens estavam a seguir.
Ao mesmo tempo, Will viu um homem em direo a
Evanlyn e seu corao afundou-se quando ele percebeu
que tinha falhado. Ele enviou outra flecha em direo a
ele, sabendo que o esforo foi em vo. Voltando-se para
enfrentar o guerreiro em sentido contrrio, deixou cair o
arco intil e pegou a faca em seu prprio cinto.
      E ento ele ouviu um som do passado, um som
estranhamente familiar de horas gastas na floresta ao
redor do Castelo Redmont.
      O som profundo veio de algum lugar atrs dele, em
seguida, o ar-silvo da diviso de um eixo pesado viajando
a uma velocidade incrvel, com uma fora enorme por trs
dele. Por ltimo, ouviu um slido smack.
      A flecha aparecia no centro do peito do guerreiro.
Ele caiu de costas na neve. Outro silvo e o segundo
homem caiu. O terceiro virou e correu para os cavalos
amarrados no outro lado do campo. Will pensou que os
dois homens restantes j haviam fugido, indispostos a
enfrentar a misteriosa preciso do arco.
      Will hesitou, sua mente em um turbilho.
Instintivamente, ele sabia o que tinha acontecido.
Logicamente, ele no tinha idia de como tinha
acontecido. Ele se virou e mal o viu visvel, figura cinza
disfarada cerca de trinta metros atrs dele, o arco enorme
ainda estava no ponto, outra flecha preparada.
      -- Halt? -- Gritou, a voz embargada. Ele comeou
a correr em direo  figura, em seguida, lembrou.
Evanlyn! Ela ainda estava em perigo. Quando ele virou,
ouviu o raspar de ao sobre ao e viu que ela tinha
conseguido pegar o sabre cado e afastar o primeiro
ataque.
      Mas isso s poderia ser um alvio momentneo
como suas mos ainda estavam amarradas na frente dela e
ela estava firmemente amarrada  rvore. Ele apontou
para ela e gritou inarticuladamente, desesperadamente
pedindo Halt para disparar, em seguida, percebeu que a
viso do arqueiro da cena foi bloqueada por rvores.
      Em seguida, outra figura foi em direo a garota
lutando com seu agressor. Uma figura alta e bem definida
que parecia estranhamente familiar, vestindo uma tnica
branca com um smbolo estranho que parecia uma folha
de carvalho estilizada.
      Sua espada longa e reta interceptou a lmina curva e
a virou para baixo. Ento, ele se interpe entre Evanlyn e
o homem que estava tentando mat-la, em uma srie de
golpes de espada que confundiu os olhos, ele dirigia o
outro homem para se afastar da garota. Ele obviamente
tinha o melhor do intercmbio e seu adversrio se retirou
antes dele, os seus desvios e os cursos cada vez mais
desesperado quando ele percebeu que estava totalmente
derrotado. O homem atacou desajeitadamente com sua
lmina curva e foi desviado facilmente, fora de equilbrio,
estava para receber o golpe de retaliao.
     -- No mate! -- Halt gritou, bem a tempo, Horace
torceu o pulso de modo que a parte detrs da lmina, e
no o fio da navalha batesse na lateral da cabea do
homem. Os olhos do homem reviraram e ele cedeu ao
cho, inconsciente.
     E muita sorte.
     -- Queremos um prisioneiro -- o arqueiro falou
suavemente. Ento ele foi rechaado pelo impacto de um
corpo pequeno correndo de cabea nele, e um par de
braos que envolveram em torno de sua cintura, e Will
estava chorando e balbuciando sem pensar como ele
abraou seu professor, mentor e amigo. Halt deu um
tapinha no ombro suavemente, e ficou surpreso ao
encontrar uma nica lgrima deslizando pela sua face.
     Horace cortou as cordas com a ponta de sua espada
e gentilmente ajudou Evanlyn a ficar de p.
     -- Voc est bem? -- Ele perguntou ansiosamente,
ento, convencido de que era ela, no podia deixar um
enorme sorriso de alvio sair em seu rosto.
     -- Oh, Horace, graas a Deus voc est aqui! -- A
menina chorou, e jogando os braos em volta de seu
pescoo, ela escondeu o rosto no peito. Por um
momento, Horcio ficou perplexo. Ele foi para abra-la
em troca, percebeu que ele estava segurando a espada, e
hesitou desajeitadamente. Ento, chegou a uma deciso,
plantou-a firmemente, o primeiro ponto no cho, e
colocou os braos em volta dela, sentindo a suavidade
dela e o cheiro do perfume de seu cabelo e pele.
      Seu sorriso cresceu mais amplo, que ele no teria
pensado que era possvel. Ele decidiu que no h
vantagens concretas para ser um heri.
     -- Voc  realmente algum tipo de heri em
Gallica? -- Will perguntou, incrdulo, no  totalmente
certo que Halt e Horace fossem falar que era algum tipo
de brincadeira enorme. Mas o arqueiro grisalho balanava
a cabea enfaticamente.
     -- Uma figura de respeito -- disse ele. Evanlyn
virou-se para o guerreiro musculoso e inclinou-se para
tocar a sua mo levemente.
     -- No posso acreditar -- disse ela. -- Voc viu a
maneira como ele cuidou do soldado Temujai que estava
tentando me matar? -- Seus olhos eram chamas com um
calor incomum e Will, percebendo isso, sentiu uma
pontada sbita de cimes de seu velho amigo. Ento ele
empurrou o indigno pensamento de lado.
     Halt havia se indisposto a permanecer muito perto
do acampamento Temujai.
     No havia como dizer o quo longe a principal fora
poderia estar e sempre havia a possibilidade de que os
dois homens que haviam escapado poderiam levar outras
pessoas de volta para o local.
      Eles tinham refeito o trajeto que Halt e Horace
tinham seguido, se movendo em direo  fronteira, onde
eles haviam descoberto a primeira evidncia do assalto
Temujai. Em torno do meio do dia, eles encontraram um
lugar no topo de uma colina com uma boa viso do
terreno circundante e uma depresso em forma de disco
voador que iria mant-los escondidos de vista. Aqui, eles
podiam ver sem ser visto, e Halt decidiu acampar l.
      Ele havia construdo uma pequena fogueira,
controlados atravs de um bosque de pinheiros jovens, e
preparou uma refeio.
      Evanlyn e Will caram vorazmente no guisado
saboroso que o arqueiro tinha preparado e por um tempo
houve silncio, quebrado apenas pelo som de uma
alimentao especfica.
      Ento os velhos amigos, comearam a acompanhar
os acontecimentos que tiveram lugar desde o confronto
final com o exrcito Wargal nas plancies de Uthal. A
mandbula de Will tinha cado com espanto como Halt
descreveu como Horace tinha derrotado o terrvel Lord
Morgarath em um nico combate.
      Horace parecia envergonhado e devidamente Halt,
percebendo isso, descreveu o combate em um tom alegre,
brincando, o que implica que o menino tinha tropeado e
cado desajeitadamente nas patas do cavalo de batalha de
Morgarath, ao invs de optar por faz-lo como um
deliberado ltimo lance de dados para derrubar seu
oponente. O guerreiro aprendiz corou e salientou que a
sua manobra final de faca dupla de defesa tinha sido
ensinado a ele por Gilan e que ele e Will passaram horas
praticando a habilidade em sua viagem atravs da Cltica.
Ele fez soar como se, de alguma forma, Will mereceu
algumas partes do crdito para sua vitria. Enquanto ele
falava, Will recostou-se confortavelmente contra o tronco
e pensou o quanto Horace tinha mudado. Uma vez que
era seu inimigo jurado, quando ambos estavam crescendo
no castelo, Horace havia se tornado seu amigo mais
prximo.
      Bem, um de seus amigos mais prximos, ele pensou,
quando ele sentiu uma cabeada insistente contra o seu
ombro. Ele girou em torno, estendendo uma mo para
acariciar os ouvidos e coar o local entre. Puxo soltou
um relincho baixa de prazer com o toque da mo do seu
senhor. Desde que eles haviam sido reunidos, o cavalo
recusou-se a desviar mais de um metro ou dois da
presena de Will.
      Halt olhou para os dois agora, em toda a fogueira, e
sorriu interiormente. Ele sentiu uma enorme sensao de
alvio agora que tinha finalmente encontrado seu aprendiz.
Um peso de auto-acusao foi retirado, porque ele tinha
sofrido muito nos longos meses desde que ele tinha visto
a vela longe da costa Araluen com Will a bordo.
      Ele sentiu que no tinha o jovem, que de alguma
forma o traiu. Agora que o menino estava de volta com
segurana sob seus cuidados, ele foi preenchido com uma
profunda sensao de bem-estar.  certo que os
acontecimentos dos ltimos dias tambm deixaram uma
nova preocupao na parte traseira de sua mente, mas
para o momento, que poderia esperar enquanto ele gozava
da reunio.
      -- Voc acha que poderia convencer que o seu
cavalo de ficar com os outros cavalos por um minuto ou
dois? -- Disse ele com gravidade simulada. -- Caso
contrrio ele vai acabar acreditando que ele  um de ns.
      -- Ele ficou louco na primeira vez que Halt
encontrou as suas faixas -- Horace falou -- Ele deve ter
pegado o seu aroma e sabe que foi voc que estvamos
seguindo, embora Halt no tenha percebido isso.
      Nessa, Halt levantou uma sobrancelha. -- Halt no
percebei isso? -- Ele repetiu. "E eu suponho que voc
fez?
      Horace encolheu os ombros. -- Eu sou apenas um
guerreiro -- respondeu ele. -- Eu no sou um suposto
pensador. Deixo isso para vocs arqueiros.
      -- Devo admitir que me confundiu -- Halt disse. --
Eu nunca vi um cavalo de arqueiro se comportar assim.
Mesmo quando eu pedi-lhe para se acalmar e ficar em
silncio, eu poderia dizer que havia algo em sua mente.
Quando voc saiu das rvores para me abraar, eu pensei
que ele ia se atirar em voc.
      Will continuou a esfregar a cabea felpuda que se
inclinou para ele. Ele sorriu largamente ao redor do
acampamento. Agora que Halt estava aqui e ele foi
cercado por seus amigos mais prximos, ele se sentiu
seguro e protegido, uma vez mais, uma sensao que no
tinha apreciado em mais de um ano. Ele sorriu para o
arqueiro, aliviado que Halt havia ficado satisfeito com suas
aes. Evanlyn havia descrito a sua viagem atravs do Mar
Stormwhite, e a srie de eventos que levaram  sua
chegada Hallasholm.
      Horace tinha olhado com admirao quando ela
descreveu a forma como ela humilhou o capito Slagor na
cabine. Halt s tinha estudado seu aprendiz com um
olhar aguado e acenou com a cabea uma vez. Esse
movimento s queria dizer mais a vontade do que os
volumes de elogios de ningum, principalmente porque
ele no estava muito orgulhoso da forma como as coisas
tinham acontecido na Hallasholm, e seu vcio posterior a
erva do calor. Ele tinha pensado que Halt iria reprovar,
mas quando Evanlyn havia falado de seu desespero,
quando ela o encontrou no abrigo para escravos , cego e
irracional. O arqueiro apenas acenou com a cabea mais
uma vez e soltou uma praga em voz baixa para as pessoas
que infligir uma dessas substncias em outras. Seus olhos
encontraram Will ansioso atravs do fogo e vira uma
tristeza profunda, profunda l.
      -- Sinto muito que voc teve que passar por isso --
disse suavemente seu mestre, e Will sabia que tudo ficaria
bem.
      Eventualmente,     eles      tinham      falado    seu
preenchimento. Haveria detalhes que poderiam ser
preenchidos durante as prximas semanas, e l foram os
itens que eles tinham esquecido. Mas em termos gerais,
eles foram atualizados um com o outro.
      Houve, no entanto, um aspecto da histria de Halt,
que no tinha sido revelado. Nem Will nem Evanlyn
sabiam do banimento de Halt, ou a sua expulso do
Corpo de Arqueiros.
      Quando as sombras cresceram, Halt andou mais
uma vez para o local onde seu prisioneiro estava amarrado
de ps e mos. Ele soltou os laos por alguns minutos,
primeiro as mos, em seguida, os ps.
      O guerreiro Temujai grunhiu uma apreciao
sumria de alvio temporrio. Halt j tinha feito isso vrias
vezes durante a tarde, garantindo que o homem no
estava permanentemente incapacitado pela restrio do
fluxo de sangue para as mos e ps.
      Ele tambm lhe deu uma oportunidade para se
certificar de que o homem estava bem amarrado e que ele
no conseguiu solt-las ou fugir. Sabendo que no iria
receber nenhuma resposta, Halt, perguntou ao homem o
seu nome e sua unidade militar. Embora ele falasse a
lngua Temujai com fluncia razovel, tendo passado
vrios anos entre o povo, como eles chamavam a si
prprios, no viu nenhuma razo para informar o
prisioneiro desse fato. Como conseqncia, Halt usou
uma linguagem comum a todos os povos do Hemisfrio,
uma mistura de gauleses, teutes e palavras Temujai em
uma simples estrutura da lngua, pidgin, que no tomou
conhecimento da gramtica ou sintaxe do comerciante.
      Como ele esperava, o Tem'uj simplesmente ignorou
suas propostas. Halt encolheu os ombros e afastou-se, no
fundo do pensamento. Horace estava sentado junto 
lareira, cuidando da limpeza e lubrificao da espada.
Evanlyn estava na posio de sentinela no alto do morro,
vigiando a encosta abaixo deles. Ela seria substituda em
meia hora, ele pensou preguiosamente. Como Halt
andou para frente e para trs, pensando sobre o problema
que estava em sua mente, ele tomou conhecimento de
outra presena ao lado dele. Ele olhou ao redor e sorriu
ao ver Will ao seu lado, envolto no manto de arqueiro
cinza malhada que Halt tinha levado com ele, juntamente
com o arco que ele tinha feito e uma faca de Saxe. A dupla
bainha da faca item do equipamento de arqueiro Halt
tinha sido incapaz de encontrar um para o menino, j que
fora expulso do corpo de arqueiros. At agora, Will no
havia comentado sobre o fato.
      -- Qual  o problema? -- O jovem perguntou.
      Halt parou de andar para enfrent-lo, sua
sobrancelha arcos em uma expresso que era familiar a
Will.
      -- Problema? -- Ele repetiu. Will sorriu para ele,
recusando-se a ser adiado, recusando-se a ser desviado.
Ele cresceu muito no ano passado, Halt pensou,
lembrando-se que essa resposta teria uma vez ter deixado
o menino confuso e desconcertado.
      -- Ao ritmo que voc anda para l e para c como
um tigre enjaulado, isso normalmente significa que voc
est pensando em algum tipo de problema -- disse Will.
Halt mordeu os lbios, pensativo.
      -- E eu suponho que voc j viu muitos tigres? --
Perguntou ele.
      Will arregalou os olhos um pouco. -- E quando
voc tenta distrair-me da minha pergunta fazendo outra
pergunta, assim eu sei que voc est pensando sobre
algum problema -- acrescentou. Halt finalmente cedeu.
Ele no tinha idia de que seus hbitos se tornaram to
fcil de interpretar. Ele fez uma nota mental para mudar
as coisas, ento se perguntou se ele no estava ficando
velho demais para isso.
      -- Bem, sim -- respondeu ele. -- Devo admitir que
eu tenho algo em minha mente. Nada grave. No deixe
que preocupe voc.
      -- O que ? -- Disse seu aprendiz sem rodeios, e
Halt inclinou a cabea para os lados.
      -- Voc v -- explicou ele -- quando eu digo 'no
deixe que preocupe voc', quero dizer, no h nenhuma
necessidade real para que possamos discuti-lo.
      -- Eu sei disso -- disse seu aprendiz. -- Mas o que
 afinal?
      Halt respirou fundo e depois soltou em um suspiro.
-- Eu me lembro que uma vez eu tinha muito mais
autoridade do que eu pareo ter estes dias -- disse ele a
ningum em particular. Ento, percebeu que ele ainda
estava esperando ansiosamente, ele cedeu.
      -- So estes Temujai -- disse ele -- Eu gostaria de
saber o que esto fazendo. -- Olhou atravs de seu
acampamento para onde o Tem'uj estava sentado,
devidamente amarrado. -- E eu tenho a chance de
encontrar uma bola de neve em um incndio florestal do
saber do nosso amigo ali.
      Will que deu de ombros. --  realmente uma das
nossas preocupaes? -- questionou.
      -- Afinal, certamente podemos deix-los e os
Skandians o combatem.
      Halt considerou este, arranhando o queixo com o
indicador e o polegar. -- Acho que voc est pensando ao
longo das linhas do velho ditado" O inimigo do meu inimigo 
meu amigo"?, Disse ele. Will que deu de ombros
novamente.
      -- Eu no estava pensando exatamente com essas
palavras -- disse ele. -- Mas isso soma-se a situao
muito bem, voc no acha? Se o Skandians so mantidos
ocupados lutando contra esses Temujai, ento eles no
sero capazes de nos incomodar com as suas incurses
costeiras, ser que no?
      -- Isso  verdade, at certo ponto -- Halt admitiu.
-- Mas h outro velho ditado:" Pelo contrrio, o diabo voc
conhece. "Alguma vez voc j ouviu algo assim?
      -- Sim. Ento voc est dizendo que estes Temujai
poderiam ser muito mais um problema que os Skandians?
      -- Oh sim. Se derrotar os Skandians, no h nada
para impedi-los de mover-se sobre Teutlandt, Gallica, e
finalmente Araluen.
      -- Mas eles tm de vencer primeiro os Skandians,
no? -- Will disse. Ele sabia, por experincia em primeira
mo, que o Skandians eram ferozes, guerreiros
destemidos. Ele podia v-los formando um tampo eficaz
entre o Temujai invadindo outras naes ocidentais, com
ambos os lados acabando severamente enfraquecida pela
guerra e no representem uma ameaa no futuro prximo.
Era uma perfeita posio estratgica, ele disse-se
confortavelmente. As prximas palavras de Halt fez
sentir-se bem menos confortvel.
      -- Oh, eles vo derrot-los. No se engane sobre
isso. Vai ser um selvagem, sangrenta guerra, mas o
Temujai vai ganhar.
     Aps     a janta, Halt juntou o pequeno grupo. O
vento tinha aumentado com o incio da noite e
misteriosamente assobiou entre os ramos dos pinheiros.
Era uma noite clara, e a lua brilhava acima deles.
      -- Will e eu estvamos discutindo antes -- ele lhes
disse. -- E eu decidi que, a nossa discusso diz respeito a
todos ns, e  justo lhes dizer o que eu estava pensando.
      Horcio e Evanlyn trocaram olhares perplexos.
Ambos tinham pensado simplesmente que o mestre e o
aprendiz estavam matando o tempo perdido. Agora, ao
que parece, havia outra coisa a considerar.
      -- Em primeiro lugar -- Halt continuou, vendo que
ele tinha toda a ateno deles -- meu objetivo  fazer com
que voc, Will, e a Pr... -- Ele hesitou, parando antes que
ele usasse o ttulo de Evanlyn. Todos tinham concordado
que seria mais seguro para ela continuar com o seu nome
falso at que voltassem para casa. Ele se corrigiu. -- Will e
Evanlyn, e Horace,  claro, atravessem a fronteira para
fora da Skandia. Como fugitivos vocs esto em perigo
considervel se os Skandians recapturarem vocs. E,
como todos sabem, o perigo  ainda maior para Evanlyn.
      Os trs ouvintes acenaram. Will tinha dito a Halt e
Horace sobre o risco de Evanlyn se Ragnak descobrisse
sua verdadeira identidade como filha do rei Duncan. O
Oberjarl tinha jurado um juramento de sangue para o
Vallas, o trio de deuses selvagens, que governou a religio
Skandian, no qual ele prometeu a morte de qualquer
parente do Rei Araluen.
      -- Por outro lado -- Halt disse -- Estou
profundamente preocupado com a presena do Temujai
aqui na fronteira da Skandia. Eles no chegaram a este
ponto oeste, em vinte anos, e a ltima vez que eles
fizeram, eles colocaram todo o mundo ocidental em risco.
      Agora, ele realmente tinha a ateno deles, ele viu.
Horace e Evanlyn endireitaram-se e inclinaram-se um
pouco mais perto dele. Ele viu o olhar perplexo no rosto
do jovem guerreiro na fogueira.
      -- Certamente, Halt, voc est exagerando, no? --
Horace perguntou.
      Will olhou para o seu amigo. -- Isso  o que eu
pensei tambm -- disse ele calmamente -- mas
aparentemente no.
      Halt balanou a cabea com firmeza. -- Eu desejo
que eu esteja -- disse ele. -- Mas se o Temujai est
movendo-se em vigor,  uma ameaa para todos os
pases, Araluen includo.
      -- O que aconteceu da ltima vez, Halt? -- Foi
Evanlyn que falou agora, com a voz incerta, a
preocupao evidente nela. -- Voc estava l? Voc quis
lutar com eles?
       -- Eu lutei com eles e, eventualmente, contra eles --
afirmou categoricamente. -- Havia coisas que deveria
aprender com eles e fui enviado para faz-lo.
       Horace franziu a testa. -- Tais como? -- Perguntou
ele. -- O que os Arqueiros esperam aprender com um
grupo de cavaleiros selvagens? -- Horace, deve ter
admitido ter uma idia um pouco inflacionada do grau de
conhecimento do Corpo de Arqueiros.
       Simplificando, ele pensava que sabia quase tudo o
que valia a pena conhecer.
       -- Voc quis saber como eles fizeram os seus arcos,
no ? -- Disse de repente. Lembrou-se de ver as curvas
realizadas pelos cavaleiros e pensou em como eles eram
semelhantes s suas. Halt olhou para ele e assentiu.
       -- Isso foi parte dela. Mas havia algo mais
importante. Fui enviado para fazer comrcio com eles por
alguns de seus garanhes e guas. Os cavalos de arqueiros
de hoje foram originalmente criados a partir dos rebanhos
Temujai -- explicou. -- Ns encontramos seu arco
recurvo interessante, mas quando voc considera o quo
difcil e demorado que  fazer, e que no oferece nenhuma
melhora significativa no desempenho do arco. Mas os
cavalos eram uma questo diferente.
       -- E eles ficaram felizes com a troca? -- perguntou
Will. Enquanto falava, ele virou-se para estudar o cavalo
alguns passos atrs dele. Puxo, vendo-o virar para olhar,
relinchou uma saudao macia. Agora que Halt
mencionou, havia uma clara semelhana com os cavalos
que tinha visto no campo Temujai.
      -- Eles no foram! -- Halt respondeu com um
sincero agitar da cabea. -- Eles guardavam zelosamente
seu plantel. Eu sou provavelmente ainda um ladro de
cavalos entra a nao.
      -- Voc os roubou? -- Horace perguntou, em tom
levemente reprovador.
      Halt escondeu um sorriso, e respondeu.
      -- Deixei o que eu considerava um preo justo -- ele
lhes disse. -- O Temujai tinha outras idias sobre o
assunto. Eles no estavam interessados em vender a
qualquer preo.
      -- De qualquer forma -- Will disse impaciente, que
indeferiu a questo de saber se os cavalos tinham sido
comprados ou roubados -- o que aconteceu quando o
exrcito invadiu?
      Halt agitou a pequena pilha de brasas entre eles com
a ponta de uma vara carbonizada at que uma das poucas
lnguas da chama cintilou nas brasas. -- Eles estavam indo
mais para o sul -- disse ele. -- Eles invadiram a nao
Ursali e os Reinos Mdio sem parar. Eles eram os
guerreiros finais, rpidos, incrivelmente corajosos, mas
acima de tudo, altamente disciplinados. Eles lutaram
como uma grande unidade, sempre, enquanto os exrcitos
que os enfrentavam quase sempre acabavam brigando em
pequenos grupos de talvez uma dzia de cada vez.
     --  Como puderam fazer isso? -- Evanlyn perguntou.
Ela esteve entre o exrcito de seu pai, tempo o suficiente
para saber que o maior problema enfrentado por qualquer
comandante em batalha estava hospedado em manter
controle efetivo e manter a comunicao com as tropas
sob seu comando. Halt olhou para ela, percebendo o
interesse profissional atrs de sua pergunta.
      -- Eles desenvolveram um sistema de sinalizao que
permite que o seu comandante central direcione todas as
suas tropas em manobras concertadas -- disse ele. -- 
um sistema muito complexo, baseando-se em bandeiras
coloridas de diferentes combinaes. Eles podem at
funcionar durante a noite -- acrescentou. -- Eles
simplesmente substituem as bandeiras por lanternas
coloridas. Francamente, no havia nenhum exrcito capaz
de det-los, assim eles se dirigiram em direo ao mar.
      -- Eles cortaram o canto nordeste do Teutlandt, em
seguida, atravs da Gallica. Cada exrcito que enfrentou,
eles derrotaram. Suas tticas superiores e disciplina os
fizeram imbatveis. Eles estavam a apenas trs dias da
costa Gallican quando finalmente pararam.
      -- O que os impediu? -- Will perguntou. Um arrepio
perceptvel tinha cado ao longo dos trs jovens ouvintes
como Halt havia descrito o avano inexorvel do exrcito
Temujai. Na questo, o arqueiro deu uma risada curta.
      -- Poltica -- disse ele. -- E um prato de moluscos de
gua doce.
     --  Poltica? -- Horace bufou de desgosto. Como um
guerreiro, ele tinha um desprezo saudvel para a poltica e
os polticos.
      -- Isso mesmo. Foi quando Mat'lik foi o Sha'shan,
ou lder supremo. Agora, entre as pessoas como o
Temujai, essa  uma posio altamente instvel.  tomado
pelo mais forte contendor e poucos Sha'shans morreram
em suas camas. Embora Mat'lik o tenha feito, foi como
ele saiu -- ele acrescentou, antes de continuar.
      -- Como resultado,  prtica normal para qualquer
um que possa contestar a posio ser atribudas tarefas
que mant-los longe da casa. Neste caso, o primo, o
irmo, e o sobrinho de Mat'lik foram os candidatos mais
provveis, de modo que eram mantidos ocupados com o
exrcito. Dessa forma, no s no poderiam chegar at a
maldade em torno dele, mas todos podiam manter um
olho em um outro tambm. Naturalmente, eles no
confiavam totalmente uns aos outros.
      -- No era perigoso dar-lhes o controle sobre o
exrcito? -- Will perguntou. Halt assentiu, significava que
a pergunta era uma boa.
      -- Normalmente, poderia ser. Mas a estrutura de
comando foi projetada de modo que nenhum deles tinha
o controle absoluto. O irmo de Mat'lik, Twu'lik era o
comandante estratgico. Mas seu sobrinho era o
tesoureiro e seu primo era o intendente. Todos eles
tinham reivindicaes muito iguais com a lealdade dos
soldados. Dessa forma, eles poderiam manter um ao outro
na linha.
      -- Ento onde  que as amijoas entram? -- Horace
perguntou. A comida era sempre uma questo de interesse
para ele. Halt recostou-se contra um tronco.
      -- Mat'lik adorava moluscos de gua doce -- ele lhes
disse. -- Tanto que ele tinha feito sua mulher lhe preparar
um prato grande quando eles estavam fora de poca.
Parece que alguns deles estavam contaminados e ele foi
tomado por um ataque terrvel, enquanto comia. Ele
gritou, apertou sua garganta, caiu e entrou em coma
profundo. Era bvio que ele estava muito perto da morte.
      -- Naturalmente, quando a notcia chegou ao
exrcito, os trs principais candidatos para o cargo no
poderiam voltar para o tribunal Sha'shan rpido o
suficiente. A sucesso era decidida por uma eleio entre
os Shans snior e sabiam que se eles no estivessem l
para distribuir as propinas e compra de votos, algum
poderia receber o prmio.
      -- Ento, eles simplesmente abandonaram a invaso?
-- Will perguntou. -- Depois que eles tinham chegado to
longe?
      Halt fez um gesto de desprezo. -- Eles eram um
bando pragmtico -- disse ele. -- Gallica no estava indo
embora. Eles abriram caminho por l uma vez, eles
podem sempre faz-lo novamente.
      -- Ento o hemisfrio ocidental foi salvo por um
prato de amijoas ruim? -- Evanlyn disse.
       O grisalho arqueiro sorriu sombriamente.
       --  surpreendente como muitas vezes a histria 
decidido por algo to trivial como marisco ruim -- disse
ela.
       -- Onde voc estava quando tudo isso estava
acontecendo, Halt? -- Will perguntou ao seu mestre.
       Halt sorriu novamente na memria. -- Acho que 
um daqueles momentos que nunca esquecerei -- disse ele.
-- Eu estava cavalgando para a costa, com um pequeno
rebanho de... -- Ele hesitou, olhando de soslaio para
Horcio. -- ... Bastante comprados cavalos, e uma
patrulha de combate Temujai estava bem atrs de mim.
Eles ganhavam de mim. De repente, uma manh, eles me
assistiram galopar. Em seguida, eles simplesmente se
viraram para trs e comearam a trotar at  sua ptria.
       Houve um breve silncio assim que ele terminou o
conto. Halt poderia ter apostado que seria Will, que viria
com a prxima pergunta, e ele no ficou desapontado.
       -- Assim quem se tornou o Sha'shan? -- Perguntou
ele. -- O irmo, o sobrinho ou primo?
       -- Nenhum deles -- respondeu Halt. -- A eleio foi
para um candidato azaro que teve projetos sobre os
pases a leste da terra indgena Temujai. Os outros trs
foram executados por abandonar a sua misso no
Ocidente. -- Ele despertou o fogo novamente, voltando
aos dias quando os cavaleiros que o estavam perseguindo
subitamente desistiram da perseguio e deixou-o fugir.
       -- E agora eles esto de volta -- disse ele, pensativo.
     Eles    levantaram acampamento cedo na manh
seguinte e comearam a descer em direo ao caminho
que iria lev-los atravs da fronteira, mais uma vez.
Horace tinha oferecido a Evanlyn o cavalo de batalha
preto que havia pertencido a Deparnieux. Quando ela
tinha protestado que este era um animal muito, ele sorriu
timidamente.
      -- Talvez. Mas eu estou acostumado a Kicker. Ele
conhece os meus caminhos. -- E isso foi o fim da
questo. O prisioneiro montou um dos cavalos que
haviam tomado no acampamento Temujai. O segundo foi
levando as embalagens e materiais que, at agora, tinha
sido levado por Puxo. Naturalmente, o cavalo de
arqueiro era agora o orgulho de seu mestre h muito
tempo desaparecido.
      Quando chegaram mais perto de uma linha de
rvores no fundo da colina, Puxo mostrou a sua
felicidade, mais uma vez, jogando a cabea e relinchando.
Halt sorriu.
      -- Estou feliz que ele est feliz -- disse ele. -- Mas
eu espero que ele no esteja pensando em manter isso
todo o caminho.
      Will sorriu em resposta e inclinou-se no pescoo do
cavalo pequeno.
      -- Ele vai se estabelecer em breve -- disse ele. Ao
toque, Puxo danou alguns passos e atirou a cabea
novamente. Surpreendentemente, Abelardo copiou suas
aes.
      -- Agora ele tem o meu cavalo fazendo isso tambm
-- disse Halt, mais do que um pouco surpreso. Ele
acalmou Abelardo com uma palavra quieta, ento se virou
para Will novamente. -- Voc parece ser popular entre os
cavalos do mundo, de qualquer maneira. Eu pensei... --
Sua voz foi embora e ele no terminou a frase. Will viu o
seu corpo enrijecer em ateno e o arqueiro se torcer na
sela, olhando para as rvores, as quais estavam agora perto
dos dois lados.
      -- Merda! -- Ele murmurou baixinho. Ele virou-se
para Horace e Evanlyn, andarem para trs e levarem o
cavalo do prisioneiro, mas antes que ele pudesse falar,
houve uma briga de movimento nas rvores e um grupo
de guerreiros armados saram a pblico por trs deles,
bloqueando sua retirada.
      Halt virou rapidamente para frente mais uma vez,
como um segundo grupo surgiu das rvores, abanando
para os lados e se deslocando para cort-los em todas as
direes.
      -- Skandians -- exclamou Will, como ele
reconheceu os capacetes com chifres e escudos de
madeira redondo. Os ombros de Halt caram em um gesto
de desgosto consigo mesmo.
      -- Sim. Os cavalos tm tentado alertar-nos, s eu
no percebi isso.
      Uma figura corpulenta, usando um capacete enorme
com chifres e com uma axe de lmina dupla jogada com
negligncia, por cima do ombro direito, adiantou.
      Atrs deles, Halt ouviu o sussurro sinistro de ao em
couro quando Horace desembainhou a espada. Sem se
virar, ele disse:
      -- Ponha de volta, Horace. Acho que h muitos
deles, at mesmo para voc.
      Como Horace tinha se movimentado, o machado
enorme subiu de imediato para a posio pronta. Agora,
que ele falou, Will reconheceu a voz familiar.
      -- Eu acho que ns queremos que vocs desam
dos cavalos, se voc no se importa.
      Incapaz de se conter, Will deixou escapar: -- Erak!
-- E o homem deu um passo mais perto, olhando a
segunda figura envolta em frente dele. O capuz tinha
obscurecido rosto e o Jarl no o reconheceu. Agora, ele
podia distinguir as caractersticas do rapaz e ele franziu a
testa quando ele percebeu que havia algo de familiar em
outro dos cavaleiros.
      Ele no tinha reconhecido Evanlyn, envolta em uma
capa contra o frio. Agora, no entanto, tinha certeza era
ela. Ele amaldioou silenciosamente sob sua respirao,
depois se recuperou.
      -- Desam -- ele ordenou. -- Todos vocs.
      Olhou o crculo de homens de volta com os quatro
cavaleiros desmontados. O quinto, ele notou com algum
interesse, foi amarrado ao seu cavalo e no poderia
cumprir. Ele apontou para dois de seus homens para
obter o prisioneiro para baixo da sela.
      Halt jogou para trs o capuz sobre a sua capa e Erak
estudou a face sombria e barbuda.
      Agora que ele desmontou, o homem era
surpreendentemente pequeno, particularmente contra a
prpria forma de Erak, corpulento. Will foi jogar para trs
seu prprio capuz, mas Erak o deteve com um gesto de
mo.
      -- Deixe-o por um momento -- disse ele em voz
baixa. Ele no sabia quantos de seus homens poderiam
reconhecer o ex-escravo que tinha escapado de
Hallasholm meses atrs, mas por agora, alguma coisa lhe
disse que quantos menos fizessem a ligao, melhor seria.
Ele olhou advertidamente para Evanlyn.
      -- Voc tambm -- ele ordenou, e ela inclinou a
cabea em concordncia. Erak voltou a olhar para trs
para Halt.
      -- Eu j o vi antes -- disse ele. Halt assentiu.
      -- Se voc est dizendo Jarl Erak, ns nos vimos
brevemente na praia pelos pntanos, disse ele, e o
reconhecimento ocorreu nos olhos do Jarl. No era o
rosto do homem que tinha atingido um acorde em sua
memria, e sim, a maneira que prendeu a si mesmo e o
arco macio que ele carregava ainda. Halt continuou: --
No era bem uma distncia entre ns, se bem me lembro.
      Erak resmungou. -- Eu me lembro que estvamos
bem na linha de tiro doe arco -- disse ele. Halt assentiu
com a cabea, reconhecendo o ponto. O rosto do
Skandian escureceu com raiva quando ele olhou mais uma
vez o arco e a aljava de setas penduradas no cinto de Halt.
      -- E agora voc tem at o mesmo negcio sujo --
disse ele. -- Apesar o que esses dois tm a ver com isso,
est alm de mim. -- Acrescentou em tom perplexo,
empurrando um polegar a Will e Evanlyn.
      Agora foi a vez de Halt olhar perplexo. -- O
negcio sujo?
      Erak deu um ronco enojado. -- Eu vi voc com esse
arco, lembra? Eu sei o que voc pode fazer. E acabei de
ver mais da sua obra na Passagem da Serpente.
      Entendimento alcanou Halt. Lembrou-se da viso
dos corpos abandonado no pequeno forte na fronteira.
Esse deve ser o negocio sujo que este Skandian estava se
referindo.
      Desde que a guarnio havia sido morta pelos
arqueiros e Erak sabia das habilidades de Halt com um
arco, ele havia saltado para uma rpida, e no muito lgica
concluso.
      -- No  o nosso trabalho -- disse ele, sacudindo a
cabea. Erak aproximou-se dele.
      -- No? Eu os vi l. Todos tiro. E ns seguimos
suas faixas de l.
      -- Ento, voc pode ter -- disse calmamente Halt
-- mas se voc  algum tipo de rastreador, voc saberia
que havia apenas dois de ns. Encontramos a guarnio
na passagem do morto. E ns seguimos as faixas de um
grande partido que os mataram.
      Erak hesitou. Ele no era um perseguidor. Ele era
um capito de mar. Mas um dos homens que tinham ido
com ele era um caador ocasional. Enquanto ele no tem
as habilidades estranhas que um arqueiro havia
desenvolvido para a interpretao de trilhas, Erak agora se
lembrou que o seu homem tinha dito algo sobre a
possibilidade de haver dois grupos.
      -- Ento -- disse perplexo com o rumo dos
acontecimentos --se voc no fez isso, quem foi?
      Halt apontou um polegar ao prisioneiro. -- Ele e
seus amigos -- disse ele. -- Ele estava em uma festa
Temujai ontem. Houve um grande grupo que atacou a
guarnio da fronteira, em seguida, seis deles vieram para
a Skandia.
      -- Temujai, voc diz? -- Erak perguntou-lhe. Ele
sabia do povo guerreiro do leste,  claro, mas tinha sido
h dcadas que eles tinham vindo dessa forma em todos
os nmeros.
      -- Matamos um par deles -- Halt disse a ele. --
Dois escaparam e ns capturamos um presente.
      Erak pisou para onde o preso estava as mos
amarradas na frente dele. Ele estudou o homem
apresentado, face marrom de pele e as peles que o homem
usava.
      -- Ele  um Temujai, tudo bem... Mas o que eles
esto fazendo aqui? -- Perguntou, quase para si mesmo.
      -- Essa  a pergunta que eu estava me perguntando
-- Halt respondeu.
      Erak olhou para ele com um lampejo de raiva. Ele
odiava estar confuso. Ele preferia um simples problema
simples, do tipo que ele poderia resolver com o seu
Broadax. -- Para que a bagagem -- ele retrucou -- O que
voc est fazendo aqui?
      Halt o encarou uniformemente --Eu vim pelo
menino -- disse ele calmamente.
      Erak olhou para ele, ento para a figura menor ao
lado dele, o rosto ainda largamente ocultado pelo capuz
cinza manchado. Sua raiva desvaneceu-se to rapidamente
como se tivesse queimado.
      -- Sim -- disse ele, num tom mais calmo -- Ele
disse que voc viria.
      Como a maioria Skandians, Erak valorizava lealdade
e coragem. Outro pensamento lhe atingiu e ele no
perguntou por algum tempo.
      -- Na praia -- disse ele. -- Como voc sabia onde
encontrar-nos?
      -- Voc deixou um de seus homens para trs --
disse Halt -- Ele me disse.
      A descrena era evidente no rosto de Erak.
      -- Nordal? Ele teria cuspido em seu olho antes que
lhe dissesse alguma coisa.
      -- Eu acho que ele pensou que me devia -- disse
calmamente Halt. -- Ele estava morrendo e tinha perdido
a sua espada, ento eu dei de volta para ele.
      Erak foi falar, ento hesitou. Skandians acreditava
que, se um homem morresse sem uma arma na mo, sua
alma estaria perdida para sempre. Parecia que o arqueiro
sabia sobre a crena.
      -- Ento, eu estou em dvida -- disse ele
finalmente. Ento, depois de uma pausa -- Eu no tenho
certeza de como isso afeta a situao atual, no entanto. --
Ele esfregava sua barba, pensativo, olhando para o
guerreiro Temujai pouco feroz, para todo o mundo como
um falco amarrado. -- Eu ainda gostaria de saber o que
este rapaz e seu bando esto fazendo.
      -- Isso  o que eu tinha em mente -- Halt disse a
ele. -- Eu estava planejando deixar os meus
companheiros aqui na fronteira em Teutlandt. Ento eu
pensei que eu poderia voltar com o nosso amigo aqui e
encontrar o resto do Temujai e ver quantos deles existem.
      Erak bufou. -- Voc acha que ele vai dizer? --
Perguntou ele. -- Eu no sei muito sobre o Temujai, mas
eu sei quanto a isso: voc pode tortur-los at a morte e
nunca vo te dizer qualquer coisa que eles no querem.
      -- Sim. Ouvi dizer isso tambm -- disse Halt. --
Mas pode haver um caminho.
     -- Ah, pode? -- O Jarl perguntou com desdm. --
E o que esse caminho poderia ser?
     Halt olhou para o guerreiro a cavalo. Olhava a sua
discusso com algum interesse. Halt sabia que ele falava a
lngua de negociao, mas no tinha idia de quanto da
lngua comum pudesse entender. Como membro de um
grupo de reconhecimento, era provvel que ele tivesse
algum domnio da lngua. Ele pegou o brao do Jarl e
levou-o a poucos passos de distncia, fora do alcance da
voz.
     -- Eu antes pensava que eu poderia deix-lo escapar
-- disse ele suavemente.
     Os     dois homens estiveram no emaranhado de
cabos deitado na neve. Erak mordeu os lbios, depois
voltou a parar. -- Bem, at agora, voc est certo -- disse
ele. -- O mendigo escapou logo que Olak fingiu
adormecer no dever de guarda. -- Olhou para os lados
para o Skandian grande que tinha sido designado para o
turno passado. -- Voc fingiu adormecer, no ? --
Acrescentou, com um toque de sarcasmo.
     O guerreiro sorriu com facilidade para ele. -- Eu
estava maravilhoso, Jarl Erak -- disse ele. -- Voc nunca
viu uma representao fiel de um homem dormindo. Eu
deveria ter sido um jogador de viajar.
     Erak grunhiu de ceticismo. -- E agora? --
Perguntou ele para Halt.
     -- Agora, eu vou segui-lo enquanto ele me leva ao
corpo principal do Temujai -- o arqueiro disse. -- Como
vimos na noite passada.
     -- Estive pensando sobre isso -- respondeu Erak.
-- E eu decidi que vamos fazer uma mudana. Eu vou
com voc.
      Halt estava andando em direo ao local onde os
cavalos foram amarrados. Ele parou e virou-se para
enfrentar o lder Skandian, um olhar determinado em seu
rosto. -- Ns discutimos isso na noite passada. Ns
concordamos que seria mais rpido e menos perceptvel
se eu fosse sozinho.
      -- No. Ns no concordamos que isso. Est
decidido que... -- Erak se corrigiu. -- E mesmo que voc
esteja certo, voc s vai ter que se contentar por ser mais
lento e mais ruidoso, e dar subsdios para o fato.
      Halt desdenhou no ar para iniciar um protesto, mas
Erak o antecipou.
      -- Seja razovel -- disse ele. -- Concordamos que
as circunstncias fazem-nos aliados temporrios
      --  por isso que voc vai manter meus trs
companheiros aqui como refns -- Halt falou com
sarcasmo, e Erak simplesmente deu de ombros.
      -- Claro. Eles so a minha garantia de que voc vai
voltar. Mas ponha-se no meu lugar. Se houver um exrcito
Temujai l fora em algum lugar, eu no quero ter um
relatrio de segunda para o Oberjarl. Eu quero v-lo por
mim mesmo. Ento eu vou com voc. Eu posso precisar
que voc acompanhe o prisioneiro, mas posso fazer o
meu prprio olhar.
      Ele fez uma pausa, esperando para ver a reao de
Halt. O arqueiro no disse nada, ento Erak continuou:
-- Afinal, os refns podem assegurar que voc volta. Mas
eles no so nenhuma garantia de que voc vai me dar um
relatrio preciso, ou mesmo um honesto.
      Halt parecia pesar a declarao por alguns segundos.
Ento ele viu uma possvel vantagem.
      -- Tudo bem -- ele concordou. -- Mas se voc est
vindo comigo, no h necessidade de manter os meus
companheiros como refns para garantir meu retorno.
Deixe-os ir para o outro lado da fronteira, enquanto voc
e eu vamos encontrar o Temujai.
      Erak lhe sorriu e balanou a cabea lentamente. --
Eu no penso assim -- respondeu ele. -- Eu gostaria de
pensar que posso confiar em voc, mas no h realmente
nenhuma razo para que eu a no ? Se voc sabe que os
meus homens esto segurando seus amigos, poderia
torn-lo menos provvel acertar uma dessas facas em mim
no minuto que ns estivermos fora da vista sobre o
monte l.
      Halt estendeu as mos em um gesto inocente. --
Voc acha mesmo que um baixinho como eu poderia tirar
o melhor de um grande lobo do mar, pesado como voc?
      Erak sorriu tristemente para ele. -- Nem por um
momento -- disse ele. -- Mas desta maneira eu vou
poder dormir noites e virar as costas para voc, sem me
preocupar.
      -- Muito bem -- Halt concordou. -- Agora,
podemos comear indo embora enquanto as faixas ainda
esto frescas, ou prefere argumentar at que a neve
derreta?
      Erak encolheu os ombros. -- Voc  o nico que
est nos fazendo discutir -- disse ele.
      -- Vamos.
       Halt olhou por cima do ombro para Abelardo
definir seus cascos de forma mais segura contra a encosta
ngreme. Atrs dele, Erak balanava inseguro sobre o
dorso do cavalo Temujai. O prisioneiro tinha feito a sua
fuga a p, e Halt havia decidido que o pequeno pnei seria
melhor para Erak montar do que qualquer um cavalo de
batalha de Horace. Os guerreiros Skandian, como era seu
costume, estavam viajando a p.
      -- Eu pensei que voc disse que podia andar -- ele
desafiou o Jarl que segurou nervosamente em sua
montaria, segurando-se na sela mais pela fora bruta do
que qualquer sentido inerente de equilbrio.
      -- Eu posso -- respondeu Erak rangendo os dentes.
-- Eu no disse que eu podia andar bem.
      Eles estavam seguindo o rastro do guerreiro Temujai
o dia todo. Depois de fazer o seu caminho atravs da
passagem da Serpente, sua fuga tinha colocado de volta
em um arco da fronteira Teutlandt e estavam cerca de
trinta quilmetros em territrio Skandian mais uma vez.
Halt balanou a cabea, em seguida, voltou para
perscrutar o cho na frente deles, procurando os rastros
fracos que o Tem'uj tinha deixado para trs.
      -- Ele  muito bom -- disse ele calmamente.
      -- Quem  esse? -- Erak perguntou, a ltima
palavra a ser rasgada por ele como seu cavalo cambaleou e
caiu a poucos passos. Halt indicou o caminho que estava
seguindo. O Skandian olhou, mas no podia ver uma
coisa.
      -- O Tem'uj -- Halt continuou. -- Ele est
cobrindo suas faixas. Eu no acho que qualquer homem
teria sido capaz de segui-lo.
      Esse foi o cerne da questo. Quando Halt e Erak
concordaram em unir foras na noite anterior, tinha sido
o resultado de sua necessidade mtua. Inclinao natural
de Halt havia sido de ver o que o Temujai estava fazendo.
Erak tinha a mesma necessidade.
      Mas ele tambm tinha necessidade das habilidades de
monitoramento de Halt. Ele era muito consciente das
limitaes de seus prprios homens.
      -- Bem -- disse ele aos trancos --  por isso que
voc est aqui, no ?
      -- Sim -- Halt sorriu sombriamente. -- A questo
, porque voc est?
      Erak sabiamente no disse nada. Ele concentrou
seus esforos para ficar montado no cavalo conforme ele
se esforava na ladeira ngreme, sob o peso
desacostumado do capito de mar volumoso Skandian.
      Eles vieram para o topo com uma pressa sbita, os
seus cavalos lutando nos ltimos metros, atravs da neve
molhada. Encontraram-se olhando para baixo em um vale
profundo, amplo, e, alm disso, outra cadeia de
montanhas.
      Abaixo deles na vasta plancie, uma massa de
fogueiras enviando colunas de fumaa em espiral no ar
final da tarde, espalhando-se tanto quanto os olhos
podiam ver, milhares deles, cercado por milhares de feltro
em forma de cpula tendas. O cheiro da fumaa atingiu-
lhes. No  inebriante e perfumado, como o pinho de
fumo, mas com cheiro acre e azedo. Erak torceu o nariz
em desgosto.
      -- O que eles esto queimando? -- Perguntou ele.
      -- Esterco de cavalo seco -- Halt respondeu
brevemente. -- Eles exercem a sua fonte de combustvel
com eles. Olha.
      Ele apontou para onde a manada de cavalos Temujai
podia ser visto, uma gigantesca massa amorfa que parecia
fluir atravs do fundo do vale com os cavalos pastando
procurando algo fresco.
      -- Caramba! -- Erak exclamou, espantado com os
nmeros. -- Quantos so?
      -- Dez mil, talvez doze -- Halt respondeu
brevemente. O Skandian deixou escapar um assobio
baixo.
      -- Voc tem certeza? Como voc pode dizer? --
Essa no era uma questo sensvel, mas Erak foi
esmagado pelo tamanho do rebanho de cavalos e ele fez a
pergunta para dizer alguma coisa do que por qualquer
outra razo. Halt olhou para ele secamente.
      --  um velho truque de cavalaria -- disse ele. --
Voc conta as pernas e dividir por quatro.
      Erak devolveu o olhar. -- Eu estava s puxar
conversa, arqueiro --          disse ele. Halt parecia
singularmente impressionado com a declarao.
      -- Ento, no -- respondeu ele em breve. Houve
um silncio em que estudou o campo inimigo.
      -- Voc est dizendo que h dez a doze mil
guerreiros l embaixo? -- Erak perguntou finalmente. O
nmero era assustador. Na melhor das hipteses, a
Skandia poderia colocar uma fora de mil e quinhentos
guerreiros em campo para enfrent-los. Talvez dois mil,
no exterior. Significava que as probabilidades de seis ou
sete para um. Mas Halt foi sacudindo a cabea.
      -- Parece mais cinco a seis mil -- estimou. -- Cada
guerreiro ter pelo menos dois cavalos. H provavelmente
outras quatro a cinco mil pessoas no trem de bagagem e
colunas de abastecimento, mas eles no so combatentes.
      Isso foi um pouco melhor, Erak pensou. As
probabilidades tinham reduzido para cerca de trs ou
quatro para um. Um pouco melhor, pensou ele. No
muito.
       -- Espere aqui -- Halt disse -- Eu vou descer para
olhar mais de perto.
       -- Para o inferno com o espera aqui -- Erak disse a
ele. -- Eu vou com voc.
       Halt olhou para o Skandian grande, sabendo que
seria intil argumentar. Ainda assim, ele fez  tentativa. --
Suponho que isso no far diferena se eu apontar que
vou ter que ser o mais discreto possvel?
       Erak balanou a cabea. -- Nem um pouco. Eu no
estou levando de volta um relatrio de para o Oberjarl. Eu
quero um olhar mais prximo dessas pessoas, ter uma
idia do que estamos enfrentando.
       -- Eu posso dizer contra o que voc est lutando --
Halt disse sombriamente.
       -- Eu vou ver por mim mesmo -- disse o Jarl
teimosamente, e Halt deu de ombros, finalmente cedendo
       -- Tudo bem. Mas mova-se com cuidado, e tente
no fazer muito barulho. O Temujai no so idiotas, voc
sabe. Eles tm piquetes nas rvores ao redor do campo,
bem como sentinelas no permetro.
      -- Bem, voc acabou de me dizer onde eles esto e
eu vou evit-los -- Erak respondeu, com um pouco calor.
-- Eu posso ser discreto quando eu preciso.
      -- Assim como voc pode montar, suponho -- Halt
murmurou para si mesmo. O Skandian ignorou o
comentrio,      dando      continuidade     ao     brilho
obstinadamente dele. Halt encolheu os ombros. -- Bem,
vamos logo com isso.
      Eles amarram os cavalos em uma rvore, em seguida,
comearam a trabalhar seu caminho atravs das rvores
para o vale abaixo deles. Eles tinham ido a poucas
centenas de metros, quando Halt se voltou para o
Skandian.
      -- Existem ursos nestas montanhas? -- Perguntou
ele.
      Seu companheiro assentiu. -- Claro. Mas  um
pouco no incio do ano para que eles se movam ao nosso
redor. Por qu?
      Halt soltou um longo suspiro. -- S uma vaga
esperana, realmente. H uma possibilidade que, quando o
Temujai ouvir voc bater em torno das rvores, eles
possam pensar que voc  um urso.
      Erak sorriu, apenas com a boca. Seus olhos eram to
frios como a neve.
      -- Voc  uma pessoa muito divertida -- disse ele a
Halt. -- Eu gostaria de rachar seu crebro com meu
machado um dia.
      -- Se voc conseguisse faz-lo silenciosamente --
disse Halt. Ento ele virou-se e continuou a liderar o
caminho para baixo do morro, um fantasma entre as
rvores, deslizamento de um pedao de sombra para o
prximo, mal perturbando uma sucursal ou um galho
quando ele passou.
      Erak tentou, sem sucesso, coincidir com o
movimento silencioso do arqueiro. Com cada um de seus
ps deslizando na neve, cada chicote de um ramo que
passava, os dentes de Halt trincaram. Ele tinha apenas
determinado que ele teria que deixar o Skandian para trs
uma vez que tem uma curta distncia do acampamento
Temujai quando ele vislumbrou algo fora de sua deixada
nas rvores. Rapidamente, ele levantou a mo para Erak
parar. O Skandian grande, no compreendeu a natureza
imperativa do gesto, mantida em movimento at que
estava ao lado Halt.
      -- O que  isso? -- Perguntou ele. Ele manteve a
voz baixa, mas para Halt parecia um berro que ecoou
entre as rvores.
      Ele colocou sua prpria boca prxima ao ouvido do
Skandian e respirava, com uma voz quase inaudvel, --
Listening Post. Nas rvores.
      Era uma tcnica Temujai familiar: sempre que uma
fora acampava durante a noite, jogavam uma tela
escondida, dois homens ficavam de guarda para dar o
alerta precoce de qualquer tentativa de ataque surpresa.
Ele e Erak acabaram de passar por tal posto, de modo que
agora estava  sua esquerda e um pouco atrs deles. Por
um momento, Halt brincou com a idia de continuar a
descer o morro, ento ele descartou. A tela  geralmente
implantada em profundidade. S porque eles tinham
passado um posto no quer dizer que no havia outros
antes deles. Ele decidiu que poderia ser melhor cortar suas
perdas e extrair-se o mais silenciosamente possvel,
confiando a escurido para escond-los. Isso significaria
abandonar a idia de olhar mais atento na fora Temujai,
mas no poderia ser ajudado. Alm disso, juntamente com
Erak, era improvvel que iria ficar muito mais perto sem
ser visto, ou, mais provavelmente, de ouvido. Ele
inclinou-se para o outro e falou baixinho, mais uma vez.
      -- Siga-me. V devagar. E preste ateno onde voc
pe os seus ps.
      A neve debaixo das rvores foi coberto de galhos
mortos e pinhas. Vrias vezes, como eles fizeram o seu
caminho em declive, ele estremeceu quando Erak tinha
pisado, forte, em galhos cados, quebrando-os com
rachaduras.
      Silenciosamente, Halt voava entre as rvores,
movendo-se como um espectro, a deslizar para a
cobertura depois que ele tinha ido algumas cinqenta
passos. Ele olhou para trs e acenou para o Skandian,
assistindo com um momento de apreenso de como o
grande homem movido, balanando sem jeito como ele
colocou seus ps com um cuidado exagerado. Finalmente,
incapaz de v-lo por mais tempo, Halt olhou
ansiosamente para a esquerda, para ver se havia algum
sinal de que os homens no posto de escuta tinham visto
ou ouvido falar deles.
      E ouviu um estalo alto, seguido por uma praga
abafada, a partir da colina abaixo dele. Erak pisou em, um
ramo podre partido ao meio sobre a neve em frente a ele.
      -- Calma -- murmurou Halt a si mesmo, na
esperana desesperada de que o grande homem teria o
sentido de permanecer imvel. Em vez disso, Erak feito o
erro fundamental que guerreiros treinados quase sempre
faziam. Ele correu, na esperana de que a velocidade
pudesse ajud-lo, e que o movimento sbito lhe desse
uma distncia do Temujai no posto de escuta.
      Soou uma mensagem por cima e um vo de flechas,
se chocou com a rvore atrs da qual o Skandian tinha
cobertura. Halt olhou ao redor de sua rvore. Ele podia
ver duas formas na escurido. Um deles foi se afastando,
soando uma buzina. O outro estava pronto, uma flecha na
corda do seu arco, olhos fixos no lugar que Erak estava se
escondendo.
      Esperando o Skandian se mover. Esperando para
deixar o eixo voar mortalmente para ele.
      De alguma forma, Halt tinha que dar uma chance de
Erak escapar. Ele chamou baixinho -- Eu vou sair e
distra-lo. Assim que eu fizer, voc vai para a prxima
rvore.
      O Skandian assentiu. Agachou-se um pouco, se
preparando para fazer uma corrida para ele. Halt chamou
novamente.
      -- S para a prxima rvore. No mais -- disse ele.
-- Isso  tudo que voc vai ter de tempo antes que ele se
volte em voc. Acredite em mim.
      Novamente, o Skandian assentiu. Ele tinha visto a
velocidade e a preciso com que o sentinela Temujai
comeou o primeiro tiro de distncia. Ele questionou
como ele iria ficar mais longe do que a rvore prxima. A
manobra de distrao do sentinela s funciona uma vez.
Ele esperava que o arqueiro tivesse outra coisa em mente.
      Desaparecendo agora, ele podia ouvir as notas da
buzina soar o alarme quanto o outro sentinela correu para
baixo, pedindo reforos. Seja o que Halt for fazer, pensou,
 melhor faz-lo em breve.
      Erak viu a forma difusa do arqueiro quando ele
entrou na clara atrs da rvore. Erak esperou um
batimento cardaco, depois correu, as pernas bombeando
na neve, por ltimo um mergulho de corpo inteiro atrs
do grosso tronco de pinheiro assim que uma flecha
assobiou por, pouco mais de sua cabea. Seu corao era
de corrida, apesar de ter abrangido mais de dez metros em
sua corrida at a colina. Ele olhou em volta para Halt e viu
o arqueiro, de volta a cerca de cinco metros mais longe.
Ele tinha o seu prprio arco pronto agora, uma flecha
pronta. Seu rosto estava amarrado em uma carranca de
concentrao. Sentiu os olhos do Skandian sobre ele e
chamou atravs do espao de interveno.
      -- D uma olhada. Cuidadosamente, no lhe d o
suficiente de um alvo para atirar. Veja se ele est na
mesma posio.
      Erak balanou a cabea e um olho afiado ao redor
do fuste da rvore. O guerreiro Temujai ainda estava de
p, onde tinha sido, o seu arco pronto. As questes em
p, ele segurou a mo superior, estando pronto para atirar
quando um dos dois se mover. Halt, por outro lado, teria
de passar para o claro, a viso do homem, objetivo e, em
seguida atirar. At o momento ele havia realizado as duas
primeiras aes, ele estaria morto.
      -- Ele no mudou -- Erak falou para o arqueiro.
      -- Diga-me se ele mudar -- Halt falou baixinho no
retorno. Deitado de barriga para baixo na neve, com
apenas uma frao do rosto salientes ao redor da rvore,
Erak assentiu.
      Atrs de sua rvore, Halt encostou-se a casca spera
e fechou os olhos, respirou profundamente. Este teria que
ser um tiro instintivo. Imaginou novamente a figura
escura do Tem'uj, recortadas contra o fundo mais claro da
neve. Lembrou-se da posio, fixando-a em seu crebro,
deixando sua mente assumir o controle de suas mos,
dispostas a mira e solte para tornar-se uma seqncia
instintiva. Ele forou sua respirao a se estabelecer em
um ambiente calmo, o ritmo lento, sem pressa. O segredo
da velocidade no era a pressa, ele disse a si mesmo. Em
sua mente, ele observava o vo da flecha como ele iria
atirar. Ele imaginou que uma e outra vez at que parecia
ser uma parte dele, uma extenso natural do seu prprio
ser.
      Ento, em um estado quase de transe, ele se mudou.
      Suavemente. Ritmicamente. Pisando fora para o
claro, girando em um movimento fluido de modo que seu
ombro esquerdo estava na direo do alvo, a mo direita
puxou para trs a corda, mo esquerda empurrando o arco
afastado at que ele estava pronto. Com o objetivo de
atirar em memria. Nem mesmo viu a figura escura nas
rvores at que a flecha j estava solta, j a diviso do ar
no seu caminho ao alvo.
      E, quando ele finalmente viu o arqueiro na sua viso
consciente, sabendo que o tiro foi bom.
      O eixo pesado foi para casa. O Tem'uj caiu de costas
na neve, o seu prprio tiro de meio segundo mais tarde,
foi inofensivo para os topos dos pinheiros.
      Erak ficou de p, a respeito da pequena, figura-cinza
camuflada com algo prximo a admirao.
      Ele percebeu que j havia uma segunda flecha na
seqncia do arco. Ele ainda no tinha visto o arqueiro
fazer isso.
      -- Pelos deuses -- ele murmurou, soltando uma
mo pesada no ombro do pequeno homem. -- Eu estou
contente voc est do meu lado.
      Halt sacudiu a cabea brevemente, reorientando a
sua ateno. Ele olhou com raiva ao Skandian grande.
     -- Eu disse que voc prestasse ateno onde voc
pe os seus ps -- disse ele acusadoramente. Erak
encolheu os ombros.
     -- Eu fiz -- respondeu ele tristemente. -- Mas
enquanto eu estava ocupado vendo o cho, eu bati o ramo
com a minha cabea. Quebrou-a em dois.
     Halt ergueu as sobrancelhas. -- Eu suponho que
voc no est falando sobre sua cabea -- ele murmurou.
Erak franziu a sugesto.
     -- Claro que no -- respondeu ele.
     -- Mais  uma pena -- Halt disse-lhe, em seguida,
fez um gesto at a colina. -- Agora vamos sair daqui.
     Quando eles chegaram ao monte, Halt parou para
olhar para trs. Erak parou ao lado dele, mas ele agarrou o
brao do homem maior e o empurrou em direo  cerca
onde os dois cavalos estavam amarrados.
      -- Continue! -- Gritou.
      No vale abaixo deles, podia ouvir buzinas de alarme
sonoro e, fraca, o som dos gritos.
      Na encosta da colina abaixo, ele podia ver o
movimento entre as rvores como as Temujai que tinha
sido escondida em postos de escuta em torno da encosta
j quebraram s e dirigiam para cima em busca dos dois
intrusos.
      -- Ninho de vespas -- murmurou para si mesmo.
Ele estima que deve haver pelo menos meia dzia de
cavaleiros no morro abaixo dele, a posio para cima. A
maior parte era, obviamente, formando no prprio
campo, tendo em vista a posio em torno da base do
morro e pegar ele e Erak entre duas foras perseguindo.
      Sozinho, e montado em Abelardo, ele estava
confiante de que ele pudesse fugir-los facilmente. Mas
sobrecarregados pelo Skandian, ele no estava to certo.
Ele tinha visto a habilidade do homem como um
cavaleiro, que era praticamente inexistente. Erak parecia
permanecer na sela por fora de uma enorme quantidade
de fora de vontade e de resto pouco mais. Halt sabia que
ele teria de chegar a algum tipo de ttica de adiar, para
retardar a busca para baixo e dar-lhe tempo de Erak voltar
para a fora maior de Skandian.
      Estranhamente, apesar de terem sido inimigos
nominais at agora, o pensamento de abandonar o
Skandian para os cavaleiros perseguidores Temujai nunca
lhe ocorreu.
      Ele olhou para trs para onde tinham amarrado o
cavalo de Erak, Abelardo,  claro, no precisava amarrar.
Ele viu com alguma satisfao, que o capito conseguiu
saltar para a sela e estava sentado desajeitadamente
montado. Halt acenou uma mo agora em um gesto
inequvoco para ele.
      -- Vamos! -- Gritou. -- Vai! Vai! Vai!
      Erak no precisou de nenhum segundo a mais. Ele
virou o cavalo para enfrentar descidas, balanando
perigosamente fora de um lado, como ele fez para
conseguir manter em seu lugar apenas por pegar na crina e
agarrar com as pernas poderosas em torno do cavalo.
Ento, metade dentro e metade fora da sela, ele levou o
cavalo a descer a encosta, derrapando e deslizando na
neve macia molhada, desviando perigosamente entre as
rvores. Em um estgio, Erak esqueceu de que o cavalo se
conduzia para os ramos de um enorme pinheiro carregado
de neve. Houve uma exploso de neve e tanto cavalo e
cavaleiro surgiu revestido em p branco e grosso.
      Halt balanava suavemente na sela de Abelardo e o
cavalo pouco fiado ordenadamente. Halt sentou
facilmente quando Abelardo deslizou, marcou, derrapou e
recuperou o equilbrio, a ganhar sobre o outro cavalo e
cavaleiro em cada passo.
      Ele vai ter a sorte se sobreviver mais de cinqenta
metros, Halt pensou como Erak montava, meio fora de
controle, desviou e derrapou e caiu entre as rvores.
Parecia apenas uma questo de tempo antes que o cavalo
e o cavaleiro colidissem com um dos grandes troncos de
pinheiro.
      Ele pediu Abelardo a um maior esforo e o cavalo
respondeu imediatamente. Ele empatou com o cavalo e
cavaleiro mergulhando para parar, inclinando-se para um
lado, foi capaz de agarrar as rdeas  direita. Erak h
muito havia abandonado e foi agarrado a vida no arco de
sela.
      Agora, pelo menos, Halt poderiam exercer algum
controle sobre o pequeno mergulho de cabea do outro
cavalo. Abelardo, de p firme e gil, levou-os atravs das
rvores e Halt deixou a escolha para ele inteiramente. O
chumbo rdea empurrou e puxou seu brao, mas ele se
agarrou a ela desesperadamente, forando o outro cavalo a
seguir as faixas de Abelardo. Abelardo, como tinha sido
treinado para fazer, escolheu o mais direto e, ao mesmo
tempo, o caminho mais claro abaixo da montanha. Eram
dois teros da maneira para baixo agora e Halt estava
comeando a sentir-se mais otimistas sobre suas chances
de escapar, quando ouviu gritos e o som dos cornos
malditos por trs deles. Ele olhou rapidamente para trs,
mas as rvores densamente crescentes obscureceram sua
viso. No entanto, ele sabia que a sbita exploso de som
anunciava o aparecimento da prossecuo Temujai no
topo da montanha.
      E ele sabia que era s uma questo de tempo antes
que a reviso o alcanasse, assim como ele havia
alcanado o Skandian volumoso sobre o cavalo pequeno.
      Um ramo fino batido em seu rosto, trazendo
lgrimas aos olhos e punindo-o por tirar sua ateno da
direo que ele estava dirigindo. Ele balanou a cabea
para se livrar do acompanhamento da chuva de neve que
o ramo tinha trazido com ele, ento, vendo o caminho a
seguir era clara, ele se virou de novo brevemente para
fazer incentivo para Erak.
      -- Mantenha pendurado -- ele gritou e o Skandian
prontamente fez exatamente o oposto, liberando seu
aperto com uma mo para que ele pudesse fazer uma
confirmao.
      -- No se preocupe comigo! -- Gritou. -- Eu estou
bem!
      Halt balanou a cabea. Francamente, ele tinha visto
sacos de batatas que poderia sentar-se um cavalo melhor
do que Erak. Ele questionou a forma como o Skandian
nunca conseguiu manter os ps no convs de um exigente
navio. As rvores foram diluindo em torno deles agora,
ele notou. Ento ele ouviu a nota zurrar de um dos chifres
Temujai a sua esquerda e percebeu que o primeiro dos
partidos prximos ao redor da base da montanha do
acampamento devia estar prximo da posio deles. Seria
uma coisa correr perto, ele pensou sombriamente. Seu
ligeiro aumento na presso do joelho enviado Abelardo
delimitadora ainda mais rpido. De trs, ouviu um grito
assustado de Erak como ele quase perdeu a vaga
novamente. Outro relance disse-lhe que o Skandian ainda
estava montado, e que estourou no cho entre as
montanhas.
      Ele tinha razo. Era uma estreita corrida. O cavaleiro
lder do partido Temujai varrido em vista sobre o terreno
plano entre as montanhas. Eram quase duas centenas de
metros de distncia. Halt arrastando o cavalo de Erak
brutalmente, tocou Abelardo com seus saltos e definir os
dois cavalos a galope para trs ao longo da via que eles
tinham seguido no incio do dia. No solo mais claro agora,
ele poderia olhar para trs mais facilmente. Ele viu pelo
menos uma dzia de cavaleiros a persegui-los. Por um
momento, o arqueiro grisalho tinha um sentido diferente
de dj vu, sua mente corria de volta todo o ano para o
momento em que ele estava dirigindo uma manada de
cavalos roubados com outra parte da Temujai uivando
pelo seu sangue atrs dele. Ele sorriu. Obviamente que os
cavalos tinham sido roubados. Ele simplesmente no
podia suportar decepcionar Horace quando lhe contou
sobre seu encontro precedente com os cavaleiros
orientais. Ele sentiu no momento que o menino tinha sido
bastante desiludido por um dia.
      Agora ele aliviou Abelardo, permitindo que o outro
cavalo nivelasse com eles, e atirou as rdeas para o Jarl
Skandian, que bateu e deu uma guinada na sela ao lado
dele. Surpreendentemente, Erak pescou. No havia nada
de errado com seus reflexos, em todo caso, Halt pensou.
      -- Continue! -- Ele gritou com o Skandian.
      -- ... O que voc tem... ... ... em mente? -- Erak
respondeu com irregularidades, as palavras balanantes
fora dele quando ele foi lanado e bateu na sela.
      -- Indo retard-los -- Halt respondeu brevemente.
-- No pare para assistir. Basta manter-se to duro como
voc pode!
      Erak rangeu os dentes, como ele desceu
pesadamente sobre a sela. -- Isso  to difcil... ... Como
eu posso! -- Respondeu ele. Mas Halt j estava
balanando a cabea. O arqueiro tinha seu arco longo de
todo os ombros e foi brandindo na mo direita.
      Erak viu o que estava por vir, um momento
demasiado tarde para fazer qualquer coisa sobre ele.
      -- No! -- Ele comeou. -- No, voc!
      Mas ento o arco batido para baixo em toda a garupa
de seu cavalo com um estalo sonoro e a fera saltou para
frente, picado.
      A profanao que Erak estava preparando para Halt
foi perdida na sua elaborao quando ele se agarrou na
sela mais uma vez para manter seu equilbrio. Por um
segundo ou dois, ele ficou furioso. Ento ele percebeu
que ainda estava na sela, que ele poderia manter o seu
lugar neste mesmo ritmo acelerado. Assim, quando o
cavalo comeou a abrandar a uma velocidade mais
confortvel, ele bateu a mo grande em toda a sua parte
traseira por vrias vezes, dirigindo-o.
      Halt assistiu com satisfao como seu companheiro
passou a frente, incitando o cavalo a maiores esforos.
Em poucos segundos, varreu Erak em torno de uma
curva no caminho que foi formado entre duas das colinas
e estava fora de vista.
      Ento, em resposta a um bem-aprendidas sinal
joelho, Abelardo deu voltas sobre as patas traseiras,
girando em um semicrculo, para que chegasse a parar em
um ngulo reto com a direo que estava seguindo.
      Em um instante, o cavalo tinha ido de um galope
para executar uma paragem completa.
      Agora ele ficou parado com o seu mestre em p nos
estribos, uma flecha na seqncia do seu arco enorme.
      Ele lhes permitiu fechar-se um pouco mais longe,
avaliando o ritmo a que eles estavam diminuindo a
distncia entre ele e os outros, estimando quando ele
precisava libertar. Ele fez isso sem pensar, permitindo que
os instintos e os hbitos arraigados de anos de prtica
interminvel assumissem por ele. Quase sem perceber, ele
lanou a flecha, navegando em um arco raso para os
perseguidores.
      Eram cento e cinqenta metros dele quando a flecha
atingiu o cavaleiro. Ele deslizou para o lado para o cho,
tentando manter a sua influncia sobre as rdeas e fazer o
seu cavalo ir para baixo. O cavaleiro diretamente atrs
dele, totalmente tomado pela surpresa, no teve chance de
evitar o cavalo cado de seu lder.
      Ele e seu cavalo vieram abaixo, bem como,
acrescentando que o emaranhado de pernas e braos e
corpos que rolou em uma confuso de neve lanada.
      Os cavaleiros atrs deles foram atirados na mais
completa confuso, com os cavaleiros tentando arrastar
seus cavalos para longe da confuso pela frente.
      Cavalos mergulharam, ficando no caminho um do
outro, deslizando na neve, rubrica em todas as direes
para evitar o acidente. Com essa confuso, Halt j estava
galopando para longe, o arredondamento da curva e indo
atrs de Erak.
      Lentamente, o Temujai recuperou a ordem. O lder
do cavalo tinha recuperado os seus ps e mancava em um
crculo, soprando e bufando descontroladamente. O
cavaleiro estava na neve no centro de um crculo de
vermelho. Agora, os outros podiam ver a causa de todos
os problemas: a pesada e preta flecha. Acostumado a usar
o arco com habilidade mortal, eles no estavam
familiarizados com a sensao de estar sendo alvos.
      Talvez, eles perceberam, uma desvairada dos dois
cavaleiros que fugiram no era uma boa idia. O Temujai
no foram covardes. Mas eles no eram bobos tambm.
Eles tinham acabado de ver a evidncia clara da sua
misteriosa preciso. Eles classificaram-se para fora e
partiram em busca de novo, mas no to ansiosamente
quanto antes, e no to rapidamente.
      Atrs deles, segundo o piloto, que colidiu com o
lder cado, foi deixado em uma v tentativa de pegar o
cavalo do lder. Seu prprio tinha quebrado o pescoo na
queda. Ele no parecia em demasiada pressa para retomar
a perseguio.
     Halt parou duas vezes mais retardar os cavaleiros
atrs deles. Ambas s vezes, ele desmontado, permitindo
que Abelardo trotasse na prxima curva da pista de modo
que ele estava fora de vista. Ento Halt esperava, de p
nas sombras profundas dos pinheiros, quase invisvel no
manto cinza e verde.
      Quando os cavaleiros Temujai surgiam por volta de
uma curva na pista atrs dele, Halt lanava duas flechas no
mximo, em um vo parablico. Cada vez, os cavaleiros
estavam mesmo conscientes de que estavam a ser
alvejados at que dois dos seus cassem de suas selas na
neve.
      Halt escolheu suas posies de emboscada
cuidadosamente. Ele escolheu lugares onde havia uma
viso clara da pista atrs dele, mas ele no escolheu cada
seco. Aps o terceiro ataque, cada vez que o Temujai
abordava numa curva do caminho, que retardou sua
perseguio, temendo que eles estivessem entrando em
outra saraivada de flechas pretas descendo do cu para
eles.
      Nas duas ltimas vezes, eles nem sequer viram Halt
antes de ele se mover para remontar Abelardo. Eles logo
comearam a racionalizar, argumentando que no havia
nenhuma necessidade real para capturar os dois homens
que foram espiar o acampamento. Havia, afinal, de que
dois homens poderiam fazer para prejudic-los e se eles
alertaram as foras Skandian, bem, o Temujai tinha vindo
aqui preparado para lutar de qualquer maneira.
      Este foi o resultado que Halt tinha esperando. Aps
parar duas vezes, ele fez Abelardo em um galope
constante, logo ultrapassando Erak como ele balanou e
balanou na sela do seu cavalo galopando agora. Erak
ouviu o abafado dos cascos batendo atrs dele e balanou
desajeitadamente na sela, meia  espera de ver um grupo
de Temujai chegando por trs. Ele relaxou quando ele
reconheceu a figura-cinza camuflada do arqueiro. Seu
cavalo, sem ningum para continuar incitando-o, diminuiu
o seu ritmo quando Abelardo bateu ao lado.
      -- Onde  que... Voc foi? -- Erak perguntou, da
mesma maneira irregular.
      Halt apontou para a pista atrs dele. -- Comprar-nos
algum tempo -- respondeu ele. -- No seria possvel que
voc mantenha seu ritmo de correr mais rpido do que
isso?
      Erak olhou insultado. Ele pensou que ele estava
fazendo muito bem.
      -- Voc sabe que eu sou um excelente piloto --
disse ele com firmeza. Halt olhou por cima do ombro.
No havia nenhum sinal de qualquer perseguio, mas no
havia como saber por quanto tempo o Temujai levaria a
perceber que ele no estava esperando por eles em cada
esquina. Se eles continuaram neste delicado, ritmo, os
cavaleiros atrs de si que alcanaram a distncia perdida a
qualquer momento.
      -- Voc pode acreditar que voc  um excelente
piloto -- ele falou -- mas h um grupo de Temujai l que
realmente so. Agora vai!
      Erak viu a ascenso do longo arco, comear a cair
na garupa de seu cavalo, mais uma vez. Desta vez, ele no
perdeu flego ou tempo gritando para Halt no faz-lo.
Ele pegou um punhado de crina assim que o cavalo fugiu
de distncia debaixo dele. Balanando na dor e
requintado, consolou-se com o pensamento de que,
quando este tivesse acabado, ele teria separado o arqueiro
de sua cabea.
      Halt incitando o cavalo Temujai a enviar maiores
esforos, sempre que ele comeou a diminuir. Os marcos
em torno deles comeou a assumir um aspecto familiar,
ento eles estavam a galope na Passagem da Serpente,
chegando ao posto de fronteira abandonado. L,
acampados fora dos muros do pequeno forte, vinte
guerreiros Skandian e Evanlyn e os dois aprendizes
estavam esperando por eles. O Skandians ficaram de ps
rapidamente, pegando suas armas, quando os dois cavalos
chegaram correndo.
      Halt trouxe Abelardo derrapando at parar ao lado
de seus trs companheiros. Erak tentou imitar a ao, mas
seu cavalo bateu por mais de vinte metros ou mais e ele
teve que se desajeitadamente em torno do balano,
balanando e escorregando na sela, como se viu, e
fatalmente caindo em um monte de neve quando o cavalo,
finalmente decidiu parar.
      Dois ou trs dos Skandians, imprudentemente,
deixaram sair risos curtos, assim que Erak se levantou. Os
olhos do Jarl varreram sobre eles, frio como gelo glaciar,
marcando-os para referncia futura. O riso morreu to
rapidamente como tinham surgido.
      Halt jogou sua perna sobre a sela e deslizou para o
cho. Ele acariciou pescoo de Abelardo em gratido. O
cavalo foi pouco mal respirando com dificuldade. Ele foi
criado para fazer isso todos os dias, se necessrio. O
arqueiro viu os olhares curiosos das pessoas ao seu redor.
      -- Voc achou o grupo principal? -- Will que,
finalmente, perguntou.
      Halt acenou sombriamente. -- Encontramos todos
eles direito.
      -- Milhares deles -- acrescentou Erak, e o
Skandians reagiu com surpresa a notcia. Erak silenciou-os
com um gesto.
      -- H uns cinco ou seis mil deles l fora,
provavelmente posio dessa maneira agora.
      Mais uma vez, havia murmrios de surpresa e
consternao quando ele mencionou os nmeros. Um dos
Skandians adiantou.
      -- O que eles querem, Erak? -- Perguntou ele -- O
que eles esto fazendo aqui?
      Mas foi o arqueiro que respondeu  pergunta -- Eles
querem o que eles querem sempre -- disse ele
severamente -- Eles querem suas terras. E eles esto aqui
para tirar isso de voc.
      Sua audincia olhou de um para o outro. Ento Erak
decidiu que era hora de assumir o comando da situao.
      -- Bem, eles vo achar que somos um osso duro de
roer -- declarou ele. Ele pegou a sua arma destruidora de
um pequeno arco para indicar o forte por trs deles. --
Vamos manter o forte aqui e atras-los, enquanto um de
ns leva a palavra de volta para Hallasholm -- disse ele.
-- Pode haver cinco mil deles, mas eles s podem vir at
ns, em pequenas quantidades atravs da passagem.
Devemos ser capazes de mant-los por quatro ou cinco
dias pelo menos.
      Houve um rosnado de parecer favorvel do
Skandians, e vrios deles varreu seus eixos atravs do ar
em padres experimentais. O Jarl foi crescendo em
confiana, agora que ele tinha um plano definido de ao.
E era o tipo de plano, que apelou para o esprito
Skandian: simples, descomplicada, fcil de entrar em vigor
e com um grau de desordem envolvido. Ele olhou para
Halt, que o observava em silncio.
      -- Vou ter que utilizar seu cavalo de novo -- disse
ele. -- Vou mandar um dos meus homens de volta para
Hallasholm sobre ele para dar o alarme. O resto de ns
vai ficar aqui e lutar. -- Novamente, houve um rosnado
selvagem da Skandians em resposta. O Jarl continuou: --
Quanto a voc, voc pode ficar e lutar com a gente ou
seguir seu caminho.  irrelevante para mim.
      Halt balanou a cabea, um olhar de amargo
desapontamento em seu rosto.
      --  muito tarde para irmos agora -- disse ele
simplesmente. Ele virou-se para seus trs jovens
companheiros e encolheu os ombros se desculpando. --
A fora principal Temujai situa-se em todo o nosso
caminho de volta para Teutlandt. Ns no temos escolha,
seno ficar aqui.
      Will trocou olhares com Evanlyn e Horace. Sentiu
um afundamento no poo de seu estmago. Eles tinham
estado to perto de escapar, to perto de ir para casa.
      --  minha culpa -- Halt continuou, dirigindo suas
palavras aos dois ex-prisioneiros. -- Eu devia ter te
libertado imediatamente em vez de ir ver o que o Temujai
estava fazendo. Eu pensei, na pior das hipteses, seria um
reconhecimento em vigor. Eu no tinha idia que era uma
invaso.
      -- Est tudo bem, Halt -- Will disse a ele. Ele
odiava ver seu mentor se desculpar ou culpar a si mesmo.
Aos olhos de Will, Halt no podia fazer nada de errado.
Horace apressou-se a concordar com ele.
      -- Ns vamos ficar aqui e manter-los para trs com
o Skandians -- disse ele, e um dos guerreiros de lobo do
mar por perto lhe bateu de corao nas costas.
      -- Esse  o esprito, rapaz! -- Disse ele, e vrios
outros em coro a aprovao das intenes de Horace. Mas
Halt balanou a cabea.
      -- Ningum deve ficar aqui. No h nenhum ponto.
      Isso trouxe uivos de raiva e escrnio do Skandians.
Erak silenciou-os e deu um passo  frente, olhando para o
valor mnimo no manto cinzento.
      -- Sim, h um ponto -- disse ele, em tom
ameaador silncio. -- Vamos mant-los aqui at Ragnak
poder reunir a fora principal para aliviar-nos. H vinte e
um de ns. Isso deve ser mais do que suficiente para
segurar os mendigos l fora por um tempo. No vai ser
como quando abateram a guarnio aqui. Havia apenas
uma dzia de homens aqui ento. Vamos mant-los fora,
ou ns vamos morrer na tentativa.  irrelevante para ns,
enquanto ns os atrasamos por trs ou quatro dias.
      -- Voc no vai durar trs ou quatro horas -- disse
categoricamente Halt, caiu um silncio sobre o pequeno
grupo. O Skandians estavam muito chocados com a
enormidade do insulto  sua resposta. Erak foi o primeiro
a se recuperar.
      -- Se voc acredita -- ele disse sombriamente --
ento voc nunca viu Skandians lutar, meu amigo. -- As
ltimas duas palavras realizando um enorme peso de
sarcasmo e demisso. Agora os outros Skandians
encontraram suas vozes e um coro com raiva cresceu. O
arqueiro esperou a gritaria morrer. Finalmente eles se
calaram.
      -- Voc sabe que eu tenho -- disse ele, sem tirar os
olhos de Erak.
      O lder Skandian franziu a testa. Ele conhecia a
reputao de Halt, como um homem de luta e um ttico.
O homem era um arqueiro, afinal de contas, e Erak sabia
o suficiente sobre o misterioso Corpo de arqueiros que
eles no estavam propensos a emisso insultos inteis ou
fazer observaes irrefletidas.
      -- A questo  -- Halt continuou -- voc viu a luta
Temujai?
      Ele permitiu que a questo pendurar-se no ar frio
entre eles. Houve um momento de silncio a partir do
Skandians. Nenhum deles tinha, claro. Vendo que ele
tinha a sua ateno, Halt continuou.
      -- Porque eu tenho. E eu vou lhe dizer o que eu
faria se eu fosse o general Temujai.
      Ele varreu o brao at abranger as encostas ngremes
da passagem onde se erguia acima do pequeno forte.
      -- Eu ia mandar um grupo de homens at as
paredes do passe l acima de ns. Digamos, duzentos ou
algo assim. E de l, eu atiraria em qualquer um
suficientemente corajoso de mostrar o seu rosto no aberto
dentro do forte.
      Os olhos do grupo seguiram a direo de seu brao
apontando. Um dos Skandians falou com desdm.
      -- Eles nunca chegariam at l. Estas paredes esto
intransitveis!
      Halt se virou para ele, olhando-o nos olhos,
querendo o homem a entender e acreditar que ele estava
dizendo pela fora de sua convico.
      -- No  intransitvel. Muito difcil. Mas eles vo
fazer isso. Acredite em mim, eu vi esses homens e o que
eles podem alcanar. Pode custar-lhes cerca de cinqenta
vidas na tentativa, mas vo contar o custo mais barato.
      Erak estudou os penhascos acima do forte,
apertando os olhos para ver com mais clareza  luz
desvanecendo-se rapidamente do fim da tarde. Talvez,
pensou ele, o arqueiro estava certo.
      -- Eles nunca vo conseguir os seus cavalos l em
cima.
      -- Eles no vo ter necessidade de seus cavalos at
l -- rebateu Halt. -- Eles simplesmente sentaro e vero
o fogo mergulhar em vocs. O forte pode comandar o
passe, mas h alturas comanda o forte.
      Erak ficou em silncio por um longo momento. Ele
olhou novamente at as paredes da passagem.
      -- Enfrent-lo -- Halt continuou -- esta fortaleza
nunca foi concebido como uma verdadeira posio
defensiva.  um posto de controle para as pessoas que
atravessam a fronteira, isso  tudo. No  simplesmente
concebidas ou colocadas para deter um exrcito de
invaso.
      Erak estudou o arqueiro. Quanto mais pensava
nisso, mais sentido Halt estava fazendo.
      Ele poderia retratar os perigos de ser pego no
interior do forte, com uma centena de arqueiros situados
nas falsias acima dele, e no h maneira de responder a
seu ataque.
      -- Eu acho que voc pode estar certo -- disse ele
lentamente. Ele foi honesto o suficiente para admitir que a
experincia de Halt sobre estes cavaleiros orientais eram
muito maior do que o seu prprio. Relutante, ele tomou a
deciso final para passar o controle para Halt.
      -- O que voc sugere que faamos? -- Perguntou
ele. Seus homens olharam para ele com surpresa e ele
olhou-os ao silncio. Halt acenou uma vez, reconhecendo
a dificuldade da deciso, que o Jarl tinha acabado de
chegar.
      -- Voc estava certo sobre uma coisa -- disse ele.
-- Ragnak tem que ser avisado. No h nenhum ponto
em desperdiar mais tempo aqui. Vai demorar pelo menos
metade de um dia para colocar todo o exrcito Temujai
em movimento. Mais tempo para que eles atravessem esta
passagem estreita. Vamos usar o tempo que temos. Ns
vamos andar e correr, como o inferno de volta para
Hallasholm.
    A noite teve lugar pouco depois de terem pondo-se
a caminho de volta para Hallasholm. Mas eles
continuaram a se mover, seu caminho iluminado por um
perodo de trs brilhantes luas crescente que navegaram
acima deles no cu claro.
      Halt, Evanlyn e os dois aprendizes montaram,
enquanto o Skandians mantinham um constante
movimento, liderado pelo Jarl. Halt tinha sugerido que
Erak usasse o cavalo Temujai capturado novamente, mas
ele recusou a oferta, com uma certa dose de entusiasmo.
Parecia agora que ele estava com os ps firmemente de
volta no cho, que estava determinado a mant-los dessa
forma. Coxas e panturrilhas doam das horas que passara
na sela naquele dia, e sua bunda parecia ser um enorme
hematoma. Ele estava feliz com a chance de andar para
mandar as cibras para fora de seus msculos.
      Mesmo tendo em conta o fato de que o Skandians
viajavam a p, Halt estava satisfeito com o ritmo que
estava mantendo. Os lobos do mar estavam em estado
soberbo. Eles poderiam manter o seu movimento
constante durante toda a noite, apenas com breves
perodos de descanso a cada hora.
      Horace manteve Kicker ao lado Halt.
      -- No seria melhor andarmos? -- Sugeriu. Halt
levantou uma sobrancelha para ele.
      -- Por qu? -- Perguntou ele. O rapaz encolheu os
grandes ombros, no  completamente certo como
articular o seu pensamento.
      -- Como um gesto de camaradagem -- disse ele
finalmente. -- Vai dar-lhes um sentimento de
camaradagem.
      Camaradagem, Halt sabia, era algo que foi
sublinhado nos primeiros anos de formao da Escola de
Guerra. Fazia parte desse cdigo inconveniente de
cavalaria. s vezes, ele desejou que Sir Rodney, o chefe da
Escola de Guerra do Castelo Redmont, seria dar a sua
cobra um curso de curta durao em praticidade tambm.
      -- Bem, isso vai dar mim uma sensao de pernas
ferida -- respondeu ele finalmente. -- No h nenhum
ponto para ele, Horace. O Skandians no se importam se
ns vamos a p ou de carona. E quando no h nenhum
ponto, a melhor idia  no fazer isso.
      Horace balanou a cabea vrias vezes. Verdade seja
dita, ele ficou aliviado que Halt havia rejeitado a sua
sugesto. Ele era muito mais ficar na sela do que vagar
pela neve. E, agora que ele pensava sobre isso, o
Skandians no pareceu ressentir-se do fato de que os
quatro Araluens estavam a cavalo, enquanto caminhavam.
      Durante uma das paradas breves, Halt chamou a
ateno de Will e fez um gesto quase imperceptvel para o
menino segui-lo. Eles caminharam uma distncia do resto
do grupo, que se alastrou  vontade na neve. Alguns dos
Skandians os assistiu com leve interesse, mas a maioria
ignorou.
      Quando julgou que no havia ningum ao alcance da
voz, Halt chamou Will para perto dele, a mo no ombro
do menino.
      -- Erak -- disse ele. -- O que voc acha dele?
      Will franziu a testa. Pensou sobre a forma como
tinha tratado Erak desde que foi capturado na ponte em
Celtica. Em primeiro lugar, ele protegeu-os de Morgarath,
recusando-se a entreg-las ao lder rebelde. Ento, a
viagem atravs do Mar Stormwhite, e durante a sua estadia
em Skorghijl, tinha mostrado uma certa bondade.
Finalmente,  claro, tinha sido fundamental na sua sada
de Hallasholm, fornecendo roupas, alimentos e um pnei,
e dando-lhes indicaes para a cabana de caa nas
montanhas.
      Houve apenas uma resposta possvel.
      -- Eu gosto dele -- respondeu ele. Halt assentiu.
      -- Sim -- disse ele -- Eu tambm. Mas voc confia
nele? Isso  uma questo diferente de gostar.
      Desta vez, Will imediatamente abriu a boca para
responder, em seguida, fez uma pausa, perguntando se a
sua resposta no pode ser muito impulsiva. Ento ele
percebeu que a confiana sempre foi impulsiva, e foi em
frente.
      -- Sim -- disse ele. -- Eu confio.
      Halt esfregou o queixo com o dedo indicador e o
polegar. -- Devo dizer, que concordo com voc.
      -- Bem, ele nos ajudou a escapar, voc sabe, Halt
Will apontou, e o arqueiro acenou com o reconhecimento
desse ponto.
      -- Eu sei -- disse ele. -- Isso  o que eu estava
pensando.
      Ele estava consciente do olhar curioso do garoto,
mas ele no disse mais nada. Como os membros do
pequeno grupo retomaram o seu progresso em direo ao
litoral, Halt lutou com o problema de como proteger Will
e Evanlyn quando eles voltassem para Hallasholm. Eles
podem ser considerados como aliados para o momento,
apenas pela fora das circunstncias. Mas uma vez que
eles estavam de volta ao Skandians, as coisas poderiam ir
mal para os dois escravos fugidos. As coisas poderiam ser
ainda pior para Evanlyn se a sua identidade real se tornar
conhecido ao Oberjarl Skandian.
      No entanto, por mais que tentasse, o arqueiro no
conseguia pensar em outra alternativa possvel para o seu
curso atual. O caminho para o sul foi barrado por
milhares de guerreiros Temujai e no havia nenhuma
chance de que ele poderia fazer isso atravs de suas linhas
com os trs jovens. Ele e Will poderiam faz-lo. Mas foi
um grande talvez. E ele sabia o suficiente sobre o Temujai
para saber que, com Horace e Evanlyn, que nunca iria
evitar a deteco.
      Ento, por enquanto, pelo menos, eles no tiveram
escolha, seno ir em direo a Hallasholm. Na parte
traseira de sua mente no era uma idia formada, em
parte, que pode ser capaz de roubar um barco. Ou at
mesmo prevalecer sobre Erak para transport-los para a
costa ao sul, ultrapassando a linha do avano do exrcito
Temujai.
      De alguma forma, algum dia, ele teria de chegar a
algum tipo de acomodao com o Jarl Skandian, ele sabia.
      A oportunidade veio na prxima parada para
descansar.
      Como o Skandians permitiu-se a expanso no cho
sob os pinheiros, Erak, aparentemente casual, se
aproximou do local onde Halt estava derramando a gua
de seu cantil em um balde de lona desmontvel de
Abelardo. O cavalo bebeu ruidosamente quando o
comandante dos Lobos do Mar apoiou e assistiu.
Plenamente consciente de sua presena, Halt continuou
com o que ele estava fazendo.
      Ento, quando o cavalo parou de beber, disse ele,
sem olhar para cima: -- Alguma coisa em sua mente?
      O Jarl deslocou desajeitado de um p para outro.
      -- Precisamos conversar -- disse ele finalmente, e
Halt deu ombros.
      -- Parece que estamos fazendo isso. -- Ele manteve
a voz neutra. Ele podia sentir que o lder Skandian queria
alguma coisa com ele e ele sentiu que essa poderia ser a
sua oportunidade de ganhar algum tipo de vantagem de
negociao.
      Erak olhou em volta, certificando-se que nenhum
dos seus homens estava no alcance da voz. Ele sabia que
no gostaria da idia de que ele estava prestes a propor.
Mas, mesmo assim, ele sabia que a idia era boa. E uma
coisa necessria.
      -- Foi voc, no foi, na batalha do Thorntree? --
Disse ele no passado. Halt virou-se para enfrent-lo.
      -- Eu estava l -- disse ele. -- E assim foram
algumas centenas de outros.
      O Skandian fez um gesto impaciente. -- Sim, sim --
disse ele. -- Mas voc era o lder ttico, no era?
      Halt encolheu timidamente.
      -- Isso mesmo, eu acho-- disse ele com cuidado. A
batalha na floresta Thorntree tinha sido uma derrota para
o Skandians. Ele queria saber agora se Erak pode estar
procurando algum tipo de vingana sobre o homem que
liderou as foras Araluen. No parecia ser de carter com
o que ele sabia do Skandian, mas voc nunca poderia
dizer.
      Erak, porm, foi cuidadosamente acenando para ele.
Ele agachou-se na neve, pegando um galho de pinheiro e
fez marcas aleatrias no cho com ele.
      -- E voc sabe sobre estes Temujai, no ? --
Disse. -- Voc sabe como eles lutam, como eles
organizam seu exrcito?
      Foi a vez de Halt balanar cabea. -- Eu disse a
voc. Eu vivi entre eles por um tempo.
      -- Ento... -- Erak pausou e Halt sabia que ele
estava chegando a parte crucial da sua conversa. -- Voc
conhece os seus pontos fortes e suas fraquezas?
      O arqueiro latiu uma risada curta e sem graa. --
No h muitos desses -- disse ele, mas Erak persistiu,
apunhalando o mais profundo galho na neve enquanto
falava.
      -- Mas voc sabe como combat-los? Como venc-
los?
      Agora Halt comeou a ter um vislumbre sobre essa
conversa. E, com isso, sentiu um aumento ligeiro de
esperana. Ele s poderia estar prestes a entregar o
instrumento de negociao que teria necessidade de
proteger Will e Evanlyn.
      -- Lutamos como indivduos -- disse o Jarl
suavemente, parecendo falar quase para si mesmo. -- Ns
no estamos organizados. Ns no temos nenhuma ttica.
Nenhum plano mestre.
      -- Vocs Skandians ganharam a sua quota de
batalhas -- Halt apontou suavemente. Erak olhou para ele
e Halt podia ver o quanto o lobo do mar no gostava do
que estava prestes a dizer.
      -- Em um confronto direto. Um a um. Ou at
mesmo contra todas as probabilidades de dois para um.
Um conflito direto, sem complicaes. Basta um simples
teste de armas. Esse tipo de coisa que ns podemos
segurar. Mas isto... Isto  diferente.
      -- A fora Temujai so provavelmente os mais
eficientes de combate do mundo -- Halt disse a ele. --
Com a possvel exceo do Arridi nos desertos do sul.
      Houve um silncio entre eles. Ele viu a entrada de ar,
ento Erak disse:
      -- Voc poderia nos mostrar como venc-los.
      Foi no aberto agora exatamente o que Halt tinha
comeado a esperar. Cuidadosamente, como um homem
tocando uma truta que ainda estava por ser viciado, ele
respondeu, garantindo que nenhuma sugesto da
ansiedade que sentia mostrasse em sua voz.
      -- Mesmo se eu pudesse, eu duvido que ia me ser
dada essa oportunidade -- disse ele, tentando soar to
insensvel quanto possvel. Erak empurrou a cabea para
cima, um pequeno surto de raiva em seus olhos.
      -- Eu poderia dar a voc -- disse ele. Halt
encontrou o homem olhar do outro, recusando-se a ser
intimidado pela raiva l.
      -- Voc no  o Oberjarl -- afirmou
categoricamente. Erak balanou a cabea, reconhecendo a
declarao.
      -- Isso  certo -- disse ele. -- Mas eu sou um lder
de guerra snior. Eu carrego uma certa quantidade de
peso em nosso Conselho de Guerra.
      Halt parecia convencido. -- O suficiente para
convencer os outros a aceitar um estrangeiro como lder?
      Erak balanou a cabea de forma decisiva.
      -- No como um lder -- disse ele. -- Skandians
nunca iria seguir suas ordens diretas. Nem qualquer outro
estrangeiro. Mas, como um conselheiro, um estrategista.
H outros no conselho que sabemos que precisamos de
tticas. Quem vai entender que precisamos lutar como
uma unidade coesa, e no como um milhar de indivduos.
Borsa, por exemplo, vai concordar comigo.
      Halt levantou uma sobrancelha. -- Borsa? -- Ele
sabia alguns dos nomes dos lderes Skandian. Este foi um
desconhecido.
      -- O hilfmann-Ragnak Chamberlain's -- Erak o
disse. -- Ele no  guerreiro mesmo, mas Ragnak respeita
suas opinies, e seu crebro.
      -- Deixe-me ver se entendi -- Halt disse
lentamente. -- Voc est me pedindo para vir a bordo
como conselheiro ttico e ajud-lo a encontrar uma
maneira de vencer o Temujai. E voc acha que pode
convencer Ragnak para ir junto com a idia, e no
simplesmente me matar na hora.
      Parecia uma pergunta para Erak. Halt continuou.
      -- Sei que ele no tem amor por Araluens. Seu filho
morreu em Thorntree, depois de tudo.
      -- Voc ficaria sob minha proteo -- Erak disse
finalmente. -- Ragnak teria de respeitar isso, ou lutar
contra mim. E eu no acho que ele estar pronto para
fazer isso. Se eu conseguir convencer o conselho ou no,
e acredito que serei capaz de te manter seguro, enquanto
voc estiver em Hallasholm.
      E ali, foi a oportunidade que Halt estava esperando.
      -- E os meus companheiros? -- Perguntou ele. --
Will e a menina so escravos fugidos.
      Erak acenou o assunto de lado, displicentemente. --
Essa  uma pequena questo em relao ao fato de que
estamos prestes a ser invadido -- respondeu ele. -- Seus
amigos vo estar seguros tambm. Voc tem a minha
palavra.
      -- No importa o qu? -- Halt insistiu. Ele queria
que o Skandian se comprometesse totalmente.
      Ele sabia que um Jarl jamais iria voltar atrs em um
voto de juramento de proteo.
      -- No importa o qu -- Erak respondeu, e
estendeu a mo para o arqueiro. Eles apertaram as mos
com firmeza, selando o negcio.
      -- Agora -- disse Halt -- tudo o que tenho a fazer
 trabalhar n uma maneira de derrotar estes demnios da
equitao.
      Erak sorriu para ele. -- Isso  coisa de criana --
disse ele. -- A parte difcil ser convencer Ragnak sobre
isso.
      Como foi verificado, a tarefa era muito mais fcil
do que Erak ou Halt teria imaginado possvel. Ragnak era
muitas coisas, mas ele no era bobo. Quando o pequeno
grupo voltou a Hallasholm, trazendo a notcia de que um
exrcito de cerca de seis mil cavaleiros Temujai estava
pronto para invadir seu pas, ele fez a mesma aritmtica
mental que Erak tinha feito. Ele sabia bem como Erak que
ele conseguiria reunir uma fora de mais de mil e
quinhentos       guerreiros,    possivelmente      menor,
considerando que algumas das povoaes remotas perto
da fronteira provavelmente j havia sido superada e
vencida j.
       Como a maioria dos Skandians, Ragnak no tinha
medo de morrer em batalha. Mas ele tambm no acredita
que se deve procurar tal fim, sem primeiro tentar todas as
outras alternativas. Se houvesse uma maneira de derrotar
os invasores, ele iria examinar. Por conseguinte, quando
Erak lhe disse do conhecimento de Halt sobre o Temujai,
e seu acordo para emprestar seus servios e, quando Borsa
e vrios outros membros do conselho so favorveis 
idia, ele aceitou seus argumentos com no mais
resistncia simblica. Quanto  questo dos escravos
recapturado, ele descartou a questo inteiramente. Em
tempos normais, ele pode procurar para punir fugitivos,
como forma de desencorajar mais a escaparem. Mas estes
no eram tempos normais, e com um exrcito invasor em
sua entrada, a questo de dois escravos recapturados era
de pouco interesse para ele na melhor das hipteses.
        Ele queria, no entanto, ver Halt em seus aposentos
particulares, sem mais ningum presente.
        Ele sabia o suficiente sobre os Arqueiros e
respeitava as suas habilidades e sua coragem como um
grupo. Mas ele queria a chance de apreciar este homem
como um indivduo. Ragnak tinha a capacidade para
formar tais avaliaes dos homens, tinha sido uma das
suas principais qualidades como lder do Skandians.
        Uma evidncia de sua habilidade era o fato de que
ele habitualmente escolhia Erak para lidar com as tarefas
mais difceis.
        Halt estava num lugar de teto baixo, forrado de
madeira, a sala onde Ragnak passa a sua hora privada e
estes dias, o Oberjarl observou com tristeza, havia sido um
dos poucos desses. O quarto era como de todos os
Skandians, altos quartos, aquecido por uma fogueira de
pinho, com peles de urso, a apresentao da madeira do
pinheiro mobilirio, decorao com os resultados poliglota
de anos de pilhagem das aldeias costeiras e outros navios.
        A pea central da sala era um imenso lustre de
cristal, tirado de uma abadia na costa do Mar Constant
anos atrs. Sem limite de altura para pendur-lo, Ragnak
tinha escolhido deix-lo descansando em uma mesa de
pinho em bruto.
       Para ele, representava a arte no seu mais elevado.
Era um objeto de rara beleza, incongruente como poderia
ser, neste contexto, e por isso ele deixou l.
       Ele olhou por cima de um pergaminho que estava
lendo quando Halt bateu  porta e entrou, como tinha sido
dito para fazer. Ragnak franziu a testa. Ele igualou a
proeza em batalha com a fora fsica e tamanho. O
homem antes que parecia bastante rijo, mas sua cabea
mal teria passado do ombro do Oberjarl, se ambos
estivessem de p. Ele era um homem pequeno.
       -- Ento, voc  Halt -- disse ele, no soando
muito interessados no fato. Ele viu o pequeno homem
levantando a sobrancelha direita momentaneamente.
       Ento o homem repetiu, exatamente com mesmo
tom:
       -- Ento, voc  Ragnak.
       As sobrancelhas grossas de Ragnak se
transformaram em uma expresso de raiva. Mas
interiormente, sentia um rpido piscar de respeito pelo
homem na frente dele. Ele gostava de resposta
instantnea, gostava da maneira como o arqueiro estava
mostrando nenhum sinal de ser intimidado.
       -- As pessoas me chamam como Oberjarl -- disse
ele em um tom ameaador.
       Halt deu apenas um ligeiro encolher de ombros.
       -- Muito bem, Oberjarl -- respondeu ele. -- Eu
vou fazer o mesmo.
       Halt estudou o Oberjarl com um olhar afiado. Ele
era enorme, mas era bastante normal para Skandians. Ele
no tem a musculatura, clssica esculpida como uma
pessoa como Horace iria conseguir, nos prximos anos,
com ombros largos e quadris estreitos. Pelo contrrio,
como todos os Skandians, ele era volumoso, todo o seu
corpo, construdo como um urso.
       Os braos e as pernas musculosas e maciamente o
rosto barbado, com a longa barba cuidadosamente
separada em duas massas de varredura. O cabelo tinha
sido originalmente vermelho, mas agora no incio dos anos
foi transformando na cor das cinzas em uma lareira fria.
       Havia uma cicatriz na face desbotada, estendendo-
se logo abaixo do olho esquerdo at o ponto do queixo.
Halt adivinhou ser uma leso antiga. Mais uma vez, havia
poucos comentrios a fazer sobre isso. O Skandians
escolhia seus dirigentes das fileiras de guerreiros, e no dos
administradores.
       Acima de tudo, Halt observou os olhos. Ele
reconheceu a antipatia que via l. Ele estava esperando
para ver isso. Mas os olhos eram profundos e ele poderia
ler uma inteligncia e astcia l tambm. Por isso, ele ficou
grato.
       Se Ragnak fosse um homem estpido, a posio de
Halt poderia ser insustentvel aqui. Ele sabia da averso
do Oberjarl para os arqueiros, e conhecia as razes por
trs disso. Mas um lder inteligente estaria ciente da
utilidade de Halt para ele, e estava preparado para anular
sua antipatia pessoal para o bem maior de seu povo.
       -- Eu no tenho amor a sua espcie, arqueiro -- o
Oberjarl disse. Sua mente estava, obviamente, rodando em
linhas semelhantes s de Halt.
       -- Voc tem pouca razo para -- Halt concordou.
-- Mas voc pode muito bem encontrar um uso para
mim.
       -- Ento, me disseram -- respondeu o lder
Skandian, mais uma vez encontrando-se a admirar a
franqueza Ranger.
       Quando ele ouviu pela primeira vez da morte de seu
filho em Thorntree, Ragnak tinha superado sua tristeza
com raiva, pelos Araluens, arqueiros e, em especial, a do
rei Duncan.
       Mas isso tinha sido uma reao imediata e
espontnea a sua dor. Um realista, ele sabia que seu filho
havia arriscado a morte por se juntar a uma aventura
malfadada com as foras de Morgarath e, na verdade, a
morte em combate era comum entre os Skandians, que
vivia de invaso e pilhagem. Como resultado, durante os
meses de intervalo, a raiva de Ragnak, se no a sua tristeza,
havia desaparecido. Seu filho tinha morrido com honra,
com uma arma nas mos. Isso era tudo que qualquer
Skandian poderia pedir. Isso no era para dizer que sentia
nenhuma afeio por arqueiros, mas ele poderia respeitar
as suas habilidades e sua coragem e seu valor como
adversrios.
        Ou at mesmo, eventualmente, como aliados.
Ragnak contra o rei Duncan e sua famlia era outra
questo. As possibilidades de que, se ele tivesse esperado,
o seu dio poderia muito bem ter diminudo e uma atitude
mais razovel, poderia ter prevalecido. Mas, agindo por
impulso, tinha jurado um voto ao Vallas, a divindade
trplice que governa religio Skandian, e que o voto era
inviolvel.
        Ragnak pode ser capaz de aceitar Halt como um
aliado. Ele pode ser capaz de reconhecer que essas
mesmas qualidades que fizeram o arqueiro um oponente
perigoso tambm pode torn-lo um aliado til para a
prxima batalha contra os invasores Temujai. Essa seria a
sua escolha pessoal. Mas sua Vallasvow contra Duncan era
irrevogvel.
        -- Ento -- disse Ragnak abruptamente. -- Voc
pode nos ajudar?
        Halt respondeu sem qualquer hesitao. -- Estou
disposto a fazer tudo o que puder -- disse ele. -- O que
poderia ser, no fao idia ainda.
        -- No fao idia! -- Ragnak repetiu com desdm.
-- Foi-me dito que os arqueiros esto sempre cheios de
idias.
        Halt balanou a cabea. -- Preciso avaliar seus
pontos fortes e fracos em primeiro lugar. E ento eu
preciso de mapas da paisagem circundante -- disse ele. --
Teremos que encontrar um local que ir compensar a sua
superioridade de nmeros, na medida do possvel. Ento
eu vou sair para dar um outro olhar nos Temujai. A ltima
vez que os vi, eu tinha que manter Jarl vivo. Ento, depois
de eu ter feito tudo isso, eu poderei ser capaz de
responder a sua pergunta.
       Ragnak mastigou uma das extremidades de seu
bigode, recolhendo o que o arqueiro tinha dito. Ele ficou
impressionado, apesar de tudo. Sua habilidade para
planejar uma batalha geralmente atingia a expresso "Todo
mundo pronto? Siga-me! "Antes ele liderava o caminho em
um ataque frontal.
       Talvez, pensou, este arqueiro possa ser til depois
de tudo.
       -- Esteja ciente de uma coisa, porm, Oberjarl --
Halt continuou. Ragnak olhou para ele, surpreso com o
tom      de    comando      inflexvel   em     sua    voz.
-- Eu vou estar a fazer perguntas sobre o seu
estabelecimento, seus homens de combate, seus nmeros.
So perguntas que podem me dar uma vantagem no
futuro, qualquer divergncia entre os nossos dois pases.
       -- Eu vejo... -- disse Ragnak lentamente. Ele no
gostou da direo que conversa estava tomando.
-- Voc vai ser tentado a mentir para mim. A exagerar
seus nmeros e suas habilidades. No faa isso. --
Uma vez mais, o Oberjarl foi surpreendido com o tom
peremptrio de comando. Mas o olhar de Halt era
inabalvel.
       -- Se for para ajud-lo, voc precisa ser honesto
comigo. E assim ser o seu jarls.
       Ragnak considerou a declarao por um momento
ou dois, depois assentiu com lentido.
       -- Concordo -- disse ele -- Mas -- ele
acrescentou -- os cortes de machado so de duas
maneiras. Voc tambm estar nos mostrando como voc
pensa e planeja uma batalha.
       E mais uma vez, o trao de um sorriso pairou ao
redor da boca de Halt quando ele reconheceu o ponto do
Oberjarl.
       --  verdade -- disse ele. -- Acho que se
quisermos vencer, ambos temos de estar dispostos a
perder um pouco.
       Os dois homens se estudaram mais uma vez. Cada
um decidiu que gostou do que viu nos olhos do outro.
Abruptamente, Ragnak apontou para uma das poltronas
de pinho macio.
       -- Sente-se! -- Disse ele, indicando um garrafo de
vinho Gallican sobre a mesa entre eles, quase perdido no
arranjo de cristal brilhante do lustre.
       -- Pegue uma bebida e me diga isso. Porque voc
acha que esses Temujai optaram por fazer-se um
incmodo na Skandia? Certamente, o caminho teria sido
mais fcil para ele se mover para o sul, atravs de
Teutlandt e Gallica.
       Halt serviu-se de um vidro do vinho vermelho
brilhante e bebeu profundamente. Ele levantou uma
sobrancelha em apreciao. Ragnak certamente conhecia
os vinhos direito de roubar, ele pensou.
       -- Eu estive pensando o mesmo -- disse ele no
passado. Desejou que a cadeira em que estava sentado
fosse feita por algum menor do que o normal para os
Skandian. Seus ps mal chegavam ao cho, sentado ali, se
sentia como um menino pequeno no estudo de seu pai.
       -- Mesmo que eles ganhem aqui, eles devem saber
que voc vai ser um osso duro de roer. Certamente, mais
resistente do que os Teutlanders.
Ragnak bufou em desprezo  meno da desorganizada,
raa ao sul. Na verdade, se as ambies dos Skandian
jazera nesse sentido, Ragnak teria se sentido confiante que
ele poderia ter dominado o pas com seu pequeno exrcito
de guerreiros.
       -- E o Gallicans so quase to ruim -- continuou
Halt. --Eles seriam quase incapazes de chegar a um
acordo sobre um lder global para assumir o comando.
Ento me perguntei o que foi que fez o balano do norte
Temujai e risco de um nariz sangrando aqui na Skandia.
       -- E? -- O Oberjarl solicitou. Halt tomou outro
gole de vinho e franziu os lbios, pensativo.
       -- Eu me perguntava o que tinha que fazer o risco
vale a pena -- disse ele. -- E s havia uma coisa que eu
poderia imaginar.
       Ele fez uma pausa. Era uma coisa teatral para fazer,
ele sabia, mas ele no podia resistir a ela. Como ele tinha
certeza que aconteceria, o Oberjarl inclinou para frente.
       -- O que foi? Quais so eles?
       -- Navios -- respondeu Halt -- O Temujai
querem o controle dos mares. E isso significa que as suas
ambies no param aqui. Eles esto planejando invadir
Araluen tambm.
      Evanlyn estava assistindo Will praticar seu arco e
flecha. Era algo que tinha Halt tinha insistido, depois de
atingirem a segurana relativa do Hallasholm. A velocidade
e preciso de Will tinham cado muito abaixo dos nveis
que Halt considerada aceitvel e no desperdiou tempo
fazendo seu aprendiz ciente do fato.
        --Lembra-se da regra de ouro? -- Ele disse depois
que ele assistiu Will disparar uma dzia de flechas em
alvos diferentes, instalados em um semicrculo na frente
dele, em intervalos que variavam entre cinqenta metros e
duzentos. A maioria das flechas voou para longe nos alvos
mais distantes, e levou muito tempo para fazer o conjunto
de doze tiros.
        Will olhou para o seu mentor, sabendo o quanto ele
tinha disparado. Halt franziu a testa e balanou a cabea
levemente. Ele fez as coisas piores porque Horace e
Evanlyn tinham escolhido esse momento para entrar e
assistir.
        -- Prtica? -- Ele respondeu sombriamente, e Halt
assentiu.
        -- Prtica-- afirmou. Assim eles tinham sado para
recolher as flechas que ele tinha lanado, Halt tinha
deixado cair um brao em volta dos ombros consolador
do menino.
       -- No se sinta muito mal com isso -- disse ele. --
Sua tcnica ainda  boa. Mas voc no pode esperar passar
o inverno fazendo bonecos de neve nas montanhas e
conservar sua vantagem.
       -- Fazendo bonecos de neve? -- Will respondeu
indignado. -- Voc sabe que as coisas eram muito speras
nas montanhas... -- Ele parou quando ele percebeu que
Halt estava puxando a perna. Ele teve que admitir que o
arqueiro estava certo, no entanto. A nica maneira de
atingir a preciso quase instintiva e velocidade com o arco
que eram as caractersticas de um arqueiro  na prtica, em
constante e assiduamente.
       Durante o dia seguinte, foi para a rea de prtica e
entregou-se  tarefa de aperfeioar suas habilidades mais
uma vez. Assim que sua velha habilidade voltava,
juntamente com sua fora e resistncia, uma pequena
multido o assistia. Apesar de Will no poder se gabar dos
nveis de habilidade de um arqueiro, sua capacidade era
muito superior ao de arqueiros normais e ele foi
considerado por Skandians e alguns dos escravos, com um
acordo de respeito.
Evanlyn e Horace, no entanto, parecia encontrar muitas
outras coisas para encher seus dias de equitao e
caminhadas na mata nas proximidades, ou s vezes tendo
um pequeno bote para fora na baa.  claro que eles
pediram para Will se juntar a eles, mas cada vez, ele
respondeu que deveria estar praticando.
       Houve momentos em que ele poderia ter ido. Mas
mesmo nessas ocasies, os seus sentimentos feridos, ele
no aceitou, alegando a necessidade de sesses de trabalho
extra.
       Os treinos foram intensificados quando Erak
devolveu a bainha da faca duplo que estava usando
quando ele e Evanlyn tinham sido capturados pela
Skandians. Erak, mantinha as armas e agora entendeu a
devolv-los ao seu legtimo proprietrio. Uma palavra de
Halt, e Will sabia que ele iria em breve ser testado para sua
habilidade de arremesso de faca. A experincia havia
ensinado a Will agora que os longos meses sem prtica
teriam corrodo suas habilidades nessa rea tambm.
Ento ele comeou a restaur-los. O municpio de
Hallasholm logo reconheceu a batida repetitiva de sua faca
sendo                                                 jogada.
       A cada dia que passava, sua preciso e velocidade
melhorava tanto com o arco e as facas. Ele estava
comeando a recuperar a ao, uma fluidez que Halt tinha
perfurado com ele durante tantas horas na floresta fora
Castle Redmont.
       Agora ele mudava de alvo facilmente ao destino, o
seu brao levantava ou abaixava para ajustar as variaes
de distncia, com os olhos bem abertos, vendo uma
imagem de observao total, que inclua o arco, a flecha e
o alvo final. Ele ficou satisfeito que Evanlyn tinha
escolhido hoje para vir e assistir a sesso de prtica. Ele
sentiu uma alegria selvagem quando flecha aps flecha caa
nos objetivos, quer em flagrante no centro ou perto o
suficiente para fazer diferena nenhuma.
       -- Ento -- disse ele casualmente quando ele
lanou duas flechas em dois objetivos muito diferentes em
rpida sucesso. -- Onde Horace est hoje?
       As flechas caam, um aps a outra, em suas
respectivas metas e ele acenou com a cabea para si
mesmo.
       A menina deu de ombros. -- Acho que voc o fez
se sentir culpado -- respondeu ela. -- Ele pensou que
seria melhor comear alguma prtica. Ele est trabalhando
com alguns dos Skandians da tripulao de Erak.
       -- Eu vejo -- respondeu Will, em seguida, uma
pausa para colocar uma flecha em um dos alvos mais
distantes, observando suavemente atravs do ar antes de
enterrar o seu ponto no centro do anel.
       -- E por que voc no foi junto para v-lo? -- Ele
sentiu um pouco de prazer que Evanlyn tinha escolhido,
por fim, para ver como ele estava se tornando proficiente
e no se preocupou em prestar ateno a sua companhia
constante dos ltimos dias. Suas palavras prximas
tracejada que brilham pequenas de prazer, no entanto.
       -- Eu fiz -- respondeu ela --Mas depois que voc
ver duas pessoas baterem uns aos outros por alguns
minutos, voc desenvolve uma sensao de dj vu. Pensei
em vir e ver se voc tinha melhorado desde o outro dia.
       -- Ah, ? -- Will respondeu, um pouco duro. --
Bem, eu espero que voc no sinta que tenha perdido o
seu tempo.
       Evanlyn olhou para ele. Ele estava de costas para
ela, disparando uma seqncia de tiros em trs objetivos
de um de cinqenta metros, uma em setenta e cinco e uma
em cem. Ela podia ouvir o tom duro em sua voz e se
perguntou o que estava o incomodando. Ela decidiu no
responder a pergunta. Em vez disso, ela comentou sobre a
seqncia de trs tiros, como todas as trs setas
encontraram suas marcas.
       -- Como voc faz isso? -- Perguntou ela. Will
parou e virou na direo dela. Havia uma nota verdadeira
de instruo em sua voz.
       -- Fazer o qu?
Ela apontou para os trs alvos.
       -- Como voc sabe o quo longe de levantar o arco
para cada distncia? -- Perguntou ela. Por um instante a
questo deixou-o perplexo. Finalmente, ele deu de
ombros.
       -- Eu apenas sinto... -- ele respondeu hesitante.
Em seguida, franziu a testa --  uma questo de prtica.
Quando voc faz isso repetida vezes, torna-se espcie de...
Instinto, eu suponho.
       -- Ento, se eu levasse o arco, voc poderia me
dizer o quo alto segur-lo para acertar a meta do meio,
por exemplo? -- Ela perguntou, e ele levantou a cabea
para um lado, pensando a questo completamente.
       -- Bem... No  apenas isso. Acho que eu podia,
mas ... H outros fatores.
       Ela se inclinou para frente, o rosto de consulta, e ele
continuou.
       -- Como a sua liberao... Tem que ser liso. Voc
no pode agarr-lo ou a seta sai da linha. E elaborar o seu
peso, provavelmente varia.
       -- Elaborar seu peso?
       Ele indicou a tenso na corda quando ele puxou de
volta -- Quanto mais tempo, maior peso que voc
colocar na flecha. Se voc no chamar exatamente a
mesma distncia que eu fiz, o resultado pode variar.
       Ela pensou na resposta. Pareceu-lhe lgico. Apertou
os lbios e balanou a cabea pensativamente uma ou duas
vezes.
       -- Eu vejo -- disse ela. Houve um ligeiro tom de
desapontamento em sua voz.
       -- Existe algum tipo de problema? -- Will
perguntou, e ela suspirou profundamente.
       -- Era uma espcie de esperana de que talvez voc
poderia me mostrar como dar um tiro para que eu possa
realmente fazer alguma coisa quando o Temujai aparecer
aqui -- respondeu ela, um pouco abatida.
Will riu. -- Bem, talvez eu pudesse, se tivssemos um ano
de antecedncia.
       -- Eu no quero ser um especialista -- disse ela. --
Eu pensei que talvez voc poderia me mostrar apenas uma
ou duas coisas bsicas para que eu pudesse... Voc sabe...
-- Ela falou com incerteza.
Will balanou a cabea, desculpando-se, lamentando o fato
de que ele rira dela.
       -- Receio que o verdadeiro segredo  um monte de
prtica -- disse ele -- Mesmo se eu lhe mostrar o bsico,
no  algo que voc pode aprender apenas em uma
semana ou duas.
Ela deu de ombros novamente.
       -- Acho que no. -- Ela percebeu que seu pedido
tinha sido irrealista. Sentiu-se tola agora e aproveitou a
oportunidade para mudar de assunto. -- Quando Halt
pensa que vo chegar aqui, uma semana ou duas?
Will disparou a flecha passando no conjunto e colocando
o seu arco para baixo.
       -- Ele disse que eles poderiam estar aqui. Mas ele
acha que vai demorar um pouco mais. Afinal, eles sabem o
Skandians no esto indo a lugar algum. -- Ele fez um
gesto para ela acompanh-lo quando ele recolheu suas
flechas e comearam a cruzar o campo de prtica em
conjunto.
       -- Voc ouviu a sua teoria? -- Perguntou ela. --
Sobre o ataque aqui, porque eles querem os navios
Skandians?
Will assentiu. -- No faz sentido quando voc pensa
sobre ele. Eles podem superar Teutlandt e Gallica quase
como que eles escolherem. Mas eles estariam deixando um
perigoso inimigo por trs deles. E o Skandians poderia
atac-los em qualquer lugar ao longo da costa, bater-lhes
onde e quando quiserem.
       -- Eu posso ver isso -- respondeu Evanlyn,
puxando uma das flechas da meta de cinqenta metros. --
Mas voc no acha que sua teoria sobre Araluen um
pouco exagerado?
       -- Na verdade no -- respondeu Will. --
Mantenha-os perto da cabea quando voc retir-los --
disse ele, indicando a flecha ao lado quando ela pegou para
ele. -- Caso contrrio, voc vai quebrar o eixo, ou
deformar-lo. No h nenhuma razo para que a Temujai
deva parar no litoral Gallican. Mas se eles tentaram o seu
exrcito de transporte por navio, sem cuidar da Skandians
primeiro,      eles    poderiam      estar   em     apuros.
Evanlyn ficou em silncio por alguns segundos -- Eu
suponho que sim -- disse ela finalmente.
       --  s uma teoria, afinal -- Will respondeu. --
Talvez eles estejam apenas certificando-se de que seus
flancos so seguros antes de se mover em Teutlandt. Mas
Halt diz que voc deve sempre pensar no pior. Ento voc
no pode ficar desapontado.
       -- Eu acho que ele est certo sobre isso --
respondeu ela. -- Onde ele est, afinal? Eu no o vejo a
alguns dias.
Will assentiu com a cabea em direo ao sudeste. -- Ele e
Erak tem ido ver o avano Temujai -- disse ele -- Eu
acho que ele est procurando uma maneira de reduzir a
velocidade.
Ele coletou a ltima de suas flechas e os colocaram na sua
aljava. Ento ele esticou e forou os braos e dedos.
       -- Bem, acho que vou fazer outro jogo -- disse ele.
--Voc vai ficar para assistir?
Evanlyn considerou por um momento, depois sacudiu a
cabea. -- Eu vou ver como Horace est indo -- disse
ela. -- Eu vou tentar espalhar o incentivo ao redor. -- Ela
sorriu para ele, balanou os dedos em despedida e saiu do
outro lado do campo, em direo  paliada. Will assistiu
sua figura, se afastar.
       -- Voc faz isso -- murmurou para si mesmo. Mais
uma vez, ele sentiu uma vibrao de cimes quando ele
pensava nela assistindo Horace. Ento, ele balanou a
sensao para fora, como um pato sacode a gua fora.
Cabisbaixo, ele comeou a andar de volta  linha de fogo.
       -- Mulheres -- murmurou para si mesmo. "Elas
no       so       nada       alm     de      problemas.
       Uma sombra caiu sobre o cho ao lado dele e ele
olhou para cima, pensando por um momento que Evanlyn
poderia ter mudado de idia. Afinal, a perspectiva de ver
dois musculosos hulks bater uns aos outros com armas
prtica era um pouco chato, pensou. Mas no foi Evanlyn,
foi Tyrelle, loira, bonita, de quinze anos de idade e
sobrinha do Svengal. Ela sorriu timidamente para ele. Seus
olhos eram incrivelmente azuis, ele percebeu.
       -- Posso levar suas flechas de volta para voc,
arqueiro? -- Ela perguntou, e ele deu de ombros
magnanimamente, soltando o quiver e entregando a ela.
       -- Por que no? -- Disse ele, seu sorriso alargado.
Afinal, pensou ele, teria sido indelicado recusar.
A    rvore havia cado vrios anos atrs, finalmente
derrotado pelo peso da neve em seus galhos, a podrido
insidioso no cerne de seu tronco macio e os vendavais
vigorosos do inverno. Mesmo na morte, no entanto, os
vizinhos tentaram apoi-lo, mantendo-o da ignomnia do
cho, segurando-a nas garras de seus galhos emaranhados
de modo que ele estava em um ngulo de trinta graus com
a horizontal, aparentemente apoiado entre o cu e a terra
pelos seus companheiros de perto embalados.
Halt inclinou-se agora na casca spera que ainda revestia
seu tronco morto e olhou para o vale abaixo, onde a
coluna Temujai se movia lentamente.
       -- Eles esto tomando todo o tempo -- disse Erak,
ao lado dele. O arqueiro se virou para olhar para ele, uma
sobrancelha levantada rapidamente.
       -- Eles esto sem nenhuma pressa -- respondeu
ele. -- Vai levar algum tempo para obter os seus vages
de trem e de abastecimento atravs de passes. Os cavalos
no gostam de espaos confinados. Eles so usados para
as plancies das estepes.
       O exrcito de cavalaria continuou seu avano lento.
No parecia que sua marcha tinha ordem, Halt pensou,
carrancudo. No houve batedores, nem patrulhas de
triagem nos flancos da multido de homens, cavalos e
carroas como eles fizeram no seu caminho em direo a
Hallasholm, noventa quilmetros ao norte.
       Halt, Erak e um pequeno grupo de Skandians
tinham vindo do sudeste, se deslocaram sobre as
montanhas ao longo de ngremes, caminhos estreitos,
onde a cavalaria Temujai tivera mais dificuldade para se
mover, para espiar o progresso dos invasores. Agora, com
Halt a assisti-los, um pensamento lhe ocorreu.
       -- Veja bem, ns poderamos ter certeza de nos
mover um pouco mais lento -- disse ele suavemente. Erak
encolheu os ombros, impaciente com a idia.
       -- Por que se preocupar? -- Perguntou secamente.
-- Quanto mais cedo se entender com eles, mais cedo
resolvemos isso.
       -- Quanto mais tempo eles tomam, mais tempo
temos para nos preparar -- disse-lhe Halt. -- Alm disso,
incomoda-me a v-los apenas junto, sem tomar
precaues, andando sem nenhuma ordem. Isso  muito
arrogante.
       -- Eu pensei que voc disse que eles eram
inteligentes? -- O Skandian consultou, e foi a vez de Halt
encolher os ombros.
       -- Talvez seja porque eles esperam que voc
simplesmente entre na cabea deles quando eles
finalmente chegarem a Hallasholm -- sugeriu. O lder da
guerra Skandian considerou o pensamento, olhando um
pouco ofendido com isso.
       -- No nos do qualquer crdito para a estratgia?
       Halt tentou esconder um sorriso. -- Como voc
pretende combat-los?
       Houve uma pausa, ento Erak respondeu
relutantemente -- Suponho, simplesmente esperar at que
cheguem a nossa posio, ento ... atac-los de frente. --
Ele olhou atentamente para o mais curto homem, mas
Halt estava a ser muito bvio de no dizer mais nada.
Finalmente, Erak acrescentou, em um tom ofendido: --
Mas no h nenhuma necessidade para que eles
simplesmente assumissem isso.
       -- Exatamente -- respondeu Halt -- Assim, talvez
devssemos dar-lhes algo em que pensar. Alguma coisa
para coloc-los um pouco fora de equilbrio e talvez
colocar uma dvida em suas mentes.
       -- Isso  uma boa estratgia? -- Erak perguntou. O
arqueiro sorriu para ele.
       --  uma boa terapia para ns -- respondeu ele. --
E alm disso, um inimigo com uma dvida em sua mente
 menos provvel que faa algo ousado e inesperado.
Quanto mais pudermos dissuadi-los de fazer o inesperado,
melhor ser para ns.
       Erak pensou sobre a questo. Pareceu-lhe lgico. --
Ento o que voc quer fazer? -- Perguntou ele.
Halt olhou ao redor dos vinte guerreiros que os
acompanhou.
-- Este Olgak -- disse ele, indicando que o jovem lder da
tropa. -- Ele  capaz de seguir ordens, ou ele  um tpico
guerreiro Skandian?
       Erak franziu os lbios. -- Todos so guerreiros
Skandians, dadas as condies adequadas -- respondeu
ele. -- Mas Olgak seguir as ordens, se eu lhes der. --
Halt acenou com a compreenso. -- Vamos conversar
com ele depois -- disse ele.
       Erak acenou para o homem mais jovem se juntar a
eles. Olgak, vendo o sinal, mudou-se para a frente,
balanando seu machado facilmente em sua mo direita, o
seu grande escudo circular em seu brao esquerdo. Ele
olhou expectante em Erak.
       -- Oua o que o arqueiro tem a dizer -- ele
ordenou, e o olho do rapaz virou-se para Halt. O arqueiro
estudou-o por alguns instantes. Seus olhos azuis eram
sinceros e direto. Mas ele viu uma luz de inteligncia l.
Halt acenou para si mesmo, em seguida, apontou para o
exrcito Temujai abaixo deles.
       -- V o exercito l embaixo? -- Perguntou ele, e
quando o jovem assentiu, continuou, -- Eles esto
montados sem formao, sem batedores de cobertura, e
com vages de abastecimento e pessoal de apoio
misturado com os seus guerreiros. Eles no costumam
viajar dessa maneira. Voc sabe por que eles esto fazendo
isso?
       Olgak hesitou, ento balanou a cabea, franzindo
ligeiramente. No s ele no sabe, mas ele no sabia por
que deve ser importante para qualquer um saber uma coisa
dessas.
       -- Eles esto fazendo isso porque eles se sentem
seguros -- Halt continuou. -- Porque eles acreditam que
Skandians esto indo simplesmente esperar por eles e
atingi-los de frente.
       Olgak assentiu com a cabea agora. Eles haviam
chegado a um ponto que ele entendeu. -- Estamos... No
estamos?
       Halt trocou um olhar com Erak. O Jarl encolheu os
ombros. Skandians tem uma viso simples das coisas.
       -- Bem, sim, voc esta -- admitiu Halt. --
Eventualmente. Mas, por agora, seria bom para torn-los
um pouco menos confortvel, no? -- Ele fez uma pausa,
depois acrescentou, com uma ligeira vantagem em sua voz
-- Ou voc gosta de v-los atravs de seu pas, como se
voltassem de frias?
       Olgak mordeu os lbios, olhando para os invasores.
Agora que o arqueiro tinha mencionado isso, eles no
parecem ter um time completamente muito fcil das
coisas, ele pensou.
       -- No -- respondeu ele. -- Eu no posso dizer
que gosto de ver isso. Ento o que vamos fazer sobre isso?
       -- Erak e eu estamos indo de volta para Hallasholm
-- Halt disse-lhe, sentindo o endurecer do lder Skandian
ao lado dele quando ele disse isso. Obviamente, o Jarl
estava olhando para frente a uma escaramua pouco e ele
no estava emocionado ao ouvir que ele ia perder isso.
       -- Mas voc e seus homens vo atacar suas linhas a
noite e queimar os vages.
       Ele apontou com o fim do seu arco para uma meia
dzia de vages de abastecimento, descuidada junto 
beira do exrcito. Olgak sorriu e acenou com a aprovao
da idia.
       -- Parece bom para mim -- disse ele. Halt
estendeu a mo e colocou uma mo firme em seu
antebrao muscular, o homem mais atraente para cumprir
o seu olhar firme.
       -- Mas me escute, Olgak -- disse ele intensamente.
-- Voc est indo bater e correr. No fique enroscado em
uma luta prolongada, entendeu?
       O Skandian jovem foi menos feliz com esse
comando. Halt sacudiu violentamente o brao para dar
nfase.
       -- Entendeu? -- Ele repetiu. -- Ns no queremos
que voc e estes vinte homens para ir l para baixo em um
momento de glria quando voc queimar os vages. E
sabe por qu?
       Olgak sacudiu a cabea num movimento pequeno,
relutante. Halt continuou.
       -- Porque amanh  noite, eu quero que voc se
mova ao longo da coluna e queime mais vages Temujai e
mate um pouco mais, enquanto voc est nisso. --
A idia era comear a apelar para o jovem agora.
-- E se voc est morto na primeira tentativa, no
importa quo gloriosos que possa parecer, no momento,
at amanh o Temujai simplesmente continuaram como
esto, no ? -- O arqueiro perguntou-lhe. Olgak acenou
com a compreenso.
       -- Ento, a cada noite, eu quero que voc bata uma
parte diferente da coluna. Queime seus fornecimentos.
Solte os cavalos. Mate suas sentinelas. Entrar e sair rpido
e no deixe que eles prendam vocs em uma batalha
permanente. Fique vivo e manter a assedi-los. Entendeu?
       Olgak assentiu novamente, agora mais convencido
do bom senso por trs do plano. -- Eles nunca sabem
onde ns estamos indo bater-lhes ao lado -- disse com
entusiasmo.
       -- Exatamente -- disse Halt. -- O que significa
que eles tero de definir os guardas ao longo de toda a
coluna. Eles vo ter que pr sentinelas extras durante a
noite. E tudo isto vai abrandar para baixo.
       --  como invadir costeira, no ? -- o jovem
Skandian disse, pensando em como o Lobo do Mar parece
de todo o horizonte sem aviso em uma costa inimiga e os
ataca. -- Voc s quer que ns o faamos durante a noite?
-- Acrescentou.
       Halt pensou por um minuto.
       -- Para o primeiro par de dias, sim. Em seguida,
escolha um local onde voc possa se retirar rapidamente
para as rvores e para cima em algum lugar onde os
cavalos no vo segui-lo com facilidade na luz do dia.
Talvez no final do dia ou o comeo.
       -- Mantendo-os a adivinhar? -- Olgak disse, e Halt
bateu o brao em aprovao.
       -- Voc tem a idia -- disse ele, sorrindo para o
jovem. -- E lembre-se a regra de ouro: bater onde eles
no esto.
       Olgak ponderou que. -- bat-los onde eles no
esto? -- Perguntou ele finalmente, parecendo incerto.
       -- Ataque nos lugares onde suas tropas esto
espalhadas mais fino. Faz-los vir at voc. Em seguida,
desaparea antes de realmente fazer o contato. Lembre-se
que a parte mais importante de todos. Sobreviver.
       Ele podia ver o homem mais jovem entendido.
Olgak repetiu a palavra para si mesmo. -- Sobreviver --
disse ele. -- Eu entendo.
       Halt virou e olhou para Erak, levantando uma
sobrancelha. -- Existe alguma razo pela qual voc deva
fazer uma ordem para que Olgak no comece uma luta,
Jarl? -- Perguntou ele. Erak voltou a pergunta para o
homem mais jovem.
       -- Bem, Olgak, entendeu? -- Disse ele, e o lder da
tropa balanou a cabea.
       -- Eu entendo o que voc tem em mente, arqueiro
-- disse ele. -- Confie em mim.  uma boa idia.
       -- Bom homem -- Halt disse baixinho, ento se
virou para enfrentar a questo que ele sabia que estava
vindo de Erak.
       -- E o que ns vamos fazer enquanto Olgak e seus
homens esto tendo toda a diverso? -- O Jarl perguntou.
       -- Ns vamos voltar para Hallasholm para comear
a preparar uma recepo para os nossos amigos l -- Halt
disse a ele. -- E enquanto ns estamos nisso, podemos
enviar outra meia dzia de partidos fora para perseguir a
coluna como Olgak estar fazendo. Tudo o que podemos
fazer para diminu-los ir nos ajudar.
       Erak arrastou os ps na neve. Ele parecia, Halt
pensou, notavelmente como uma criana que tinha sido
dito que ele deveria entregar o seu brinquedo favorito.
       -- Voc poderia fazer isso -- disse ele finalmente.
-- Talvez eu devesse ficar e dar a Olgak e seus homens
uma mo. -- Mas Halt balanou a cabea, o fantasma de
um sorriso tocando nos cantos da boca.
-- Eu preciso de voc atrs de mim -- ele disse
simplesmente. -- Eu preciso de sua autoridade por detrs
de mim se eu vou ser capaz de conseguir as coisas
organizadas.
       Erak abriu a boca para responder, mas Olgak
interrompeu.
       "O arqueiro est certo, Jarl -- disse ele. -- Voc vai
ser mais valioso em Hallasholm. E, alm disso, voc est
ficando um pouco velho para este tipo de trabalho, no ?
       Erak arregalou os olhos com raiva e ele comeou a
dizer alguma coisa. Ento ele notou que estava Olgak
estava sorrindo amplamente e percebeu que o jovem
estava brincando. Ele balanou a cabea de advertncia,
olhando para seu prprio Broadax.
       -- Um dia desses, eu vou lhe mostrar o quo velho
estou -- disse ele de forma significativa. Os olhos de
Olgak se arregalaram. Halt considerou os dois por um
momento, ento, atirando o seu arco por cima do ombro
direito, ele se virou e abriu o caminho de volta para onde
Abelardo foi amarrado, juntamente com o pnei que Erak
tinha relutantemente montado quando chegaram nesta
expedio de reconhecimento. Ele reuniu as rdeas de
Abelardo em uma mo e voltou para o lder da tropa.
       -- Tenho certeza que voc vai fazer um bom
trabalho, Olgak -- disse ele. Ento, olhando de soslaio
para o Jarl ainda indignado, acrescentou calmamente: --
Voc  obviamente um homem muito corajoso jovem.
     General Haz'kam, comandante da fora de invaso
Temujai, olhou por cima de sua refeio quando seu
adjunto entrou na tenda. Mesmo Nit'zak no sendo um
homem alto, ele teve de vergar-se para passar atravs da
baixa abertura. O general fez um gesto para as almofadas
que estavam espalhadas no tapete no cho e Nit'zak
abaixou-se para se sentar em uma delas, soltando um
suspiro de alvio. Ele tinha ficado na sela nas ltimas cinco
horas, verificando acima e abaixo o comprimento da
coluna Temujai.
       Haz'kam empurrou a tigela perfumada do cozido de
carne que tinha comido para o outro homem e indicou
para ele ajudar a si mesmo. Nit'zak acenou em
agradecimentos, pegou uma tigela menor no tapete entre
eles e escavou vrios punhados para ela, estremecendo
ligeiramente a mo em contato com a comida quente. Ele
selecionou um grande pedao e colocou em sua boca,
mastigando com vontade e acenando com apreciao.
       -- Bom -- disse ele finalmente. O general Haz'kam
nunca trouxe nenhuma de suas trs esposas de campanha
com ele, era um excelente cozinheiro. O general considera
essa capacidade de maior importncia durante uma
campanha do que qualquer beleza fsica. Ele acenou com
a cabea agora, arrotando baixinho e empurrou sua
prpria tigela para longe. A mulher avanou rapidamente
para frente para remov-la, em seguida, retornou a sua
posio contra a parede curva da tenda.
      -- Ento -- perguntou o general. -- O que voc
achou?
       Nit'zak transformou seu rosto uma expresso de
desagrado, no pela comida, mas o assunto sobre o qual
estava para reportar.
      -- Eles bateram-nos outra vez esta noite -- ele
respondeu. -- Desta vez, em dois lugares. Uma vez na
cauda da coluna. Eles soltaram um pequeno rebanho de
cavalos l. Vai durar a metade do dia de amanh para
recuper-los. Em seguida, outro grupo entrou do lado
costeiro e queimaram umas meias dzia de vages de
abastecimento.
       Haz'kam olhou com surpresa. -- A partir da costa?
-- Ele perguntou, e seu adjunto assentiu. At agora, as
incurses montada pelo Skandians havia sido iniciado a
partir das colinas densamente arborizadas das estreitas
plancies costeiras. Os invasores atacavam uma parte
indefesa da coluna, em seguida, retiravam-se para a
cobertura das florestas e os montes onde a perseguio
seria demasiado arriscada. Esta nova eventualidade
complicaria as coisas.
      -- Eles parecem ter vrios de seus navios no mar --
o deputado disse a ele. -- Eles ficam fora de vista durante
o dia, depois quando escurece nos roubam e as tropas de
terra nos atacam. Ento eles se retiram para o mar.
       Haz'kam sondou com a lngua um pedao de carne
entalado entre dois dentes de trs. -- Sempre,  claro, no
podemos segui-los -- disse ele.
      Nit'zak assentiu. -- Isso significa que agora vamos
ter de cobrir ambos os lados da coluna -- disse ele.
Haz'kam murmurou uma maldio baixa. -- E nos
atrasando -- disse ele.
      Todas as manhs, as horas foram desperdiadas
formando a grande coluna em fileiras disciplinadas para
marchar. E, claro, uma vez que a marcha comeava, o
ritmo era limitado pelas lentas sees da coluna, que eram
os carros de abastecimento e o comboio de bagagem.
Tinha sido muito mais rpido simplesmente mover-se
como uma grande massa.
      Nit'zak concordou -- Esse  o problema de ter a tela
do campo a cada noite.
      Haz'kam tomou um gole profundo da bebida
fermentada de cevada, em seguida, entregou o cantil de
couro para Nit'zak.
      -- No  o que eu esperava -- disse ele. -- Eles
esto muito mais organizados do que nossa inteligncia
levou-nos a crer.
      Nit'zak bebeu profundamente em gratido. Ele deu
de ombros. Em sua experincia, a inteligncia era
geralmente imprecisa no melhor e no pior dos casos
absolutamente errada.
      -- Eu sei -- disse ele. -- Tudo o que tinha ouvido
falar sobre essas pessoas levou-me a acreditar que eles
simplesmente nos atacariam em um ataque frontal, sem
qualquer estratgia global. Eu meio que esperava que seria
concluda com eles at agora.
      Haz'kam ponderou. -- Talvez eles ainda estejam
reunindo a sua fora principal. Acho que no temos
alternativa seno continuar como estamos. Eu imagino
que eles vo finalmente fazer um carrinho quando
chegarmos a sua capital. Apesar de agora vamos ter mais
tempo para fazer isso.
      Nit'zak hesitou por um momento com a sugesto
seguinte. Ento ele disse: -- Claro, General, ns
poderamos simplesmente continuar como estamos, e
aceitar as perdas que seus ataques esto causando. Eles
so bastante sustentvel, voc sabe.
      Foi uma sugesto Temujai tipicamente insensvel. Se
a perda de vidas ou suprimentos poderiam ser
compensadas por uma maior velocidade, ele poderia
muito bem valer a pena optar por esse curso. Haz'kam
balanou a cabea. Mas no por qualquer sentimento de
cuidado para as pessoas sob seu comando.
      -- Se ns no respondermos, no teremos una
forma de saber quando eles vo nos bater com um grande
ataque -- ressaltou. -- Eles poderiam ter centenas de
homens nas montanhas e se eles escolheram a mudana
de ataques de picada de agulha para um grande ataque,
estaramos em apuros. Estamos muito longe de casa, voc
sabe.                                                    "
        Nit'zak acenou com aquiescncia. Essa idia no
tinha ocorrido a ele. Ainda assim, ele hesitou um pouco.
        -- Isso no  o tipo de coisa que ns fomos
levados a acreditar que eram capazes de fazer -- ressaltou
ele, e os olhos de Haz'kam encontraram o seu.
      -- Nem  -- disse ele baixinho, e quando os olhos
do jovem desviaram, ele acrescentou -- faa os homens
continuarem na formao em cada dia de marcha. E
suponho que agora  melhor colocar sentinelas na direo
do mar durante a noite tambm.
      Nit'zak murmurou o seu assentimento. Ele hesitou
alguns segundos, se perguntando se este era um daqueles
momentos em que seu comandante queria continuar a
falar e passar a beber por algumas horas. Mas Haz'kam
mandou-o embora com um gesto de mo. Nit'zak pensou
que o general parecia cansado. Por um momento, ele
pensava sobre os anos que passaram juntos em campanha
e percebeu que Haz'kam j no era um homem jovem.
Nem ele era, ele pensou, como a dor nos joelhos,
testemunhou. Ele abaixou a cabea em uma saudao
perfunctria, levantou-se com outro gemido mal
suprimido, agachando-se, para a entrada da barraca.
Ao longe, ouviu homens gritando. Olhando em direo de
onde veio o barulho, viu uma brilhante queima de fogo
contra o cu da noite. Ele amaldioou suavemente. O
Skandians condenados estavam invadindo novamente, ele
pensou.
Uma tropa de cavaleiros passou por ele ruidosamente,
dirigindo-se para o local do ataque. Ele viu-os ir, tentado
por um momento a se juntar a eles, mas resistindo 
tentao quando ele percebeu que o tempo que eles
levariam para atingir o ponto do ataque, o inimigo estaria
muito longe.
     O Conselho de Guerra Skandian estava reunido no
Grande Hall. Will sentou ao lado, ouvindo como Halt
dirigia-se ao lder Skandian e seus principais conselheiros.
Borsa, Erak e outros dois jarls snior, Lorak e Ulfak,
ladeado pelo Oberjarl em torno da mesa onde o Halt
tinha espalhado um mapa imenso da Skandia. O arqueiro
bateu um ponto no mapa com o ponto de sua faca de
Saxe.
       -- Ontem  noite -- disse ele -- o Temujai estava
aqui. Talvez sessenta quilmetros de distncia de
Hallasholm. As invases para atrasar esto tendo
exatamente o tipo de efeito que queramos. O avano  de
trinta quilmetros por dia.
      -- No deveria uma cavalaria movesse mais rpido
do que isso? -- Perguntou Ulfak. Halt empoleirado numa
perna do banco ao lado da mesa balanou a cabea.
       -- Eles vo se mover rpido o suficiente quando
estiverem lutando -- disse-lhes. -- Mas agora, eles esto
conservando a fora de seus cavalos, deixando os animais
se moverem com facilidade. Alm disso, agora que os
homens de Olgak foram reforados com mais meia dzia
de grupos de invaso, vai levar a metade do dia para
simplesmente se formar, em seguida, montar um
acampamento de novo  noite.
      Ele olhou para Erak e acrescentou: -- Sua idia de
enviar um navio para invadir seu flanco foi muito boa.
       O Jarl assentiu. -- Parecia lgico -- ele respondeu.
--  o que ns somos bons, apesar de tudo.
       Ragnak bateu um punho macio no pinho das
tbuas que formavam a mesa.
      -- Eles no conseguir nada!  hora de bat-los com
a nossa principal fora e resolver isso de uma vez por
todas -- declarou ele, e trs do seu Conselho rosnou em
acordo.
       -- Haver muito tempo para isso -- advertiu Halt.
-- A coisa mais importante  envolv-los em um lugar
que nos convenha, um que ns escolhemos.
      Novamente, o Oberjarl rosnou. Ele sabia que ele
concordou em ouvir os conselhos de Halt. Mas esses
malditos invasores tinham se exibido em seu pas por
vrias semanas. Foi uma afronta a ele e a todos os
Skandian e queria limpar a afronta logo, ou morrer na
tentativa. -- Qual  a diferena onde ns os combatemos?
-- Disse. -- Uma luta  uma luta. Ns ganhamos ou
perdemos. Mas, se perder, ns vamos tomar muito deles
com a gente!
      Halt tirou o p do banco e ps-se em linha reta,
forando a faca Saxe para trs em sua bainha.
       -- Oh, no se preocupe -- ele disse friamente. --
H todas as chances que ns vamos perder. Mas vamos
certificarmos de levarmos muitos deles com a gente, no?
-- O Skandians, foram surpreendidos com a sua avaliao
fria de suas possibilidades de sobrevivncia, como ele
pretendia que fossem.
      -- Eles esto de cavalaria -- continuou ele. -- Eles
ultrapassam-nos, pelo menos, quatro para um. Eles
podem passar a perna em ns, fugir de ns. E eles olham
para frente mais ampla possvel para nos envolver. Dessa
forma, todas as vantagens esto com eles. Eles
flanqueiam-nos, nos cercam e, se puderem. -- Ele viu que
tinha a ateno. Eles no estavam felizes com a situao,
mas pelo menos eles estavam preparados para ouvir.
        -- Como eles vo fazer isso? -- Erak perguntou.
Ele e Halt tinham discutido isso no dia anterior. O
arqueiro olhou rapidamente para Erak, mas dirigiu a sua
resposta para todos do grupo.
      --  uma ttica padro deles -- disse ele. -- Eles
vo atacar em uma frente ampla, investigando, batendo e
se apossando. Em seguida, eles aparecem para se tornar
totalmente engajados em um ou dois pontos. Eles vo
parar sua ttica de bater e correr, e lutar uma batalha
campal, justamente o tipo de coisa que vai servir aos seus
homens -- acrescentou ele, olhando para Ragnak. O
Oberjarl assentiu.
      -- Ento -- continuou Halt -- eles vo comear a
perder. Seu ataque vai perder a sua coeso e eles vo
tentar se retirar.
      -- Bom! -- Disse Borsa, e os dois outros jarls
resmungaram em acordo. Ragnak, no entanto, percebeu
que havia mais por vir. Ele no fez nenhum comentrio
no momento, mas fez um gesto para Halt continuar.
      -- Eles vo ceder terreno. Lentamente, a princpio,
depois mais e mais rpido quando o pnico parece ajustar-
se dentro, de alguma forma eles nunca se movem to
rpido que os homens perdem o contato com eles.
Gradualmente, mais e mais dos seus guerreiros ser
retirado de nossa linha, longe do escudo, longe das nossas
defesas.  medida que prosseguir o inimigo, o Temujai se
tornar cada vez mais desesperado. Pelo menos, eles
pareceram. Ento, no momento certo, eles vo virar.
      -- Virar? -- Disse o Oberjarl. -- O que voc quer
dizer?
       -- Eles vo parar de recuar. De repente, vocs vo
se encontrar cercado pela cavalaria Temujai. E lembre-se,
cada um de seus cavaleiros  um perito arqueiro. Eles no
vo se preocupar em matar. Eles podem escolher os
homens que querem matar. E quanto mais eles matam os
lderes, mais enfurecidos vo se tornar. Seus amigos vo
estar rodeados por sua vez. E exterminados.
      Ele fez uma pausa. Os cinco Skandians todos
olharam para ele, e o silncio os atingiu. Eles poderiam
imaginar o cenrio que ele descreveu. Eles sabiam que o
temperamento de seus homens e ver a facilidade com que
tal poderia suceder um estratagema contra eles.
       -- Isto  como eles lutam? -- Ragnak perguntou
finalmente.
       -- Eu os vi, Oberjarl. Eles no esto preocupados
com glria na batalha. Apenas matando eficiente. Eles vo
desafiar os nossos guerreiros a nica luta, ento
emboscada-los com dez ou vinte guerreiros de uma vez.
Se eles no podem atirar para matar logo, eles vo disparar
para desativar. Mesmo os seus mais fortes guerreiros no
podem continuar com dez a quinze flechas nas pernas.
Ento, quando eles esto desamparados, os Temujai iro
mat-los.
       Ele varreu seu olhar em volta da mesa. Ciente de
que todos podiam ver o perigo que eles enfrentavam,
sentou-se, abrangendo o banco. Finalmente, foi Borsa, o
Hilfmann, que quebrou o longo silncio que havia cado
na sala.
      -- Ento... Onde quer envolv-los? -- Perguntou
ele. Halt estendeu as mos em um gesto amplo de
questionamento.
       -- Por que envolv-los em tudo? -- Perguntou ele.
-- Temos tempo para se retirar antes de eles chegarem.
Ns poderamos avanar para as montanhas e as florestas
e continuar batendo neles como eles vm mais e mais ao
longo da plancie costeira aqui.
      -- Fugir, voc quer dizer? -- Ragnak perguntou, seu
tom irritado.
      Halt assentiu com a cabea vrias vezes. -- Sim.
Fugir. Mas continuam a bater-lhes a vinte ou trinta ou
cinqenta pontos ao longo da sua coluna. Mat-los.
Queime seus fornecimentos. Atorment-los. Faa a sua
vida uma misria, muito insuportvel at que eles
percebam que essa invaso foi uma m idia. Ento
assedi-los de volta para a fronteira at que eles se vo.
        Ele fez uma pausa. Ele sabia que havia pouca
chance de ganhar. Mas ele tinha que tentar. Foi o melhor
curso que lhes abre. Seu corao afundou quando Ragnak
balanou a cabea. Mesmo Erak, os lbios estavam
comprimidos em uma linha fina, desaprovando.
        -- Abandonar Hallasholm para eles? -- Perguntou
Ragnak.
        Halt encolheu os ombros. -- Se necessrio. Voc
pode sempre reconstruir.
      Mas agora todos os Skandians estavam balanando a
cabea e ele sabia o que estava por trs dele.
        -- Abandonar tudo em Hallasholm para eles?
Ragnak persistiu. Desta vez Halt no deu resposta. Ele
esperou o inevitvel.
      -- Nosso saque, os resultados de centenas de anos
de incurses, deixar isso para eles? -- Ragnak perguntou.
      E que, Halt sabia, era o cerne da questo. Na
Skandian jamais abandonar o que tinha guardado ao longo
dos anos, o ouro, a armadura, as tapearias, os lustres, os
mil e um artigos que acumulou e mantidos e regozijou-se
mais em seus depsitos. Ele chamou a ateno de Will e
encolheu os ombros levemente. Ele tentou. Halt mudou-
se para o mapa, mais uma vez e indicou a um ponto com
a faca.
      -- Alternativa -- disse ele -- ns os detemos aqui,
onde os contratos de plancie costeira ao seu ponto mais
estreito.
       Os Skandians esticaram para olhar novamente. Eles
assentiram em aprovao cautelosa, j que Halt tinha
retirado a sugesto de que eles deveriam abandonar
Hallasholm e seu contedo para os invasores.
      -- Dessa forma, eles no podem atacar em uma
frente ampla. Eles vo ser apertados. E ns podemos
esconder os homens nas rvores aqui e at mesmo em
uma das dependncias ao longo da costa.
      Lorak, mais velho dos dois jarls, franziu a testa com
a sugesto. -- No enfraqueceria nossa defesa?
      Halt balanou a cabea. -- No visivelmente. Ns
vamos ter mais do que os homens o suficiente para
formar uma slida posio defensiva aqui onde a terra 
mais restrita. Ento, quando o Temujai tentar seu truque
de cair para trs e trazer os nossos homens, juntamente
com eles, ns vamos aparecer para ir junto com ele.
      Erak avanou para inspecionar a faixa estreita de
terra que Halt estava apontando.
      -- Quer dizer que ns vamos fazer o que eles
querem? -- Perguntou ele. Halt empurrou para fora o
lbio inferior e inclinou a cabea para um lado.
       -- Vamos fazer parecer -- admitiu -- Mas em vez
de parar e retirar o contra-ataque, vamos fazer nossas
foras de emboscada sair da clandestinidade e bat-los por
trs. Se tudo correr corretamente, podemos tornar a vida
muito desagradvel para eles.
      O Skandians estavam p, olhando para o mapa.
Borsa, Lorak e Ulfak pareciam brancos quando eles
tentaram visualizar o movimento. Erak e Ragnak, Halt
estava contente de ver, foram lentamente balanando
quando eles entenderam a idia.
      -- Nossa melhor chance -- continuou ele -- 
for-los para o tipo de envolvimento que se adapte s
seus homens mais perto, lado a lado, cada um por si. Se
ns pudermos peg-los dessa forma, seu machado ter um
pesado tributo sobre eles. O Temujai dependem da
velocidade e do movimento para a proteo. Eles esto
apenas levemente armados e blindados. Se tivssemos
uma pequena fora de arqueiros, poderia fazer uma
enorme diferena -- acrescentou -- Mas eu acho que no
podemos ter tudo. -- Halt sabia que o arco no era a
arma Skandian. No adiantava desejar coisas que no
podia ser. Mas em sua mente, ele podia ver a devastao
que um grupo organizado de arqueiros poderia causar. Ele
deu de ombros, empurrando o pensamento de lado.
Erak olhou para o arqueiro cinza camuflado. Ele 
pequeno, ele pensou, mas pelos deuses, ele  um guerreiro
para reconhecer.
      -- Ns temos que depender de nossos homens para
manter suas cabeas -- disse ele. -- Ento, temos que no
tempo certo, mover para a direita caso contrrio, os
homens provenientes da floresta e as dependncias sero
expostos.  um risco.
      Halt encolheu os ombros. --  a guerra --
respondeu ele. -- O truque  saber quais os riscos tomar.
       -- E como voc sabe disso? -- Borsa perguntou-
lhe, sentindo que o pequeno, barbudo estrangeiro havia
ganhado a confiana e a aceitao dos Oberjarl e seu
Conselho de Guerra. Halt esfaimadamente sorriu para ele.
       -- Voc espera at que acabe e veja quem ganhou
-- disse ele. -- Ento voc sabe que aqueles eram os
riscos certos a tomar.
      -- Halt -- Will disse pensativo enquanto se
afastava do Conselho com Halt e Erak. -- O que voc
quis dizer quando disse que precisava de arqueiros?
      Halt olhou para os lados de seu aprendiz e suspirou.
       -- Poderia fazer uma grande diferena para o
resultado -- disse ele. -- Os Temujai so arqueiros em si.
Mas eles raramente tm de enfrentar um inimigo com
uma habilidade especial com o arco.
      Will assentiu. O arco era tradicionalmente uma arma
Araluen. Talvez por causa do isolamento do reino em uma
ilha e os pases em uma massa de terra Oriental, que
havia feito Araluen peculiar. Outras nacionalidades pode
usar arcos de caa ou mesmo esporte. Mas s nos
exrcitos do Araluens iria encontrar o laminado grupos de
arqueiros que poderia fornecer uma devastadora chuva de
flechas      sobre      uma       fora     de      ataque.
       -- Eles entendem o valor do arco como uma arma
estratgica -- disse ele. -- Mas eles nunca tiveram que
lidar com ele. Eu tenho uma vaga idia porque quando
Erak e eu estvamos correndo deles para perto da
fronteira. Uma vez que eu ia atirar flechas, eles foram
decididamente relutantes em vir correndo em torno de
todos os cantos cegos.
      O Jarl riu discretamente na memria. -- Isso 
bastante verdade -- ele concordou. -- Uma vez que voc
matou alguns deles, eles abrandaram consideravelmente.
       -- Voc sabe, eu estive pensando... -- disse o
menino, e hesitou. Halt sorriu silenciosamente para si
mesmo.
       -- Sempre um passatempo perigoso -- disse ele
gentilmente.
       Mas Will continuou: -- Talvez devssemos tentar
reunir uma fora de arqueiros. Mesmo uma centena ou
mais poderia fazer a diferena, no poderiam eles?
       Halt balanou a cabea. -- Ns no temos tempo,
Will -- respondeu ele. -- Eles estaro sobre ns dentro
de duas semanas. Voc no pode treinar arqueiros nesse
curto espao de tempo. Afinal, os Skandians no tm
nenhuma habilidade com o arco, para comear. Voc teria
que ensinar o bsico, entalhe, desenho, libertando. Isso
leva semanas, como voc sabe.
      -- H uma abundncia de escravos aqui -- Will
persistiu. -- Alguns deles sabem o bsico. Ento, tudo o
que ns teramos que fazer  controlar seu alcance.
       Halt olhou para o aprendiz novamente. O menino
estava falando srio, ele podia ver. Um pequeno franzir da
testa enrugada de Will quando ele pensava sobre o
problema.
       -- E como voc faria isso? -- Perguntou o
arqueiro. A carranca aprofundada por alguns segundos,
enquanto Will reunia seus pensamentos.
      -- Era algo que Evanlyn pediu-me, que me surgiu
isso -- disse ele. -- Ela estava me observando praticar e
ela ficou perguntando como eu sabia da elevao quanto
para dar um tiro especial, e eu lhe disse que era apenas
uma experincia. Ento eu pensei que talvez pudesse
mostrar a ela e eu estava pensando, se ensinasse as quatro
posies bsicas...
      Ele parou de andar e levantou o brao esquerdo
como se estivesse segurando um arco, em seguida,
mudou-se atravs de quatro posies, com incio na
horizontal e, finalmente, elevando-a para um mximo de
quarenta e cinco graus. -- Um, dois, trs, quatro, como
aquela -- continuou ele. -- Voc pode fazer um grupo de
arqueiros assumirem essas posies, enquanto algum lhes
diz o intervalo. Eles no precisam ser tomadas muito
boas, desde que a pessoa que os controlam possam julgar
o intervalo -- concluiu.
      -- E deflexo -- Halt disse pensativo. -- Se voc
sabe que na segunda posio seus eixos iriam viajar,
digamos, duzentos metros, voc pode liberar o seu tempo
para que o inimigo que se aproximasse chegasse a esse
ponto assim como a tempestade de flecha.
       -- Bem, sim -- Will admitiu. -- Eu no tinha
pensado to longe. Eu s estava pensando em definir o
intervalo e com liberao de todos ao mesmo tempo. Eles
no precisariam apontar para alvos individuais. Eles
poderiam apenas atirar na massa.
      -- Voc precisa antecipar -- Halt disse.
      -- Sim. Mas essencialmente, seria o mesmo como se
eu estivesse disparando uma flecha para mim.  s que,
quando liberada, seria chamada uma centena de outras
flechas.
      Halt coou a barba. Olhou para o Skandian. -- O
que voc acha, Erak?
      O Jarl apenas encolheu os ombros macios -- Eu
no entendi uma palavra do que voc est dizendo --
admitiu alegremente. -- Defraxo...
      -- Deflexo -- corrigiu-o Will, e Erak encolheu os
ombros.
       -- Seja qual for.  tudo um enigma para mim. Mas
se o menino acha que poderia ser possvel, bem, eu penso
que ele poderia estar certo.
      Will sorriu para o grande lder de guerra. Erak
gostava de manter as coisas simples. Se ele no
compreendesse um assunto, ele no gastava energia
pensando sobre isso.
      -- Tenho a tendncia a pensar da mesma maneira --
Halt disse calmamente, e Will olhou para ele com
surpresa. Ele estava  espera de seu mentor para apontar a
falha fundamental em sua lgica. Agora, ele viu que Halt
estava considerando seriamente a sua proposta. Ento ele
percebeu o olhar de desespero que crescia no rosto de
Halt quando ele descobriu a falha.
       -- Arcos -- disse o arqueiro, o desapontamento
em sua voz. -- Onde  que ns encontraremos uma
centena de arcos? No h, provavelmente, vinte no total
em Skandia.
     O corao de Will afundou.  claro. Havia o
problema. Levava semanas para moldar e fazer um nico
arco. Era um trabalho de arteso e de nenhuma maneira
teriam tempo para fazer os cem arcos que seria necessrio.
Desconsolado, ele chutou uma pedra em seu caminho,
ento gostaria que no tivesse. Tinha esquecido que ele
estava usando botas de pano.
     -- Eu poderia deixar voc ter uma centena -- disse
Erak no deprimente silncio que seguiu a declarao de
Halt. Ambos se viraram para olhar para ele.
       -- Onde voc encontrou uma centena de arcos
longos? -- Halt perguntou-lhe. Erak encolheu os ombros.
       -- Eu capturei um sabugo de dois mastros na costa
Araluen trs temporadas atrs -- disse-lhes. Ele no tem
que explicar que uma temporada Skandian era uma
temporada de ataques. -- Ela tinha um poro cheio de
arcos. Eu os mantive na minha despensa at que eu
pudesse encontrar um uso para eles. Eu estava indo us-
los como cercas -- ele continuou -- Mas eles pareciam
um pouco flexveis para o trabalho.
     -- Os arcos tendem a ser assim -- disse Halt
lentamente, e quando Erak olhou para ele, sem
compreender, ele acrescentou: -- Mais flexvel que a
cerca.  uma das qualidades que procuramos em um arco.
       -- Bem, eu suponho que voc saiba -- disse Erak
casualmente. -- De qualquer forma, eu ainda os tenho.
Deve haver milhares de flechas l tambm. Eu pensei que
seria til um dia.
      Halt alcanou e colocou uma mo no ombro macio.
       -- E como voc estava certo -- disse ele. --
Graas aos deuses o hbito Skandian de guardar de tudo.
       -- Bem, claro que guardamos -- Erak explicou. --
Ns arriscamos nossas vidas para levar o material em
primeiro lugar. No h nenhum sentido em jog-la fora.
Enfim, voc quer ver se voc pode us-los?
      -- Vamos l, Jarl Erak -- Halt disse, sacudindo a
cabea maravilhado e levantando uma sobrancelha  Will.
Erak os levou para o armazm, onde ele mantm a maior
parte de sua pilhagem.
      -- Excelente -- disse ele feliz, esfregando as mos.
-- Se voc decidir us-los, eu vou ser capaz de cobrar a
Ragnak.
       -- Mas esta  uma guerra -- Will protestou. --
Certamente voc no pode cobrar a Ragnak para fazer
algo que vai ajudar a defender Hallasholm?
       Erak virou o seu sorriso encantado ao jovem
arqueiro. -- Para um Skandian, meu filho, toda a guerra 
um negcio.
     Evanlyn estava esperando     Halt e Will deixarem o
Conselho de Guerra de Ragnak. Assim que as duas figuras
de cinza camuflado, em companhia do corpulento Jarl
Erak, surgiu a partir do Grande Salo e atravessou o
campo aberto, ela comeou a andar para intercept-los.
Ento ela parou, sem saber como proceder. Ela esperava
que Will pudesse sair sozinho. Ela no queria abord-lo na
frente de Erak e Halt.
      Evanlyn estava entediada e infeliz. Pior, ela estava se
sentindo intil. No havia nada de especfico que poderia
fazer para contribuir para a defesa de Hallasholm, nada
para manter sua mente ocupada. Will obviamente faria
parte do crculo ntimo da liderana Skandian, e mesmo
quando ele no estava em reunies com Halt e Erak, ele
estava fora a praticar com seu arco. s vezes parecia que
ele usava suas sesses de prtica para evit-la. Ela sentiu
um pequeno surto de raiva, ela lembrou sua reao
quando ela lhe pediu para ensin-la a atirar. Ele riu dela!
       Horace no era melhor. Inicialmente, ele tinha sido
feliz para lhe fazer companhia. Mas depois, vendo Will
constantemente praticando, ele se sentiu culpado e
comeou a passar tempo no campo de prtica para
aperfeioar suas prprias habilidades com um pequeno
grupo de guerreiros Skandian.
      Foi tudo culpa de Will, ela pensou.
Agora, quando ela o viu conversando com seu antigo
professor, e viu os dois parar, ela percebeu com um
sentimento de tristeza que havia uma parte da vida de Will
de que ela seria sempre excluda. Jovens como ele era, ele
j era parte do misterioso e unido cl dos Arqueiros. E
Arqueiros, lhe tinha sido dito desde que ela era pequena,
mantinham-se unidos. Mesmo seu pai o rei tinha sido
frustrado de vez em quando pela natureza fechada do
Corpo de Arqueiros. Quando essa verdade lhe atingiu, ela
se virou, infelizmente, deixando os dois arqueiros, mestre
e aprendiz, na sua discusso com o Jarl Skandian.
Morosamente, ela chutou uma pedra no cho em frente
dela. Se ao menos houvesse algo para ela fazer!
Ela ficou hesitante, indecisa sobre onde ir em seguida.
Virou-se bruscamente para ver se Will e Halt ainda
estavam onde ela tinha visto pela ltima vez. Eles haviam
se movido, mas sua volta repentina colocou em contato
com os olhos inesperados de um familiar, embora no
desejados, figura.
      Slagor, os lbios finos, olhos apertados, o capito de
quem tinha visto pela primeira vez na ilha rochosa de
Skorghijl, tinha acabado de emergir de um dos edifcios
menores do Grande Salo de Ragnak. Levantou-se agora,
olhando para ela. Havia algo em seu olhar que a
incomodava. Saber algo, algo que faria mal para ela.
Ento, quando ele percebeu que ela tinha visto, ele se
virou, caminhando rapidamente para o beco escuro
sombreado entre os dois edifcios. Ela franziu para si
mesma. Havia algo suspeito sobre a maneira Skandian, ela
pensou. Metade porque ela queria saber mais, e metade
porque ela estava entediada, sem nada de construtivo a
fazer, ela partiu atrs dele.
      Havia algo na maneira como ele olhava para ela, que
lhe disse que poderia ser melhor se ele no sabia que ela o
estava seguindo. Mudou-se para o final do beco e olhou
ao redor cautelosamente, apenas ao v-lo quando ele virou
 direita na parte traseira do edifcio. Ela estava paralela a
sua trajetria, movendo-se cautelosamente para o beco
prximo, a pausa, seguida de troca de trfego em torno de
novo. Mais uma vez, ela pegou um vislumbre rpido do
Slagor e ela adivinhou em sua direo geral de que ele
estava indo para o cais, onde os navios estavam
ancorados. Percebendo que suas prprias aes poderiam
parecer altamente suspeitas, ela olhou rapidamente em
volta para ver se algum podia estar olhando para ela.
Aparentemente no, ela decidiu. Ainda assim, ela cruzou
de volta para o outro lado da rua antes de seguir na
perseguio do capito.
      Conforme ela deslizou discretamente de um prdio a
outro, viu-o vrias vezes, confirmando a primeira
impresso que ele estava indo para o cais. Isso era lgico.
Presumivelmente, o seu navio estava entre a frota
amarrada l. Provavelmente Slagor tinha algum negcio de
navio para atender, ela pensou. A maneira suspeita de que
ela havia notado, provavelmente nada mais do que sua
atitude normal.
      Ento ela lanou as dvidas de lado. Havia outra
coisa: algo a saber. Algo ruim.
      Evanlyn foi, naturalmente, sempre consciente de sua
situao precria aqui no Hallasholm. Ragnak poderia no
ter nenhum interesse em punir um escravo recapturado.
Mas se a sua identidade real passasse a ser conhecida, sua
reao seria precipitada. Ele tinha jurado matar qualquer
membro da famlia real Araluen. Agora parecia importante
para ela descobrir o que estava por trs do olhar de Slagor.
Ela acelerou o passo e correu por uma das vielas estreitas
de conexo, emergente na avenida que Slagor havia
tomado.
       Tinha vinte metros  frente dela quando ela olhou
com cautela em torno do fim do prdio. Ele estava de
costas e ela percebeu que ele no tinha idia de que ela o
tinha seguido.  esquerda, os mastros do navio atracado
formavam uma floresta de mastros nus, balanando e
balanando com o movimento da gua. No lado direito da
rua, tinha uma srie de tabernas. Foi em direo a uma
destas que Slagor foi correndo, ela percebeu.
      Algum instinto a fez se esconder. Foi bom ela ter
feito, porque ele virou-se e olhou para trs assim que
chegou  taberna, aparentemente, para verificar se algum
o tinha seguido. Ela franziu para si mesma quando se
encolheu nas sombras. Por que Slagor deveria estar
nervoso, aqui no meio do Hallasholm? Certamente ele era
um dos capites menos populares, mas era improvvel
que algum iria realmente fazer-lhe mal. Havia
obviamente alguma coisa acontecendo, pensou ela, e
decidiu ir ao fundo do mesmo. Perto, atracado a um dos
cais de madeira, ela viu o navio de Slagor, Wolf Fang. Ela
reconheceu a figura esculpida. No h dois navios com a
mesma figura e lembrou-se muito bem do dia em que o
Wolf Fang chegou mancando no ancoradouro em
Skorghijl. Com ele veio a notcia de Vallasvow Ragnak
contra seu pai e ela, ento ela tinha boas razes para
lembrar o cone grotescamente esculpido.
      Por um momento, ela hesitou na porta. Ento, a
porta atrs dela se abriu e duas mulheres Skandian
surgiram, cestas de compras na mo. Elas encararam o
estranho  sua porta e ela pediu desculpas s pressas e se
afastou. Atrs dela, ouviu os comentrios com raiva das
mulheres que se dirigiram para a praa do mercado. Era
demasiado bvio aqui, ela percebeu. Qualquer momento,
Slagor podia surgir a partir da taberna e v-la. Ela olhou
incerta para o navio, em seguida, chegou a uma deciso e,
movendo-se, ela fez seu caminho para baixo a beira-mar
para o cais onde Wolf Fang estava atracado. Era razovel
supor que Slagor poder eventualmente vir aqui, e ento
ela poderia ter uma vaga idia do que estava acontecendo.
      Havia um guarda a bordo,  claro. Mas era apenas
um homem e ele estava na popa, inclinando-se sobre a
amurada, olhando para o porto e para o mar alm.
Abaixando-se abaixo do nvel da proa elevada, ela se
aproximou do navio e abobadado levemente sobre os
trilhos, os seus ps calados fazendo praticamente
nenhum som assim que ela pousou sobre as tbuas do
convs. Ela caiu de imediato para o lugar dos remos,
fixado abaixo do convs principal, onde a equipe de remo,
normalmente senta-se para exercer a sua pesada tarefa,
remos de carvalho branco. A rea estava deserta, no
momento, e ela estava escondida da vista do guarda
solitrio na popa. Mas era apenas um esconderijo
temporrio e ela olhou agora para um melhor.
 direita na proa do navio havia um pequeno espao
triangular, escondido por uma tampa de lona. Era grande
o suficiente para acomod-la e se agachou, moveu-se
rapidamente para ele agora, deixando cair a tela de lona de
volta no lugar atrs dela. Ela se encontrava sentada em
rolos de corda, duro grosseiro, algo difcil e espetado em
seu lado. Mudando para uma melhor posio, ela
percebeu que tinha sido o verme da ncora, e os rolos de
corda pesados foram o cabo de ancoragem. Com o navio
atracado no cais, eles no estavam em uso. Isso seria
como um bom lugar para se esconder como qualquer
outro, ela pensou. Ento ela perguntou se ela no podia
estar desperdiando seu tempo aqui. As chances era que
Slagor, simplesmente, chegara esse caminho para visitar a
taberna e que depois que ele tinha bebido o
preenchimento dos espritos dos Skandians favorecidos,
ele provavelmente voltaria para seu alojamento.
      Ela encolheu os ombros melancolicamente. Ela no
tinha nada melhor para fazer com seu tempo. Ela poderia
muito bem dar-lhe uma hora ou mais e ver se nada
acontecia. O que poderia ser qualquer coisa, ela realmente
no tinha idia. Ela seguiu Slagor em um impulso. Agora,
seguindo o mesmo impulso, ela estava agachada aqui,
esperando para ver o que ela podia ouvir, se e quando ele
viesse a bordo.
      Estava quente nos confins do pique e, uma vez que
ela se movimentou algumas vezes, a corda se tornou um
lugar relativamente confortvel para descanso. Ela
contorceu-se em uma posio melhor e descansou o
queixo sobre os cotovelos, olhando atravs de um
pequeno espao na tela para ver se algo estava
acontecendo l fora. Sentiu os passos do sentinela quando
ele cruzou para o lado da terra do navio, dando o seu
controlo do porto, e ouviu-o chamar algum na praia.
Havia uma voz eletrnica, mas as palavras eram
demasiado abafadas para ela ouvir. Provavelmente apenas
uma saudao casual a um amigo que passa, ela pensou.
Bocejou. O calor estava fazendo-a sonolenta. Ela no
tinha dormido bem na noite anterior, pensando em Will e
como a sua amizade parecia estar corroendo a cada dia
que passa. Ela tentou culpar Halt, pelo distanciamento
sbito entre eles. Mas ela no podia. Ela gostava do
pequeno, arqueiro barbado. Havia um senso de humor
seco sobre ele que recorreu a ela. E depois de tudo, ele a
resgatou dos Temujai. Ela suspirou. No era culpa de
Halt. Nem Will. Era assim que as coisas eram, ela
adivinhou. Arqueiros eram diferentes de outras pessoas.
Mesmo princesas.
     Especialmente princesas.
     Ela acordou de repente, pensando que ela estava
caindo. Ela no tinha percebido que tinha dormido,
deitada nos rolos de corda. Mas ela sabia o que a tinha
acordado. O deck abaixo dela caiu de repente quando o
Wolf Fang soltou-se ao mar. Agora ela podia ouvir o
ranger e o baque dos remos e percebeu, com um
sentimento de naufrgio terrvel, que Wolf Fang tinha ido
para o mar e ela ficado preso a bordo.
     Entre eles, Halt e Will se encontravam no meio de
uma centena de escravos que afirmavam ter algum nvel
de habilidade com o arco. Encontr-los foi uma questo.
Convenc-los de que eles deveriam se voluntariar para
ajudar a defender Hallasholm era outra coisa.
Quando o silvicultor Teutlander corpulento, que parecia
ter assumido o papel de porta-voz deles, disse aos dois
Arqueiros.
       -- Por que devemos ajudar o Skandians? Eles no
fizeram nada alm de nos escravizar, nos derrotar e nos
do muito pouco alimento.
      Halt olhou amplamente para o homem. Se alguns
dos escravos eram desnutridos, este dificilmente poderia
se passar por um deles, pensou. Ainda assim, ele decidiu
deixar esse assunto passar.
      -- Voc pode achar que  mais agradvel ser um
escravo do Skandians do que cair nas mos do Temujai --
disse-lhes sem rodeios.
      Outro dos homens reunidos falou. Este era um
Gallican do Sul e o seu sotaque estranho fez suas palavras
quase indecifrveis. Will finalmente decifrou os sons de
modo suficiente para saber o que o homem tinha
perguntado.
      -- O que o Temujai fazem com seus escravos?
      Halt virou um frreo olhar no Gallican. -- Eles no
mantm escravos -- disse ele uniformemente, e um
murmrio de expectativa percorreu os homens reunidos.
O Teutlander deu um grande passo  frente de novo,
sorrindo.
      -- Ento por que voc espera que ns lutemos
contra eles? -- Perguntou ele. Se eles baterem o
Skandians, eles nos libertaram.
      Houve um murmrio alto de consentimento entre os
outros atrs dele. Halt levantou a mo e esperou
pacientemente. Eventualmente, a agitao desapareceu e
os escravos olharam para ele na expectativa, querendo
saber o incentivo a mais que ele poderia oferecer-lhes o
que eles consideram ser mais do que a perspectiva de
liberdade.
      -- Eu disse -- ele entoou de forma clara, para que
todos pudessem ouvi-lo -- eles no mantm escravos. Eu
no disse que os libertam. -- Fez uma pausa, depois
acrescentou, com um ligeiro encolher de ombros --
Embora os religiosos entre vocs possam considerar que a
morte  a suprema liberdade.
      Desta vez, a comoo entre os escravos era ainda
mais alta. Finalmente, o autonomeado porta-voz adiantou
novamente e perguntou, com uma afirmao pouco
menor
      -- O que voc quer dizer, Araluen? Morte? --
Halt fez um gesto descuidado.
      -- O costume, suponho, a suspenso brusca da vida.
O fim de tudo. Partida para um lugar mais feliz. Ou
esquecimento, dependendo de suas crenas pessoais.
      Novamente um sunbido correu pela multido. O
Teutlander estudou Halt de perto, tentando ver algum
indcio de que o Arqueiro estava blefando.
      -- Mas... -- Ele hesitou, no tendo certeza se
deveria fazer a prxima pergunta, no tendo certeza de
que ele queria saber a resposta. Em seguida, pediu a seus
companheiros, ele prosseguiu
      -- Por que esses Temujai querem nos matar? Ns
no fizemos nada para eles.
      -- A verdade da questo  -- disse Halt a todos eles
-- vocs no querem dizer nada para eles tambm. O
Temujai se considera uma raa superior. Eles te matam
porque voc no pode fazer nada por eles, mas se te
deixarem para trs, voc pode constituir uma ameaa.
      Um silncio nervoso constante caiu sobre a
multido. Halt deixo-os digerir o que tinha dito, ento
falou novamente.
      -- Acredite em mim, eu vi o que essas pessoas so
-- Ele olhou para o rosto da multido. -- Eu posso ver
que existem alguns Araluens entre vs. Eu vou dar a
minha palavra como um Arqueiro que eu no estou
blefando. Sua melhor chance de sobrevivncia  a luta
com a Skandians contra estes Temujai. Vou deixar vocs
meia hora para considerar o que eu disse. Voc Araluens
poderia dizer aos outros o que a palavra do Arqueiro
significa -- acrescentou. Em seguida, acenando para Will
o seguir, ele virou as costas e caminhou a uma certa
distncia, fora do alcance da voz.
      -- Ns vamos ter que lhes oferecer mais -- disse ele
quando os outros no podiam ouvi-lo. -- Recrutas
relutantes sero quase inteis para ns. Um homem tem
que ter algo que vale a pena lutar, se ele vai fazer o seu
melhor. E  isso que ns vamos precisar deste grupo, seu
melhor.
      -- Ento o que voc vai fazer? -- Will perguntou,
quase correndo para acompanhar o passo urgente de seu
professor.
      -- Ns estamos indo ver Ragnak -- Halt disse a ele.
-- Ele vai ter a promessa de libertar todos os escravos
que lutarem por Hallasholm.
      Will balanou a cabea em dvida. -- Ele no vai
gostar disso -- disse ele. Halt olhou para ele, um sorriso
fraco tocando no canto da boca.
      -- Ele vai odiar -- ele concordou.




      -- Liberdade? -- Ragnak explodiu -- Dar-lhes sua
liberdade?    Uma     centena   de     escravos?    --
Halt encolheu os ombros com desdm.
      -- Provavelmente perto de trs centenas --
respondeu ele. -- Muitos deles vo querer levar as
mulheres e as crianas com eles.
      O Oberjarl deu uma enorme gargalhada incrdula.
      -- Voc est louco? -- Perguntou ao Arqueiro. --
Se me derem trs cem escravos a liberdade, ns no
vamos ter praticamente nenhum escravo. O que vou
fazer, ento?
      -- Se voc no fizer isso, voc pode achar que no
tm ptria esquerda -- Halt respondeu. -- Quanto ao que
voc iria fazer em seguida, voc poderia tentar pag-los.
Torn-los empregados, em vez de escravos.
      -- Paga-los? Para fazer o trabalho que estamos
fazendo agora? -- Ragnak bufou indignado.
      -- Por que no? Os deuses que voc puder pag-los
suficientemente bem. E voc pode achar que eles fazem
um trabalho melhor, se tem algo mais do que uma surra
no final do dia.
      -- Para o inferno com eles! -- Ragnak disse. -- E
para o inferno com voc, Arqueiro. Concordei em ouvi-lo,
mas isso  ridculo. Voc vai me transformar em um
mendigo se eu deixar voc no meu caminho. Primeiro
voc quis que eu abandonasse Hallasholm a esta turba de
cavaleiros. Agora voc quer me enviar todos os meus
escravos de volta para onde vieram. Para o inferno com
voc, eu digo.
      Ele olhou para o arqueiro por alguns segundos e, em
seguida, com uma onda de desprezo de sua mo, ele
virou-se, recusando-se a fazer contato visual. Halt esperou
alguns segundos e, em seguida, falou a Erak, que estava
com um olhar desconfortvel em seu rosto.
      -- Estou lhe dizendo, precisamos desses homens --
disse ele com fora. -- Mesmo com eles, ns ainda
podemos perder. Mas com eles lutando de bom grado
para ns, teremos uma chance. -- Ele apontou um dedo
na direo do Oberjarl. -- Diga a ele. -- disse ele
finalmente, depois virou as costas e saiu da sala do
Conselho, Will foi correndo atrs dele.
      Quando saram da sala, Halt disse, quase para si
mesmo, mas alto o suficiente para Will ouvir -- Eu me
pergunto se lhes ocorre que, se os escravos concordarem
a contragosto de lutar por eles, e se, por algum infortnio
louco, o que fizermos vencer, no h nada para parar os
escravos de virar as suas armas no Skandians. -- Esse
pensamento tinha ocorrido a Will. Ele acenou em acordo.
      -- Por isso -- Halt continuou -- ns temos que
dar-lhes algo vale a pena lutar.
      Eles esperaram no campo de treinamento por mais
de uma hora. Os escravos tinham vindo com uma deciso,
concordando em lutar contra o Temujai. No entanto, um
olhar matreiro poucos entre o grupo disse a Will e Halt
que uma vez que a batalha houvesse terminado, os
homens armados recentemente no estavam indo para
voltar humildemente  escravido.
       Houve um murmrio de expectativa quanto Erak
chegou. Ele caminhou at Halt e Will, que estavam um
pouco alm dos arqueiros.
       -- Ragnak concorda -- disse ele calmamente. -- Se
eles lutarem, ele vai libert-los.
       Halt balanou a cabea, agradecido. Ele sabia que o
verdadeiro impulso para a deciso Ragnak tinha vindo.
       -- Obrigado -- disse ele simplesmente a Erak. O
Skandian encolheu os ombros e virou-se para Will.
       -- Eles vo ser os seus homens. Eles precisam se
acostumar a receber ordens de voc. Voc diz a eles.
       Will hesitou, surpreso. Ele tinha assumido que Halt
iria falar. Ento, em um gesto de incentivo de seu mestre,
ele avanou, erguendo a voz.
       -- Homens -- ele chamou, e o baixo murmrio de
conversa entre o grupo teve morte instantnea. Ele
esperou um segundo ou dois para ter certeza que ele tinha
a      sua      ateno,      em     seguida,   continuou.
-- Ragnak decidiu. Se vocs lutarem pela Skandia, ele vai
te libertar.
       Houve um momento de silncio atordoado. Alguns
desses homens foram escravos durante dez anos ou mais.
Agora, aqui foi este jovem franzino dizendo-lhes que o
fim de seu sofrimento estava  vista. Em seguida, um
poderoso rugido de triunfo e alegria varreu-los, sem
palavras na primeira e incipiente, mas rapidamente na
resoluo de um canto rtmico de uma palavra de cem
gargantas:
       -- Livre! Livre! Livre!
      Will os deixou comemorar um pouco mais. Ento,
ele subiu em um tronco de rvore onde ele podia ser visto
por todos eles e agitava os braos pedindo silncio. Aos
poucos, o canto desapareceu e eles lotados mais em torno
dele, ansiosos para ouvir o que mais ele tinha a dizer a
eles.
      -- Isso  tudo muito bom -- disse ele quando
tinham acalmado. -- Mas primeiro, h a matria pequena
de bater o Temujai. Vamos comear a trabalhar.
      Halt e Erak viram como Will supervisionou a
emisso de flechas para homens. Inconscientemente, os
homens balanaram em aprovao ao menino. Em
seguida, Erak virou-se para Halt.
      -- Eu quase esqueci, Ragnak tinha uma mensagem
para voc. Ele disse que se ns perdemos essa batalha e
ele perder seus escravos, bem, ele vai mat-lo por isso --
disse ele alegremente.
      Halt sorriu sombriamente. -- Se ns perdemos essa
batalha, ele pode ter que entrar na fila para fazer isso.
Haver alguns milhares de cavaleiros Temujai na frente
dele.
     Will chamou o ltimo grupo de dez homens para
frente da linha de tiro. O grupo anterior, mudou-se para
trs das fileiras de espera e sentou para assistir. Ele estava
trabalhando os homens em pequenos grupos nesta fase.
Isso lhe dava um grupo para trabalhar para testar a sua
capacidade para seguir suas ordens e atirar em uma
altitude pr-determinada.
      -- Pronto! -- Chamou. Cada um tomou uma flecha
da bandeja na frente dele e colocou no arco. Eles estavam
prontos, com as cabeas voltadas para ele, esperando sua
prxima ordem.
      -- Lembrem-se, -- disse ele -- no tente julgar o
tiro voc mesmo. Basta ir para a posio que eu falar,
fazer uma trao integral e uma verso suave quando eu
chamar-lhe.
      Os homens acenaram. Inicialmente, eles no tinham
gostado da idia de ter seu disparo controlado por algum
to jovem como Will. Ento, depois que Halt tinha
incentivado seu aprendiz a dar uma demonstrao de alta
velocidade, eles tinham concordado relutantemente seguir
Will.
      Will respirou fundo, falou ento firmemente: --
Posio trs! Agora!
      Dez braos segurando arcos subiram para uma
posio de cerca de quarenta graus em relao 
horizontal. Will olhou rapidamente para baixo da linha
para ver que cada homem tinha lembrado da posio
correta. Ele tinha feito a perfurao de quatro elevaes
diferentes em todos os dias. Satisfeito, e antes que a cepa
de explorao dos arcos em desenhar faixa tornou-se
demasiado grande, ele chamou:
      -- Dispara!
      Quase como um, houve um deslizar rpido de arcos
liberados e um silvo das flechas de arco atravs do ar.
Will assistiu ao vo pequeno para cima, em seguida, nariz
longo e mergulhou para baixo para enterrar-se at metade
do seu comprimento no relvado. Mais uma vez ele
chamou a fila de espera dos homens:
      -- Posio trs, pronto!
      Como antes, os dez homens colocaram flechas nas
cordas, aguardando a prxima chamada de Will.
      -- Preparar... Atira!
      Novamente houve a batida de arcos acertando o
brao, e o som das hastes de madeira raspagem passado
os arcos que foram lanados para o ar. Assim que as
flechas desceram, Will mudou de comando.
      -- Posio dois... Pronto!
      A linha de armas esquerda segurando os arcos
estendido e inclinado para cima a um ngulo de trinta
graus.
      -- Preparar... Disparar!
      E outras dez flechas estavam a caminho. Will
assentiu aos dez homens, que estavam na expectativa de
v-lo.
      -- Tudo bem -- disse ele. Vamos ver como vocs
foram.
      Ele comeou a andar por todo o campo aberto,
seguido dos dez homens que tinham acabado de atirar.
Havia marcas estabelecidas no meio do campo, marcando
100, 150 e 200 metros de distncia. A posio trs, com os
braos elevados com o arco em quarenta graus em relao
 horizontal, dever ter igualado o marcador de 150
metros. Quando eles se aproximaram do marcador, Will
assentiu com satisfao. Havia dezesseis flechas
inclinando-se na relva dentro de uma tolerncia de dez
metros da marca. Dois tinha ido muito alm, ele percebeu,
e mais duas havia cado antes. Ele estudou os tiros longos.
Os eixos foram numerados de modo que pudesse avaliar
como cada membro da linha de tiro tinha realizado. Ele
viu agora que os dois pertenciam a dois arqueiros
diferentes.
      Movendo de volta para as flechas que tinha o alvo
inferior, ele franziu ligeiramente. As flechas foram
marcadas ambos com o mesmo nmero. Isso significava
que o mesmo arqueiro tinha deixado cair seu tiro mais
curto que a marca duas vezes. Will tomou conhecimento
do nmero, em seguida, voltou para ver os resultados do
final. A carranca aprofundou quando ele viu que eram
nove flechas bem agrupadas, com uma pequena queda
pela mesma margem. Ele realmente no precisava
verificar, mas um olhar rpido mostrou-lhe que, mais uma
vez, o mesmo arqueiro teve a distncia inferior.
Ele resmungou pensativo.
      -- Tudo bem -- ele chamou. -- Recuperar as suas
flechas. -- Ento, ele abriu o caminho de volta ao ponto
de disparo, a seguir os dez homens atrs dele.
Quem ficou em posio de nmero quatro? -- Perguntou
ele.
      Um dos arqueiros avanou, hesitante segurando a
mo e olhando como um aluno na escola nervoso. Ele era
um homem corpulento barbudo de cerca de quarenta
anos, Will notou, mas sua atitude mostrou que ele estava
totalmente no temor do jovem arqueiro  sua frente.
      -- Era eu, a sua honra -- disse ele. Will acenou-lhe
mais perto.
      -- Traga o seu arco e duas ou trs flechas -- disse
ele. O homem pegou seu arco, e selecionou duas flechas
da bandeja que estavam com sua posio de tiro. Ele
estava nervoso por ter sido escolhido e rapidamente
deixou cair as flechas, lutando sem jeito para recuper-las.
      -- Relaxe -- Will disse a ele. -- Eu s quero
verificar a sua tcnica.
      O homem tentou sorrir em retorno. Ele tinha visto
que suas flechas tinham cado antes e ele assumiu que
estava prestes a ser punido. Essa era a forma como era a
vida de um escravo em Hallasholm. Se voc fosse dito
para fazer algo e voc no fez isso, voc era punido.
Agora, o jovem de cabelo castanho que dirigia a sesso
estava sorrindo para ele e dizendo-lhe para relaxar. Foi
uma experincia nova.
      -- Tome uma posio -- Will disse ao homem e
ficaram lado a lado no campo de tiro, o p esquerdo
estendido, mo esquerda segurando o arco na altura da
cintura.
      -- Posio trs -- Will disse calmamente, e o
homem assumiu a posio que havia sido perfurado com
ele todos os dias anteriores, o seu brao esquerdo
segurando o arco em quarenta graus e distncia quase
mxima. Will estudou. Parecia haver pouco errado com a
postura do homem.
      -- Tudo bem -- disse -- Preparar, por favor.
      O homem estava usando o msculo do brao muito
e no o suficiente de seus msculos das costas para
desenhar a curva, Will pensou. Mas isso era uma falha
menor. No haveria nenhuma maneira de mudar isso no
momento em que tinha deixado.
      -- E... Atirar.
      L estava, Will pensando. Uma frao de segundo
antes que o homem lanasse seu tiro, relaxou o
comprimento tirando um pouco deixando a flecha para
baixo aliviando um pouco antes de realmente deixar os
dedos escapar da corda. Isso significava que, no momento
do lanamento, a flecha estava em algo menor do que a
faixa, o que significava que estava a receber menos do que
todo o poder do arco. Halt e Will tinham testado todas as
curvas para se certificar de que eles foram semelhantes em
peso e as flechas estavam todos exatamente no mesmo
comprimento para garantir resultados to consistentes
quanto possvel. A principal causa para a variao seria
poucos erros tcnicos como este.
      Ele olhou para o intervalo para onde os vos da
flecha eram visveis contra a grama, marrom encharcado
do degelo da primavera. Como havia suspeitado de que
era curto de novo.
      Will explicou o motivo do problema para o homem,
vendo a partir da expresso de surpresa que ele no tinha
idia de que ele estava relaxando no lanamento, no
momento crucial.
      -- Trabalhe com isso -- disse ele, dando-lhe uma
bofetada encorajadora sobre o ombro. Halt tinha dito a
ele o fato de que um pouco de incentivo em questes
como estas eram melhores do que a crtica mordaz. Will
ficou surpreso quando Halt o tinha colocado na carga de
treinamento dos arqueiros. Mesmo sabendo que ele estaria
dirigindo os arqueiros durante a batalha, ele assumiu que
Halt iria supervisionar a sua formao. Mas o arqueiro
tinha reiterado seu sentimento anterior.
       -- Voc  a pessoa que estar dirigindo-las uma vez
que estivermos lutando. Assim se acostumaram a seguir
suas ordens, desde o incio.
       Will lembrou outro conselho do Arqueiro. "Os
homens trabalham melhor quando eles sabem o que voc tem em
mente", disse ao jovem aprendiz. "Ento se certifique de dizer-
lhes, tanto quanto possvel".
       Ele subiu em uma plataforma elevada, que tinha sido
colocado ali com a finalidade de tratar todo o grupo.
       -- Est bom por hoje -- disse em uma voz elevada.
-- Amanh vamos atirar como um grupo. Ento, se eu
peguei todas as falhas tcnicas em seus tiros de hoje, trate
de se livrar deles antes da refeio da noite. Ento, um
bom descanso e boa noite. -- Ele comeou a se afastar,
em seguida, virou-se, lembrando de mais uma coisa. --
Bom trabalho, todos vocs -- ele disse. -- Se vocs
continuarem assim, vamos dar a essas Temujai uma
surpresa muito desagradvel.
       Um rugido de prazer ressuscitou dos cem homens.
Em seguida, eles romperam, voltando para o calor dos
sales e lojas. Will percebeu que era mais do que ele
pensava. O sol estava tocando os topos das colinas alm
de Hallasholm e as sombras se alongavam. A brisa da
noite estava fria e ele tremia, alcanando o manto que
tinha pendurado no parapeito da plataforma quando ele
dirigiu o treino.
       Meia dzia de rapazes tinham sido atribudos para
ajudar e sem as ordens dele se reuniram para pegar as
flechas, colocando-os sob a tampa em um dos galpes da
loja de frente para o campo de prtica. No pde deixar
de notar os olhares admirados que lanavam em seu
caminho quando andavam sobre seu trabalho. Ele era
apenas alguns anos mais velhos do que eles, no entanto, l
estava ele, dirigindo uma fora de cem arqueiros. Ele
sorriu para si mesmo. Ele no seria humano se no tivesse
apreciado o seu culto do heri.
      -- Voc est satisfeito com si mesmo -- disse uma
voz familiar. Ele se virou e percebeu Horace que devia ter
chegado enquanto ele estava a falar com os homens. Ele
deu de ombros, tentando agir tmido.
      -- Eles esto indo muito bem -- disse ele -- Foi
um dia proveitoso.
      Horace acenou.
      -- Percebi -- ele disse. Ento, em um tom
preocupado, ele continuou -- Evanlyn no esteve aqui
com voc, ela esteve?
      Will olhou para ele, de imediato, na defensiva.
      -- E se ela esteve? -- Ele perguntou, um tom
argumentativo rastejando em sua voz. Imediatamente, ele
viu o olhar preocupado no rosto de Horace e percebeu
que ele interpretou mal o motivo da pergunta do amigo.
      -- Ento, ela esteve aqui? -- Horace falou. -- Isso 
um alvio. Onde ela est agora?
      Agora foi a vez de Will franzir.
     -- Um momento -- ele disse, colocando a mo no
antebrao muscular de Horace. -- Por que  um alvio?
H algo de errado?
     -- Ento ela no est aqui? -- Horace perguntou, e
seu rosto voltou a cair quando Will balanou a cabea.
     -- No. Pensei que voc estava com... voc sabe ...
-- Will estava prestes a dizer com cimes, mas ele no
conseguia control-lo. A idia de que Horace poderia ter
cimes tinha um sentido de vanglria sobre ele. Ele viu
imediatamente que esses pensamentos estavam longe da
mente de Horcio. O aprendiz de guerreiro mal parecia
notar a hesitao de Will.
     -- Ela est desaparecida -- disse ele, no mesmo tom
preocupado. Ele jogou as mos para fora e olhou ao redor
do campo de prtica vazio, como se de algum modo
esperasse v-la aparecer ali. -- Ningum a tinha visto
desde o meio da manh de ontem. Eu olhei em todos os
lugares por ela, mas no h sinal.
     -- Desaparecida? -- Repetiu, sem entender muito.
-- Desaparecida onde?
     Horace olhou para ele com um repentino surto de
aspereza.
     -- Se soubssemos disso, ela no estaria
desaparecida, estaria?
     Will colocou as mos em um gesto de paz.
     -- Voc est certo! -- Disse ele. -- Eu no tinha
percebido. Eu fiquei um pouco ocupado organizando os
arqueiros. Certamente algum deve t-la visto na noite
passada. Seus servos, por exemplo?
      Horace balanou a cabea miseravelmente.
      -- Eu perguntei-lhes -- disse ele. -- Eu estava na
patrulha de ontem, mantendo um olho na abordagem
Temujai. Ns no voltamos para Hallasholm at bem
depois da hora do jantar, ento eu no sabia que ela no
estava por perto. Foi s hoje de manh, quando fui
encontr-la que eu descobri que ela no estava em seu
quarto na noite passada e que ningum a tinha visto hoje.
 por isso que eu esperava que talvez voc... -- A frase
travou e Will balanou a cabea.
      -- Eu no vi nem um fio do cabelo dela -- disse o
amigo. -- Mas  ridculo! -- Exclamou depois de um
breve silncio. -- Hallasholm no  um lugar grande o
suficiente para algum desaparecer. E no h outro lugar
que ela poderia ter ido. Vamos encontr-la, ela no pode
simplesmente desaparecer... Pode?
      Horace encolheu os ombros.
      --  isso que eu continuo dizendo a mim mesmo
-- disse ele melancolicamente. -- Mas de alguma forma,
parece que ela pode.
    Unidos agora na sua preocupao com Evanlyn, os
dois aprendizes procuraram por Halt. Todos do partido
Araluen tinha sido atribudo quartos no salo principal.
Como Halt era seu lder, tinha sido dada uma pequena
sute de trs quartos. Na porta, Will bateu
superficialmente e ouviu a resposta rspida de Halt
      -- Entre.
      Quando entraram, ele pegou o fato de que Erak
estava no quarto com Halt. Foi difcil perder o Skandian
volumoso. Ele parecia preencher mais os espaos que
ocupava. Ele estava esparramado em uma das
confortveis poltronas de madeira esculpida que
decoravam a sala. Halt estava parado perto da janela,
emoldurado contra a luz de baixo ngulo da tarde. Ele
olhou interrogativamente para a porta, quando os dois
rapazes entraram apressadamente.
      -- Halt -- Will comeou com urgncia -- Evanlyn
desapareceu. Ela est...
      -- Segura e de volta a Hallasholm. -- Uma voz
familiar terminou a frase para ele. Ambos os meninos
viraram para a voz. De p um pouco atrs, nas sombras
da sala, ela no tinha sido evidente quando eles tinham
entrado.
      -- Evanlyn! -- Horace exclamou. -- Voc est bem!
      A menina sorriu. Agora que seus olhos estavam se
acostumando com a parte mais escura da sala, Will podia
notar que seu rosto e roupas estavam sujos de graxa e
sujeira. Seus olhos se encontraram e ela sorriu para ele,
um pouco melancolicamente. Ento, ela despejou o frasco
de suco que tinha na mo e bebeu avidamente.
      -- Aparentemente -- disse ela -- Embora eu tenha
uma sede que duvido que possa matar. Tudo que eu tinha
para beber a dezoito horas atrs era um pouco de gua da
chuva que fez o seu caminho atravs da tela de cobre
sobre o... -- Ela hesitou e olhou para Erak para suprir a
palavra que lhe foi dita anteriormente. O Jarl completou.
      -- Pique -- disse ele, e Evanlyn repetiu a palavra.
      -- Pique, exatamente, do navio de Slagor -- ela
disse. Will e Horace trocaram olhares perplexos.
      -- O que em nome do diabo que voc estava
fazendo l? -- Will perguntou. Halt respondeu por ela.
      -- O nome do diabo  certo -- disse ele. -- Parece
que nosso amigo Slagor se vendeu ao Temujai e ele est
planejando trair Hallasholm.
      -- O que? -- Perguntou Will, a voz dele com
surpresa. Ele olhou para Evanlyn. -- Como voc sabe?
A menina encolheu os ombros magros.
       -- Porque eu o ouvi discutir com o lder Temujai.
Estavam apenas dois metros de mim.
      -- Parece -- Halt falou, a ttulo de explicao --
que seu velho amigo Slagor navegou pela costa ontem
para um encontro com o Shan-Temujai um Haz'kam. E
como o nosso traidor, obviamente, no confia em seus
novos aliados, ele insistiu em todas as negociaes sendo
realizadas a bordo do seu navio, apenas para manter
retentores Haz'kam em uma distncia.
      -- Qual  a forma como cheguei a ouvi-lo --
Evanlyn acabou. Mas agora Horace estava coando a
cabea na confuso.
      -- Mas... O que voc estava fazendo no navio? --
Disse.
      -- Eu disse a voc -- respondeu Evanlyn. --
Espionando Slagor e o Temujai.
      Horace fez um gesto impaciente.
      -- Sim, sim, de modo que voc disse. Mas por que
voc estava l em primeiro lugar?
      Evanlyn foi responder, hesitou, ento parou
completamente. Todos os olhos no quarto eram nela
agora e ela percebeu que realmente no tinha uma
resposta lgica para essa pergunta.
      -- Eu no sei -- disse ela finalmente. -- Eu estava
entediada, eu acho. E o sentimento de intil. Eu estava
procurando algo para fazer. E alm disso, Slagor olhou
como uma espcie de... Matreiro.
      -- Slagor sempre olha como uma espcie de
matreiro -- ps Erak, servindo-se de frutos de uma bacia
em cima da mesa na frente dele. Evanlyn pensou sobre
isso e, em seguida admitiu o ponto.
      -- Bem, isso  verdade, eu suponho. Mas ele parecia
ainda mais matreiro do que o habitual -- disse ela. --
Ento, eu decidi que algum tinha que ficar de olho nele e
ver o que ele estava fazendo.
      Verdade seja dita, Evanlyn estava se divertindo
muito agora. Ela tinha ido de sentimento de intil e
desnecessria para ser o portador de uma importante, at
mesmo vital notcias para Halt e Erak. Ela no podia
deixar de se orgulhar, s um pouco. A reao de Horace
era exatamente o que ela esperava.
      -- Mas... Voc poderia ter sido machucado! E se
tivessem te encontrado l? Eles teriam te matado -- disse
ele, sua preocupao evidente no tom da sua voz.
Esse pensamento tinha ocorrido a Evanlyn em mais de
uma ocasio, ela se agachou no espao mido na proa do
navio. Uma vez ela teve idia da situao em que estava,
sua pele tinha entrado com o medo da descoberta a cada
segundo. Mas agora ela tinha um ar displicente sobre o
episdio inteiro.
      -- Eu suponho que sim. Mas vamos enfrent-lo,
algum tinha de faz-lo.
      Ela ficou encantada ao notar que Horace estava
olhando para ela com algo prximo do temor. Ela olhou
rapidamente  Will, na esperana de ver o mesmo olhar de
admirao l. Suas prximas palavras acabaram com a
esperana.
      -- Tudo bem -- disse com desdm. -- Mas o
importante  que Slagor est planejando a trair-nos. Como
ele planeja faz-lo?
      -- Esse  o ponto,  claro -- Halt concordou. Ele
indicou um grfico da costa Skandian que ele e Erak tinha
espalhado sobre a mesa entre eles. -- Aparentemente,
Slagor tem planos de colocar o mar em silncio depois de
amanh e fazer o ponto de encontro mesmo ao longo da
costa. S que desta vez, haver duzentos e cinqenta
guerreiros Temujai a espera. Ele vai lev-los a bordo e
traz-los de volta aqui para Hallasholm.
      -- Nunca vo caber duzentos e cinqenta homens
em       um       navio!     --      Will      interrompeu.
Halt assentiu.
      -- Aparentemente, ele tem mais dois navios
esperando por ele por trs desta ilha, a meio caminho para
o encontro.
      -- Eles deixaram uma semana atrs -- Erak falou --
Supostamente, eles estavam indo atacar por trs das linhas
Temujai. Parece que os capites esto em conluio com
Slagor e eles esto esperando neste ponto combinado.
      -- Bateu o mapa com o punhal, com a qual ele tinha
descascado frutas. Algumas manchas de suco de ma
caram sobre o pergaminho. Halt levantou uma
sobrancelha para ele e enxugou-os quando o Jarl
continuou. -- Com trs navios, eles carregam duzentos e
cinqenta homens facilmente.
      -- Ento o qu? -- Horace perguntou. Evanlyn, que
tinha a ateno desviada, pulou de volta para a conversa.
      -- Eles sero capazes de atacar as nossas foras por
trs -- explicou ela. -- Pense nisso, cento e cinqenta
homens, com o elemento surpresa, aparecendo de repente
atrs de nossas linhas!
      -- Isso poderia ser muito desagradvel mesmo --
disse Horace pensativo. -- Ento o que vamos fazer?
      -- Ns j demos o primeiro passo -- Erak disse a
ele. -- Mandei Svengal com dois dos meus navios para
Fallkork Island aqui. -- Novamente ele bateu a faca
manchada de suco no mapa e novamente Halt ergueu os
olhos para ele. -- Para se certificar de que os outros dois
navios de Slagor no vo a qualquer encontro.
      -- Dois a dois? -- Will perguntou. -- Isso 
suficiente?
      O Jarl inclinou a cabea para um lado e sorriu para
ele.
      -- Considere-se sortudo que Svengal no esteja aqui
para ouvir voc dizer isso -- respondeu ele. -- Ele
considera sua equipe sozinha apenas um jogo para os dois
barcos cheios de seguidores de Slagor. Mas, na verdade, os
navios de Slagor tero equipes de remo s. Eles precisam
de todo o espao que tm para levar os Temujai a bordo
com elas.
      -- Mas o que vamos fazer sobre Slagor? -- Will
perguntou, e desta vez foi Halt que respondeu.
      -- Esse  o problema. Se ele ficar sabendo que ns
sabemos o que ele est fazendo, ele vai simplesmente
abandonar o plano. No vamos ser capazes de provar
nada. Vai ser sua palavra contra a palavra de um ex-
escravo. -- Ele sorriu para Evanlyn para mostrar que ele
no pretendia insultar, mas eram apenas os fatos. Ela
acenou com a compreenso.
      -- Mas se Slagor encontra os outros dois navios na
ilha, certamente isso prova? -- Horace interveio. Halt
balanou a cabea.
      -- Prova de qu? As tripulaes dificilmente ir
admitir que estavam esperando para ir buscar o Temujai
-- disse ele.
      Horace sentou, franzindo a testa. Isso estava ficando
complicado demais para ele.
      -- Ento o que podemos fazer? -- Will perguntou.
Mas, naquele momento, houve uma batida forte na porta.
Eles todos olharam com surpresa. A natureza clandestina
da sua discusso tinha feito eles falarem em tom baixo e 
interrupo repentina fez todos eles se sentirem culpados,
como se tivessem descoberto.
      -- Algum espera visitas? -- Halt perguntou -- e
como os outros balanaram a cabea, ele chamou
      -- Entre.
      A porta abriu-se para admitir Hodak, um dos
seguidores de Erak. Olhou pela sala, observando as
identidades de todos os presentes. Ele parecia
desconfortvel quando notou Evanlyn.
      -- Pensei que poderia encontr-lo aqui -- disse a
Erak. -- Ragnak est chamando um conselho especial no
Grande Hall. Ele quer que voc esteja l, Jarl. -- Indicou
Evanlyn. -- E  melhor voc levar a menina com voc.
      -- Evanlyn? Por que ela deveria ir? -- Halt
perguntou. Ele viu a garota recuar do Skandian jovem.
Talvez ela tivesse alguma premonio do que estava por
vir.
      -- O conselho  sobre ela -- disse Hodak
desajeitadamente. -- Slagor invocou Ragnak Vallasvow.
Ele diz que a menina  realmente a princesa Cassandra,
filha do rei Duncan.
      -- Tragam-na aqui! -- a voz massiva de Ragnak,
usada para dominar os ventos uivantes de Stormwhite,
explodiu dolorosamente no teto do Hall. Evanlyn
encolheu instintivamente, depois se recuperou quando
Halt tocou seu brao e encontrou seus olhos com um
sorriso tranqilizador. Ela endireitou os ombros. Will
assistiu em admirao quando ela desceu no espao livre
no centro do salo. Halt, Erak e os dois aprendizes
seguiram logo atrs dela. Horace, Will percebeu,
continuamente tirava a sua espada da bainha, levantando-
a, em seguida, permitindo-lhe cair novamente. A prpria
mo de Will desceu para o cabo da faca de arremesso. Se
as coisas corressem to mal quanto todos temiam, ele
decidiu que era para Slagor a faca, que estava ao lado e
ligeiramente atrs de Ragnak. Uma vez antes, em
Skorghijl, Will tinha demonstrado sua habilidade com a
faca para Erak e a tripulao de Slagor, jogando-a atravs
do quarto e acertando em um pequeno barril de madeira
ao lado da mo de Slagor. Desta vez, no haveria nenhum
barril.
      O quarto assistiu em silncio absoluto quando
Evanlyn parou antes do tablado levantado de Ragnak.
Ela olhou o Oberjarl com uma calma, composta em seu
rosto. Mais uma vez, Will encontrou-se admirado pela sua
coragem e serenidade. Slagor sinalizou para um par de
atendentes em uma porta lateral.
      -- Traga o escravo -- ele chamou. Sua voz era suave
e sedosa, totalmente diferente de Ragnak. Ele parecia
muito satisfeito com o turno atual dos acontecimentos,
Will pensou. Os dois homens, os remadores da equipe de
Slagor, abriram a porta e arrastaram uma figura, chorando.
Era uma mulher de meia idade, seus cabelos grisalhos e
seu rosto marcado antes do seu tempo com a tenso do
trabalho incessante, alimentao pobre e a constante
ameaa de punio, que era o lote de um escravo no
Hallasholm. Os marinheiros arrastaram-na para frente e
lanou-a para baixo no cho na frente de Evanlyn. Ela
agachou-se miseravelmente, com os olhos para baixo.
      -- Olhe para cima, escravo -- disse Slagor nessa
mesma voz calma. Ela continuou chorando e ela balanou
a cabea, os olhos continuaram a olhar para o cho. Slagor
moveu-se rapidamente, deixando o cargo a partir da
plataforma e desembainhando a faca Saxe em um
movimento suave. Ele segurou a lmina afiada abaixo do
queixo da mulher, pressionando-o para a carne de seu
pescoo com fora, mas no o suficiente para romper a
pele.
      -- Eu disse, olha para cima -- ele repetiu, e aplicou
presso na faca para levantar os olhos dela at que ela
estava olhando para Evanlyn. Quando ela viu a menina, a
mulher comeou a chorar ainda mais alto.
      -- Cale a boca -- Slagor disse a ela. -- Cale a boca e
diga ao Oberjarl o que voc me disse.
      Havia escoriaes em todo o rosto da mulher.
Obviamente, ela tinha sido recentemente espancada. Seu
rosto foi rasgado em vrios pontos, bem como, marcas
vermelhas eram visveis em seu corpo atravs das
aberturas. Em alguns lugares, tinha encharcado de sangue
atravs do material fino. Seus olhos cheios de lgrimas
imploraram a Evanlyn.
      -- Desculpe, minha senhora -- disse ela, com voz
embargada. -- Eles me bateram at que eu dissesse.
      Evanlyn deu um passo involuntrio em sua direo.
Mas a faca de Slagor oscilou para cima e voltou para
confront-la e impedi-la de se aproximar. Ao lado dele,
Will ouviu a rpida respirao de Horace e viu cair sua
mo ao punho da espada mais uma vez. Ele colocou sua
prpria mo sobre a de Horace, para ele parar de sacar a
espada. O forte aprendiz olhou para ele, surpreso. Will
balanou levemente a cabea. Ele percebeu que o
movimento de Horace tinha sido uma reao de reflexo e
ele sabia que neste ambiente barril de plvora, se o amigo
sacasse a espada isso poderia significar o fim de todos
eles.
      -- Ainda no. -- Ele cochichou. Se chegasse a hora,
ele estava disposto a aderir a Horace em um ataque a
Slagor e Ragnak. Mas, primeiro, pensou, eles deveriam ver
se Halt no podia falar para sair desta situao.
      -- Deixe-me -- o arqueiro lhes havia dito antes que
deixassem o seu apartamento. -- E no faam nada at
que eu diga. Claro?
      Os dois meninos acenaram a cabea. Ento Halt
tinha acrescentado
      -- Isso coloca um ponto de vista completamente
diferente do nosso, acusando Slagor, claro.
      -- Mas, certamente, voc ainda vai dizer? -- Will
explodiu. Halt balanou a cabea em dvida.
      -- O problema  que ele chegou em primeiro lugar.
Se fizermos uma acusao agora, vai parecer que estamos
simplesmente fazendo isso para salvar Evanlyn. As
possibilidades so, Ragnak ir ignor-lo completamente.
      -- Mas voc no pode deix-lo fugir com... -- Will
comeou, mas Halt ergueu a mo para silenci-lo.
      -- No vou deix-lo fugir com nada -- tranqilizou.
-- Ns apenas temos que escolher o momento certo para
trazer o assunto, isso  tudo.
      Agora Slagor voltou para a mulher no cho.
      -- Diga ao Oberjarl -- repetiu ele.
      A mulher no disse nada e Slagor virou-se para
Ragnak em exasperao.
      -- Minha escrava ouviu ela falar a alguns dos outros
-- explicou -- Ela  originalmente Araluen e ela disse que
reconhecia esta menina aqui -- ele empurrou um polegar
em direo de Evanlyn -- como a princesa Cassandra
filha de Duncan.
      Os olhos de Ragnak se estreitaram e ele virou um
pouco para inspecionar Evanlyn. Queixo subiu e ela ficou
um pouco mais alta em seu olhar.
      -- Ela tem algo do olhar de Duncan sobre ela --
disse ele, desconfiado.
      -- No! No! Eu estava enganada! -- A escrava
explodiu de repente. De joelhos, estendeu as mos para
Slagor em splica. -- Agora eu a vejo de perto, eu
percebo que eu estava errada, Senhor Slagor. Eu estava
enganada!
      -- Voc chamou-a de minha senhora -- Slagor
lembrou.
      -- Foi um erro, isso foi tudo. Um erro. Agora eu
vejo corretamente, posso dizer que no  ela -- insistiu a
mulher.
      Slagor considerou com uma expresso de dor no
rosto. Ele virou-se para Ragnak novamente.
      -- Ela est mentindo, Oberjarl -- disse ele. -- Eu
vou fazer o meu homem bater a verdade para fora dela.
      Ele fez um sinal para os dois homens novamente e
um deles veio para frente, desenrolando um chicote curto
e grosso quando ele veio. A mulher se encolheu longe
dele.
      -- No! Por favor, meu Senhor, por favor! -- Sua
voz era estridente, com medo que ela tentou rastrear de
distncia. O homem de Slagor agarrou um punhado de
seu cabelo para det-la e ela gritou novamente, na dor,
assim como o medo. Ele levantou o chicote olhando por
cima de sua cabea, pronto para derrub-lo.
     -- Deixe-a em paz! -- Evanlyn gritou, e sua voz
congelou o marinheiro onde ele estava. Ele olhou incerto
para Slagor, mas o capito estava assistindo Evanlyn,
esperando por ela para dizer mais.
     -- Tudo bem -- disse calmamente -- No h
nenhuma necessidade para tortur-la ainda mais. Eu sou
Cassandra.
     O silncio na sala era quase uma fora fsica. Em
seguida, um zumbido animado eclodiu entre a multido
reunida. Will distintamente ouviu a palavra Vallasvow de
vrias fontes diferentes.
     -- Silncio! -- Ragnak rugiu, e imediatamente o
barulho cessou. Ele se levantou e avanou para enfrentar
Evanlyn, olhando para ela. -- Voc  filha de Duncan? --
Ela hesitou, depois respondeu.
     -- Eu sou filha do rei Duncan -- ela disse, com uma
leve nfase em seu ttulo. -- Cassandra, princesa de
Araluen.
     -- Ento voc  meu inimigo -- disse ele, cuspindo
as palavras para fora. -- E eu jurei que voc deve morrer.
     Erak adiantou.
     -- E eu jurei que ela estar segura aqui, Oberjarl --
disse ele. -- Eu dei minha palavra quando eu pedi o
arqueiro para nos ajudar.
      Ragnak olhou com raiva. Novamente houve um
zumbido de conversa atravs do quarto. Erak era um Jarl
popular entre os Skandians e Ragnak no tinha contado
ter de lutar com ele sobre este assunto. Com um exrcito
invasor s um dia longe de seu reduto, ele sabia que no
podia vencer sem o seu chefe de guerra snior.
      -- Eu sou o Oberjarl -- disse ele. -- Meu voto  de
maior importncia.
      Erak cruzou os braos sobre o peito.
      -- No  para mim -- disse ele, e havia um coro de
acordo entre a multido.
      -- Erak no pode te desafiar assim! Voc  o
Oberjarl! -- Slagor interrompeu de repente. -- Queremos
que ele seja preso! Ele est desafiando o seu voto ao
Vallas!
      -- Cale a boca, Slagor -- Erak disse em uma voz
sinistramente calma. Ento ele se aproximou de Ragnak.
-- Eu no pedi-lhe para tomar o seu voto a morte,
Ragnak -- disse ele. -- Mas se voc quiser execut-la, eu
temo que voc ter que passar por mim para faz-lo.
      Agora Ragnak desceu do pdio e andou mais perto
de onde estava Erak. Eles eram da mesma altura, ambos
construdos massivamente. Ele enfrentou seu velho
companheiro, a queima de raiva em seus olhos.
      -- Erak, voc sabia? Voc sabia quem ela era
quando voc a trouxe aqui?
      Erak balanou a cabea. Slagor bufou de desgosto.
      -- Claro que ele sabia! -- Gritou, em seguida, parou
de repente quando o ponto de punhal Erak apareceu
debaixo de seu nariz.
      -- Eu vou permitir apenas uma vez -- Erak disse --
Fale isso de novo, e voc  um homem morto.
      Sem palavras, Slagor afastou do grande homem,
colocando uma distncia segura entre ele e a ponta da
faca. Erak embainhou a faca e voltou para Ragnak.
      -- Eu no sabia -- disse ele. -- Caso contrrio, eu
nunca a teria trazido aqui, sabendo do seu voto. Mas a
verdade , eu jurei por sua segurana e minha palavra 
muito importante para mim, como a sua  para voc.
      -- Droga, Erak! -- Ragnak gritou. -- A marcha
Temujai  apenas trs ou quatro dias, a partir daqui! No
podemos nos dar ao luxo de estar lutando entre ns
agora!
      -- Seria uma vergonha se tivessem que enfrentar o
Temujai com pelo menos um e, possivelmente, os dois, de
seus melhores lderes mortos -- Halt colocou, e o
Oberjarl arredondou a ele em uma fria.
      -- Cale a boca, arqueiro! Eu estou a metade de uma
mente para acreditar que tudo isso  trama sua! Nada de
bom veio de lidar com do seu tipo!
      Halt encolheu os ombros, impressionado com a fria
do Skandian.
      -- Seja como for -- ele disse -- ocorre-me que
poderia haver uma soluo para o problema, por
enquanto, pelo menos.
      O zumbido de conversa atravs do quarto foi
cortado quando Ragnak balanou seu olhar ao redor com
raiva. Ele assistiu Halt com os olhos apertados, esperando
algum truque ou algum tipo de subterfgio.
      -- O que voc est falando? Meu voto  obrigatrio
-- disse ele. Halt assentiu com a cabea.
      -- Eu entendo isso. Mas h qualquer fator tempo
envolvido? -- Perguntou ele. Agora Ragnak parecia
confuso, bem como suspeito.
      -- Fator tempo? O que  que voc quer dizer?
      -- Se aceitarmos que voc pretende fazer o seu
melhor para matar Evanlyn, sabendo que Erak ir tentar
par-lo sem mencionar o fato de que, se no, eu
certamente irei faz-lo, voc especificou o momento? --
Halt continuou.
      A expresso perplexa no rosto Ragnak cresceu mais
intensa.
      -- No. Eu no especifiquei o momento. Eu apenas
fiz o voto -- disse ele, finalmente, Halt assentiu com a
cabea vrias vezes.
      -- Bom. Assim, na medida em que estes Vallas esto
em causa, eles no se importam se voc tentar cumprir o
seu voto hoje, ou se voc optar por esperar at, digamos,
depois e enviarmos a embalagem Temujai?
      Entendimento estava comeando a aparecer no rosto
do Oberjarl.
      -- Certo -- ele disse lentamente. -- Enquanto a
inteno  a mesma, o Vallas estar satisfeitos.
      -- No! -- Uma voz estridente cortou. Foi Slagor.
-- Voc no v, Oberjarl, ele est tentando engan-lo?
Ele tem algo em mente. A menina tem de morrer e ela
deve morrer agora! Caso contrrio, a sua palavra de
juramento  intil! -- A raiva de Slagor e seu desejo de
longa data de vingana sobre Evanlyn para os eventos que
ocorreram em Skorghijl o levaram a ir longe demais.
Ragnak olhou para ele agora, uma chama de raiva
queimando em seus olhos.
      -- Slagor, eu aconselho voc a se livrar deste hbito
irresponsvel de dizer que seus colegas so mentirosos --
disse ele, e imediatamente o capito retratou sua acusao.
      -- Claro, Oberjarl. Eu no quis dizer... --
Ragnak o interrompeu.
      -- Minha primeira preocupao  com a segurana
da Skandia. Com estes Temujai  nossa porta, Erak e eu
no podemos nos dar ao luxo de estar a lutar. Se ele
concordar em adiar as nossas diferenas, at depois que
tivermos resolvido com eles, ento eu tambm.
      Erak assentiu em acordo instantaneamente.
      -- Soa como um bom compromisso para mim. --
Havia ainda um fio de suspeita na mente de Ragnak. Ele
voltou a interromper, as sobrancelhas pesadas juntas em
uma carranca.
      -- Eu no posso deixar de imaginar o que voc
ganhar, arqueiro. Tudo o que fizemos foi ganhar um
adiamento.
      Halt inclinou a cabea ligeiramente para um lado,
quando ele considerava a questo.
      -- Verdade -- respondeu ele. -- Mas muita coisa
pode acontecer nos prximos dias. Voc pode ser morto
na batalha. Ou Erak. Ou eu. Ou ns trs. Alm disso, a
minha prioridade imediata  o mesmo que a sua: ver estes
Temujai rechaados. Afinal, se eles ganharem aqui, no
ser muito antes que eles estaro invadindo Araluen
tambm. Eu tenho um dever solene para tentar impedir
isso. -- Ele sorriu tristemente. -- Esse  outro daqueles
votos que todos parecem ter pressa em torno de tomar.
      Ragnak virou-se e afastou-se para a sua cadeira no
Conselho macia.
      -- Ns estamos em acordo, ento -- disse ele. --
Vamos resolver a questo Temujai primeiro. Ento ns
vamos voltar a este problema.
      Erak e Halt trocaram olhares, depois os dois homens
concordaram. Apenas Slagor parecia estar em desacordo
com o compromisso. Ele murmurou uma maldio sob a
sua respirao. Halt tomou o brao de Evanlyn e
comeou a gui-la a partir do Grande Salo, seguido dos
dois aprendizes e Erak. Eles no tinham ido uma meia
dzia de passos, quando Halt voltou para Ragnak.
      -- Naturalmente, h mais uma pergunta que eu
gostaria de ouvir a resposta Slagor -- disse ele. Como ele
esperava, a meno de seu nome, todos na sala
involuntariamente olharam para Slagor. Ento, quando
todos os olhos estavam sobre ele, Halt continuou.
-- Talvez ele possa nos dizer o que os seus navios esto
fazendo na ilha Fallkork?
     Todos viram a culpa de Slagor de surpresa quando
Halt mencionou o nome da ilha. Slagor recuperou
rapidamente, mas o momento tinha estado l e tinha sido
testemunhado.
      -- Eu no estou aqui para responder a voc,
arqueiro! -- Ele vociferou furioso. -- Voc no tem
autoridade neste Conselho!
      Erak deu um passo  frente, balanando em seus
calcanhares, seu rosto a centmetros de Slagor.
      -- Mas eu tenho -- disse o outro homem. -- E eu
gostaria de ouvir a sua resposta.
      -- Que histria  essa, Erak? -- Ragnak
interrompeu antes que Slagor pudesse responder. Erak
manteve seu olhar fixo em Slagor.
      -- Dois dos navios de Slagor esto atualmente na
ilha de Fallkork -- respondeu ele. -- No outro dia, ele
planeja encontrar com eles e navegar pela costa de Sand
Creek Bay.
      Erak viu a cor do rosto de Slagor drenar quando ele
percebeu que seu plano tinha sido descoberto. Ele
continuou inexoravelmente, elevando a voz em volume
quando Slagor tentou falar -- L, ele pretende embarcar
cento e cinqenta guerreiros Temujai e traz-los atrs de
nossas linhas para nos atacar por trs.
      A sala explodiu quando as pessoas comearam a
gritar de uma vez. Em vo abuso Slagor, cuspiu em Erak e
protestou a sua inocncia. Seus seguidores no corredor, e
havia mais do que alguns, gritou seus protestos, enquanto
aqueles que favoreceram Erak rugiram de volta, pedindo a
cabea de Slagor. A confuso continuou durante um
minuto inteiro at Ragnak se levantar do assento.
      -- Silncio! -- Ele gritou.
      No silncio que se seguiu, voc poderia quase ouvir
um alfinete cair.
      -- Como voc sabe disso? -- O Oberjarl perguntou.
Ele no gostava Slagor. Muitos dos Skandians tambm.
Mas o conceito de traio, era to absolutamente
abominvel ao simples cdigo de conduta Skandian que
Ragnak achou impossvel acreditar que qualquer um,
mesmo Slagor.
      -- Seus planos foram ouvidos, Ragnak -- Erak
disse. Instantaneamente Slagor estava gritando a sua
inocncia.
      -- Isso  mentira!  um monte de mentiras imundas!
Quem me ouviu? Quem diz que eu sou um traidor?
Mostre-me agora!
      -- Por uma questo de fato, Ragnak -- disse Halt,
levantando a sua voz de modo que ele foi ouvido
claramente, em cada canto da sala -- o informante est
aqui conosco.
      Essa notcia acalmou os protestos de Slagor
imediatamente. Ragnak olhou o arqueiro com desgosto.
Desde que ele chegou a Hallasholm, as confortveis
ordens das coisas havia sido continuamente perturbada.
      -- Ento, vamos ouvi-lo -- disse o Oberjarl.
      -- No ele, Ragnak. A ela. O informante  Evanlyn.
Talvez por isso Slagor esteja to interessado em t-la
desacreditada e morta.
      Tumulto, mais uma vez encheu a sala e Will
percebeu como inteligente Halt tinha jogado esta mo. Na
confuso do momento, ningum fez a pergunta bvia:
como poderia Slagor ter sabido que Evanlyn havia
descoberto seu plano? Porque, se ele no sabia, ele no
teria nenhuma razo para tentar desacreditar a menina.
Mas agora que Halt tinha plantado a semente, os
Skandians todos acreditaram que as aes de Slagor foram
destinadas a prevenir Evanlyn, ao invs do contrrio. A
essa luz, sua acusao no pode ser posta de lado. Tinha
que ser investigado.
      -- Prova! -- Slagor estava gritando agora, e alguns
de seus seguidores, percebendo que seus prprios
pescoos estavam perto de serem cortadas, gritavam
tambm. -- Qualquer um pode acusar-me! Mas onde est
a prova?
      Ragnak silenciou a gritaria com um gesto.
      -- Bem, arqueiro-- ele perguntou a Halt -- voc
pode nos oferecer uma prova dessas acusaes?
      Erak apressadamente entrou na violao, antes de
Halt responder. -- Svengal est trazendo os dois navios
da Fallkork -- disse ele. -- Ele deveria estar no porto de
amanh.
      Mas agora Slagor viu o caminho para sair, viu que
no havia provas concretas do plano.
      -- Ento, dois dos meus navios aguardam em
Fallkork? -- Ele gritou, sua voz estridente, mais uma vez.
-- O que isso prova? Como isso faz de mim um traidor?
No, no , Erak?
      Alguns daqueles no salo comearam a ecoar o seu
pensamento e no apenas seus prprios seguidores. Como
Halt tinha apontado anteriormente, a mera presena de
navios no encontro, no indicava provas da traio de
Slagor. Encorajado agora, Slagor pisou em direo 
multido.
      -- Eles me acusam de traio! Eles difamam-me!
Eles levam a palavra de um inimigo deste pas, o inimigo
de nosso Oberjarl! No entanto eles no provar as suas
alegaes vil! Que justia Skandian  esta? Deixe-os
encontrar uma maneira de provar isso, eu digo.
      Um coro crescente de vozes concordaram com ele.
Ento, como se ele estivesse conduzindo um coro, Slagor
sinalizou para o silncio e voltou-se para Halt.
      -- Voc pode, arqueiro? -- Disse ele, cuspindo a
ltima palavra, como se fosse um insulto. -- Voc pode
mostrar algum tipo de prova?
      Halt hesitou, sabendo que tinha perdido o impulso e
o sentimento da multido. Sabendo que tinha perdido.
Will avanou para ficar ao lado de seu mentor e amigo.
      -- H um caminho -- disse ele.
      Demorou muito para calar uma multido barulhenta
de Skandians, mas a declarao de Will conseguiu fazer o
truque. As vozes desapareceram como se cortado com
uma faca e todos os olhos voltaram para a pequena figura,
estando agora entre Halt e Erak. Como Will poderia ter
adivinhado, foi Ragnak mesmo quem quebrou o silncio.
      -- Como? -- Disse ele simplesmente.
      -- Bem, os navios de Slagor, nesta ilha, considerada
por si s, pode no haver prova da sua inteno de nos
vender ao Temujai -- disse Will com cuidado, pensando
nas suas palavras antes de falar em voz alta, sabendo que
toda a sua segurana dependia da forma como ele
expressasse a sua idia. Ele viu Ragnak tirar flego para
falar e apressou-se antes do Oberjarl poder interromp-lo.
      -- Mas... Se Erak fosse at Sand Creek Bay, e se
acontecesse de encontrar, digamos, cento e cinqenta
guerreiros Temujai l esperando para embarcar,  uma
indicao concreta de que algum est planejando te trair,
no ?
      Houve um murmrio de concordncia entre a
multido reunida. Ragnak franziu a testa enquanto
pensava com a idia. Ao lado de Will, Erak murmurou
      -- Bem pensado, rapaz.
      --  verdade -- Ragnak disse finalmente. -- Isso
mostra que h traio foi planejado. Mas quem pode dizer
que Slagor est envolvido?
      Will mordeu o lbio enquanto pensava sobre isso.
Mas agora Halt falou.
      -- Oberjarl, h uma maneira simples de descobrir.
Vamos levar no um navio, mas trs. Afinal, esse  o
nmero que os Temujai esto esperando para ver. Ento,
ele pode falar com o lder do Temujai que pode acontecer
de estar l e dizer-lhes que Slagor foi detido e lhe enviou
em seu lugar. Se o lder Temujai responder com palavras
ao longo das linhas "Quem diabo  Slagor?", Ento o nosso
amigo aqui  to inocente como ele afirma ser. -- Ele
parou e viu que Ragnak estava concordando enquanto
considerava a idia. Em seguida, ele acrescentou, mais
deliberadamente, -- Por outro lado... Se o nome Slagor
parecer familiar para o inimigo, ento h todas as provas
que voc precisa.
      -- Isso  ridculo! -- Slagor explodiu. -- Eu te juro,
Oberjarl, que eu no sou um traidor da Skandia! Esta 
uma parcela cozida por estes Araluens. -- Ele fez um
gesto de desprezo a Halt e Will. -- E de alguma maneira
eles parecem ter enganado Erak tambm.
      -- Se voc  inocente -- disse Ragnak fortemente
-- ento voc no tem nada a temer de tudo isso, no ?
      Ele olhava fixamente para Slagor agora, observando
o brilho de suor na testa do outro, observando o tom
estridente que permeou todas as suas declaraes agora.
Slagor estava com medo, ele pensou. Quanto mais ele viu,
mais ele estava preparado para acreditar que o homem era
um traidor.
      -- Eu no vejo nenhuma razo pela qual -- Slagor
comeou, mas Ragnak o interrompeu com um gesto.
      -- Eu fao! -- Ele agarrou. -- Erak, tome trs
navios para Sand Creek Bay imediatamente e faa como o
arqueiro sugere. Uma vez que voc estabelea ou no se
Slagor est envolvido nesta trama, volte aqui e relate.
Quanto a voc... -- Ele virou-se para Slagor, que estava
comeando a ir em direo  porta lateral da sala. -- No
tente ir a qualquer lugar. Quero onde eu possa v-lo at a
volta de Erak. Ulfak, consulte ele! -- Ele abordou este
ltimo comentrio a um de seus outros jarls snior, que
acenou com a cabea e se mudou para ficar ao lado de
Slagor, colocando a mo em seu brao.
      -- Uma coisa, Oberjarl -- disse Erak, e o lder
Skandian virou para ele novamente. -- Quando eu tiver
estabelecido que Slagor est envolvido, est tudo certo, se
reduzir o nmero Temujai um pouco? Isso vai ser um
pouco menos temos de lutar aqui, pelo menos.
      -- Boa idia -- disse Ragnak. -- Mas no corra
riscos. Eu preciso saber a identidade do traidor e voc no
pode me dizer se o Temujai estiver morto.
      -- Por que no ir adiante com o plano que est
esperando? -- Disse Will, antes que ele pudesse parar. O
lder Skandian considerou como se ele estivesse louco.
      -- Voc est fora de sua mente? -- Disse. -- Voc
est sugerindo que Erak realmente traga o Temujai de
volta aqui como prisioneiros? Teramos de subjug-los e
preserv-los e isso levaria os homens longe de nossa
prpria linha de batalha.
      -- No que volte aqui -- Will disse, virando-se para
apelar a Erak. -- Mas voc no poderia encontrar algum
pretexto para faz-los sair com os navios desta Ilha
Fallkork, em seguida, basta deix-los l?
      Novamente um silncio, quebrado desta vez por
uma risada, profundamente gutural de Erak. -- Oh, a
idia de prmio! -- Disse ele, sorrindo carinhosamente 
Will. -- Se tomarmos esses cavaleiros... ...atravs dos
estreitos de Vulture, tenho certeza que podemos ter-lhes
implorando para chegar em terra por algumas horas. Os
mares so terrveis nesta poca do ano para fazer qualquer
velejador inexperiente enjoar!
      Ragnak esfregou o queixo, pensativo.
      -- Eu tomo que o Temujai no est habituado a
vela? -- Perguntou ele a Halt.
      O Ranger acenou.
      -- Totalmente, Oberjarl.
      Ragnak olhou de Halt ao seu jovem aprendiz.
      -- Este menino mostra um certo talento para o tipo
de pensamento tortuoso que esperamos de vocs
arqueiros.
      Halt caiu levemente uma mo no ombro de Will, e
disse, com um rosto completamente em linha reta.
      -- Estamos muito orgulhosos dele, Oberjarl.
Achamos que ele vai longe.
      Ragnak balanou a cabea, cansado. Esse tipo de
enredo e contra plano foi alm dele. Ele acenou uma mo
a despedir de Erak.
      -- Pegue os navios e v embora -- disse ele. --
Depois de despejar esses Temujai na Ilha de Fallkork,
volte aqui. -- O assunto foi feito na medida em que ele
estava preocupado, mas Slagor tinha uma objeo, ltima
e desesperada.
      -- Oberjarl! Estas so as pessoas que me acusam!
Eles esto todos no mesmo barco! Voc no pode envi-
las para verificar as suas prprias taxas!
      Ragnak hesitou.
      -- O ponto  justo. -- Virou-se para seu hilfmann.
-- Borsa, voc vai com eles como um testemunho
independente. -- Ento, voltando o olhar para Slagor, ele
concluiu -- Quanto a voc,  melhor esperar que no haja
Temujai em Sand Creek Bay.
     Erak olhava para a figura ao lado dele na popa do
navio e, pela centsima vez, foi incapaz de evitar um largo
sorriso sair em seu rosto. Halt percebeu o olhar e o
sorriso, e disse em tom azedo
      --  preciso perder o seu fascnio depois de um
tempo, certo?
      O Jarl balanou a cabea, ampliando o seu sorriso.
      -- No para mim -- ele respondeu alegremente. --
Toda vez,  to fresco quanto a primeira.
      -- Estou to contente que os Skandians tm um
sentido to animado de humor -- o arqueiro disse,
carrancudo. No servia o seu mau humor nada melhor do
que ver que vrios dos Skandians rindo tambm. Na
verdade, ele era uma figura cmica. Ele tinha abandonado
o manto de arqueiro e suas roupas e estava vestido com
roupas Skandian, colete de pele de carneiro, um manto de
plo curto e calas de l, enrolado com encadernaes de
couro dos joelhos para baixo. Pelo menos eles deveriam
evitar feridas dos joelhos para baixo. De fato, Halt era
consideravelmente de menor estatura do que qualquer
Skandians adulto, as caneleiras foram atadas em suas
coxas para baixo, os cales e o colete de carneiro
pendurados livremente sobre ele, aparentemente, com
espao para uma outra pessoa de sua prpria dimenso
interior.
      --  sua prpria culpa -- Erak respondeu. -- Para
tomar a deciso de tentar disfarar-se como um de ns.
      -- Eu lhe disse -- Halt murmurou. -- O Temujai
deu uma boa olhada em mim quando eles estavam
perseguindo-me perto da fronteira, e mesmo sem isso,
eles no tm razo para amar algum vestido como um
arqueiro.
      -- Assim eu ouvi -- Erak disse, ainda sorrindo.
Inclinou-se para a bussola antes de avistar-lo, verificou a
posio do m flutuante e ajustou em sua vista para se
conformar com isso.
      -- Um pouco a leste do sul -- disse para si mesmo,
ento, levantou a voz, chamou os seus homens -- Olho
vivo agora! Sand Creek Bay est logo alm.
       Houve um barulho expectante no convs do navio
quando os Skandians asseguraram que as suas armas
estavam perto, embora no ficasse obvio. Em um aceno
de Erak, o vigia do mastro retransmitiu a mensagem para
os outros dois navios fechar com eles. Muito obviamente
fazendo um esforo para no sorrir, o capito cutucou
Halt nas costelas com um cotovelo no muito gentil.
      --  melhor voc colocar seu capacete -- disse ao
arqueiro, cujo rosto ainda mais escuro do que antes,
quando ele chegou para o capacete com chifres enormes
que cada guerreiro Skandian usava.
     Esta era a parte mais controversa do equipamento.
Erak sustentou que nenhum Skandian jamais iria aparecer
em pblico sem capacete, e que no havia nenhuma
pergunta de Halt no est usando um. No entanto, os
tamanhos eram imensos em comparao com que Halt
considerava ser dimenso da sua prpria cabea
perfeitamente normal. At mesmo o capacete menor que
Erak poderia encontrar vacilou livremente em Halt, e
desceu sobre os ouvidos e os olhos.  custa de muito
preenchimento com panos, eles finalmente conseguiram
que o capacete senta-se mais ou menos firme em sua
cabea. Mas ainda cobria surpreendente toda a volta.
O Skandian olhou com uma mal disfarada diverso
quando Halt cuidadosamente colocou o capacete na
cabea. Borsa, que se juntou  expedio a ordens de
Ragnak, balanou a cabea e riu. O hilfmann, que nunca
tinha visto um dia de batalha em sua vida, sabia que ele
parecia mais a parte do que Halt.
     -- Mesmo que este acabe por ser um ganso
selvagem -- disse ele alegremente -- que ter valido a
pena ver isto.
     Halt virou-se irritado. Foi um erro. Com
movimentos rpidos de cabea, o capacete ficou
desalojado e derrubou sobre os olhos. Ele amaldioou a si
mesmo em silncio, ajeitou o capacete ridculo e resignou-
se ao riso abafado do Skandian.
      Eles haviam vindo com um vento de popa, mas
agora, quando Erak preparou para trazer o navio ao redor
do promontrio, e atravs do vento, houve uma
enxurrada de atividades a bordo quando a vela principal
foi recolhida. O longa, remos pesados ruidosamente em
sua Thles quando a tripulao correu para fora, e antes
que o navio perdesse a forma, eles comearam a afagar
suave e rtmica. Olhando para trs, Halt viu que os outros
navios haviam seguido o exemplo. Mais uma vez, o
capacete inclinado desajeitadamente em sua cabea e, com
um gesto de desgosto, tirou-o e deixou-o cair ao convs.
Ele olhou para Erak, ousadia Skandian a grande para fazer
algum comentrio. O Jarl apenas encolheu os ombros e
sorriu.
Haviam passado quase todo o promontrio agora e sem
quaisquer direitos envolvidos na manuteno do navio em
movimento e em curso ansiosamente para ver se a praia
estaria vazia, ou se haveria uma festa de guerra de
guerreiros Temujai esperando por eles. Tentativo com
lentido, o barco rastejou aps o promontrio,
gradualmente, revelando a faixa de praia alm. Halt sentiu
uma sensao de afundamento no poo de seu estmago,
quando a primeira vista da praia, no mostrou nenhum
sinal de qualquer Temujai. Mas eles estavam apenas
olhando para o extremo sul da praia, e quando eles
chegaram mais perto, havia um suspiro suave do que nos
observam e do sentimento de naufrgio no estmago Halt
virou-se com uma chama de alegria feroz.
H, elaborado no centro da praia, foram trs esquadres
de cavalaria Temujai.
      Barracas foram armadas em linhas perfeitamente
ordenadas. Os cavalos foram amarrados em um pasto de
grama onde a praia acabou. Havia sessenta homens em
uma esquadra, Halt sabia. Ele presume cada esquadra
estaria deixando dez homens para cuidar dos cavalos, o
que, evidentemente, no podia viajar no navio. O som
discordante de um chifre Temujai na praia disse-lhes que
tinha sido avistado.
      Borsa balanou a cabea, infelizmente, as evidncias
de traio Slagor.
      -- Eu tinha esperana de que esta seria uma busca
vazia -- disse ele amargamente. -- O pensamento de
qualquer traidor Skandian  amargo de enfrentar.
      Ele afastou-se de Halt e Erak e os dois homens
trocaram olhares. Erak encolheu os ombros. Ele tinha um
temperamento mais cnico do que o hilfmann, e ele tinha
um melhor conhecimento do carter de Slagor.
      -- Hora de fazer absolutamente certo -- disse ele
calmamente, e soltou leme para fazer o navio ir em linha
reta em direo  praia. Como combinado, os dois outros
navios, os remadores mantiveram um curso lento,
relaxado para segur-los na posio contra o vento e de
mar, cerca de duzentos metros da praia. Eles ainda
estavam dentro de lanamento de flecha, mas o enorme,
circular escudos Skandian que foram variando ao longo da
amurada deu a proteo contra qualquer ataque de
marinheiros Temujai.
      Aqueles no principal no foram to afortunados.
Eles estavam indo direto a costa, cada movimento dos
remos tornando-as mais vulnerveis a uma saraivada de
flechas Temujai sbita.
      -- Mantenha sua cabea para baixo -- resmungou
Erak aos remadores. Foi um aviso desnecessrio. Eles
estavam curvados para baixo, tanto quanto poderiam
estar, tentando impedir que qualquer parte de seus corpos
de mostrar acima dos baluartes de carvalho. Halt notou
que a mo direita do Jarl que estava no leme, se afastou
quase inconscientemente contra o machado de batalha
que estava inclinado por perto.
      A atividade na praia estava a crescer agora, e um
grupo de meia dzia de Temujai havia se mudado para a
beira da gua. Atrs deles, as ordens estavam sendo
gritadas e esquadres estavam se formando quando lderes
de sua tropa se preparavam para embarcar nos trs navios.
A gua profunda continuou em muito perto da praia.
Evidentemente, os navios foram projetados para a praia
em gua to rasa quanto um metro, mas a Temujai no
estavam cientes do fato e Halt e Erak tinham concordado
que fazia mais sentido manter o inimigo  distncia. Vinte
metros da beira da gua, Erak deu uma ordem breve e os
remos de um lado do navio apoiado, enquanto os outros
foram em frente, balanando a embarcao estreita em
noventa graus, praticamente em seu prprio
comprimento.
     Erak acenou para o seu segundo em comando, que
correu para o leme. Ento o Jarl pisou em direo  praia
ao lado do navio e levantou a voz em sua tempestade
familiar.
     -- Ola! -- Ele chamou, e Halt, de p perto, mudou-
se apressadamente alguns passos mais longe.
A p Tem'uj no centro do pequeno grupo na praia com as
mos em concha chamou de volta.
     -- Eu sou Or'kam, comandante desta fora -- ele
chamou. -- Onde est Slagor?
     Atrs dele, Halt ouviu uma entrada rpida de ar e se
virou para ver Borsa sacudindo a cabea, infelizmente,
com os olhos baixos. Vrios dos outros Skandians
tambm trocaram olhares nesta confirmao que Slagor
tinha sido envolvido no plano.
     -- Fiquem quietos! -- Halt advertiu-os, e os homens
mascararam apressadamente as suas reaes. Erak estava
respondendo agora, com a histria que ele, Borsa e Halt
tinham concordado.
     -- Oberjarl Ragnak estava crescendo a suspeita de
nossos movimentos. Era demasiado perigoso para Slagor
entrar nesta expedio. Ele vai se juntar a ns na Ilha de
Fallkork.
     Houve uma consulta apressada entre os lderes
Temujai.
      -- Eles no gostam disso -- resmungou Erak pelo
lado da boca.
      -- Eles no tm que gostar. Eles s tm que
acreditar -- Halt disse a ele no mesmo tom. Aps vrios
minutos de discusso, Or'kam se afastou do grupo e
chamou novamente.
      -- Espervamos Slagor. Como podemos ter certeza
de que podemos confiar em vocs? Ser que ele deixou
alguma mensagem? Alguma senha?
      No navio, os homens trocaram olhares preocupados.
Esta era uma eventualidade que eles temiam. Se Slagor
tinha arranjado uma senha com o Temujai, ento seu
plano estava estragado. Naturalmente, o seu principal
objetivo j foi alcanado. Eles provaram a cumplicidade
de Slagor na trama. Mas agora que eles estavam aqui, a
chance de levar 150 homens para fora da linha do inimigo
na batalha, sem nenhuma perda de suas prprias foras,
era tentador ao extremo.
      -- Blefe -- disse Halt rapidamente. -- Ele j disse
que estava esperando Slagor, ento eles no precisam de
uma senha. -- Erak assentiu. Fazia sentido.
      -- Olha, cavaleiro -- Erak berrou novamente. --
Eu no preciso de uma senha. Estou aqui para busc-lo. E
eu estou arriscando o pescoo para faz-lo! Agora, se voc
escolher vir a bordo, faa-o. Se no, eu vou embora e
deixar voc e Ragnak com sua pequena guerra. Agora
voc escolhe!
      Mais uma vez houve uma consulta de urgncia na
praia. Eles podiam ver Or'kam relutante em seus
movimentos, mas igualmente, podiam v-lo pesando suas
opes, e depois de um olhar, muito minucioso no navio,
obviamente, ele decidiu que ele no tinha nada a temer da
tripulao de esqueletos de remadores nos trs navios.
      -- Muito bem -- ele chamou. -- Traga os seus
navios aqui e ns vamos.
      Mas agora Erak balanou a cabea.
      -- Ns vamos lev-lo de bote -- ele chamou. --
Ns no podemos atracar na praia.
      Or'kam fez um gesto irritado. Obviamente ele no
gosta quando as coisas no vo exatamente de acordo
com seus desejos.
      -- O que voc est falando? -- Gritou. -- Slagor j
trouxe seu navio aqui. Eu o viele fazer isso!
      Erak mudou-se para o baluarte e levantou-se sobre
ele, completamente exposto.
      -- Cuidado -- Halt murmurou, tentando no deixar
que seus lbios se movessem.
      -- E me diga, cavaleiro -- Erak disse, sua voz
carregada de sarcasmo --Slagor carregou cinqenta
homens a bordo de seu navio e levou-os para fora da
praia?
      Houve uma pausa quando o lder Temujai pensou
atravs do raciocnio que Erak tinha dito. Erak viu a
hesitao e pressionou.
      -- Se formos a praia agora e carregar os seus
homens a bordo, ns nunca vamos tir-lo novamente.
Especialmente com a mar caindo do jeito que est.
      Isso pareceu funcionar. Or'kam relutantemente
sinalizou o seu acordo.
      -- Muito bem -- ele falou. -- Quantos voc pode
levar de uma vez?
      Erak resistiu  tentao de dar um suspiro de alvio.
      -- Trs botes, oito homens cada um -- ele falou. --
Vinte e quatro de cada vez.
      Or'kam assentiu.
      -- Tudo bem, Skandian, envie-nos os botes.
